Luiz Meira fala sobre sua trajetória de grandes parcerias na música brasileira

Músico catarinense se prepara para o lançamento de seu terceiro disco

Influenciado pela música popular brasileira que inundava as estações de rádio na déca­da de 1970, Luiz Meira começou cedo a em­punhar o violão para arriscar os primeiros acordes. Aos seis anos de idade seus dedos já eram capazes de produzir as notas sonoras que alguns anos mais tarde, com um pouco mais de prática, lhe renderam, ainda na adolescência, os primeiros prêmios relacionados à música.

Daniel Queiroz/ND

Músico catarinense tocou com Gal Costa, Sandra de Sá, Luiz Melodia e Ivan Lins

 

Aos 48 anos, o músico nascido em Florianópolis e criado em São José ostenta um currículo que pou­quíssimos catarinenses já tiveram a chance de sequer se aproximar. Entre seus amigos, aqueles que ligam eventualmente para contar algum causo ou combi­nar de tomar um café no fim da tarde, está ninguém menos que Gal Costa, com quem teve uma parceria musical de 16 anos e que só terminou em 2014 por­que a cantora quis fazer uma renovação total em seus músicos de apoio. Mas até ter a chance de poder tocar mundo a fora ao lado de uma das maiores cantoras que o Brasil já teve, algum chão foi percorrido.

Em meados da década de 1980, na onda de um grupo catarinense que estava de malas prontas para ir à Espanha, Luiz resolveu embarcar junto e dar início a uma incursão internacional na mú­sica. Após um tempo naquele país, retornou para Florianópolis, que ficou pequena demais para as ambições do jovem músico.

Quando chegou ao seu próximo destino, o Rio de Janeiro, em 1991, uma série de acontecimentos co­meçou a espalhar seu nome no cenário musical ca­rioca. “Eu tinha muitos conhecidos no Rio naquela época e acabei sendo convidado pelo Sá e Guarabyra para tocar com eles, rodamos o Brasil e inteiro e por causa disso, em 1997 recebi o convite da Gal”, lem­bra. Durante o período que viveu no Rio em parce­ria fixa com Gal Costa, Luiz chegou também a tocar com uma série de outros nomes de sucesso, como Sandra de Sá, Luiz Melodia, Lô Borges e Ivan Lins. Em 2006, ao perceber que não havia mais a menor necessidade de permanecer morando na Capital Fluminense, retornou para Florianópolis, de onde só saiu para fazer shows.

Cenário nebuloso

Se na época em que Luiz Meira aprendeu seus primeiros acordes a música brasileira vivia um momento de glória, com grandes shows por todo o país, aparições na televisão, canções no rádio e, acima de tudo, artistas valorizados, ele hoje lamenta o ponto em que ela chegou. Um dos assuntos que mais o inquieta é a perda de espaço que a música popular brasileira passou a ter nos últimos 20 anos, um cenário que aponta o surgimento de muitos artistas jovens e talentosos sem espaço na grande mídia e sem apoio de uma gravadora.

“Essa será uma longa fase. Quando me perguntam se vai haver uma renovação, eu digo que acho que vai demorar. Os artistas da nova geração têm muita dificuldade”, afirma. “Quem conhece a Céu? Quem conhece a Tulipa Ruiz? Só quem pesquisa sobre música. Se a Tulipa passasse aqui na rua agora, ninguém saberia quem ela é”, completa.

Diante desse cenário desolador para quem não firmou seu nome na música antes do início da década de 1990, Luiz Meira prepara o lançamento de seu terceiro disco, que está em fase de pré-produção. “Vou divulgá-lo dentro das possibilidades, e principalmente nas capitais. Como a distribuidora do disco também trabalha na Alemanha, ele também chegará lá”, diz.

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