Luthier de Barra do Sul fabrica contrabaixos

Antônio Emilson Alves Santos faz instrumentos para músicos profissionais

Rogério Souza Jr./ND

Rogério Souza Jr./ND

Tesouros de madeira. Os instrumentos que levam a assinatura de Antônio chegam a valer R$ 25.000

Herculano Vicenzi

Especial para Noticias

No universo do artesanato em madeira um dos ofícios mais nobres é o de luthier, profissional que fabrica instrumentos musicais de corda. Além de raro, esse tipo de artesanato exige conhecimento técnico profundo e requintada habilidade no manuseio da madeira para conquistar respeito e mercado entre músicos de carreira consagrada.

Em Santa Catarina um desses profissionais diferenciados é encontrado na cidade de Balneário de Barra do Sul, onde se estabeleceu há pouco mais de um ano e meio e abriu um atelier para fabricar contrabaixos, também conhecidos como rabecões.

Dono de conversa cativante, o luthier Antônio Emilson Alves Santos conta como saiu de São Paulo para se estabelecer em Santa Catarina. “Há muito tempo acalento o sonho de construir com minhas próprias mãos um barco artesanal para navegar pela costa brasileira. Ao ficar sabendo que Barra do Sul é uma referência na produção desse tipo de embarcação juntei minhas coisas e vim para cá”, relata bem humorado.

Por enquanto,  o projeto do barco artesanal está ainda em compasso de espera . Em contrapartida, Antônio Emilson vem dando prosseguimento ao trabalho de confecção de contrabaixos como fazia em São Paulo.

Contrabaixista profissional com passagens em orquestras sinfônicas  das cidades de São Paulo e do Rio, ele conta que virou luthier após fazer um curso de três anos no qual aprendeu as técnicas de como se fabrica violinos, vilas, violoncelos, contrabaixos acústicos e harpas. “Optei por me especializar em contrabaixos, por ser meu instrumento quando participo de orquestras”, esclarece.

Sem disfarçar uma pontinha de orgulho, Antônio Emilson informa que no Brasil, fora ele, só existem outros quatro especialistas na confecção de contrabaixos acústicos. “Faço parte de uma  fauna difícil de se encontrar”, diz, sem conter a risada.

Só para os mestres

Franco e direto, o luthier ressalta que seus contrabaixos são destinados a profissionais já com larga experiência.  “Para músicos iniciantes sugiro a compra de um contrabaixo mais simples, que pode ser obtido de importadores de produtos da China por R$ 2.000 ou R$ 3.000. Só recomendo contrabaixos de alto padrão para quem já é mestre na arte das cordas”.

Antônio Emilson informa que enquanto um contrabaixo mais simples custa R$ 2.000 a R$ 3.000, o valor de um instrumento sofisticado sai bem mais caro. “Se for feito com madeiras nacionais – canela e caxeta – o valor gira em torno de R$ 8.000. Já com madeira importada – átilo e abeto, da Europa e ébano, da África – o preço situa-se entre R$ 18.000 e R$ 25.000 reais, informa o artesão de Barra do Sul.

Perguntado se fabricar contrabaixos acústicos rende bom dinheiro, o luthier não consegue segurar a risada. “Que nada, entre os gastos com a compra da madeira e mais de dois meses de trabalho para deixar um instrumento pronto, sobra pouco. Mas não reclamo, é um trabalho gratificante, que ajuda abastecer bons músicos com instrumentos de qualidade”, salienta.

Apesar de distante das grandes metrópoles do Brasil, Antônio Emilson basicamente continua produzindo contrabaixos para músicos de São Paulo e do Rio. “Não gosto de fazer instrumentos por encomenda para não criar expectativas que talvez não se confirmem. Como sou conhecido no meio, gosto quando os músicos me visitam. Eles experimentam o instrumento e acabam fechando o negócio na hora. Isso é muito bom para mim e para o comprador”, ressalta.

Origens do instrumento

As origens do contrabaixo acústico são da baixa Idade Média, compreendendo o período entre o cisma greco-oriental  (1054) e a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos (1453). Ele descende de uma família chamada de violas, que se dividem em dois grupos, as de braço e as de pernas. O contrabaixo acústico como é conhecido hoje é considerado o herdeiro das violas de pernas.

Em função da hereditariedade, durante séculos o instrumento era chamado de viola contrabaixo. O nome contrabaixo acústico se impôs somente no século17 e começou então a ter vida própria.Mesmo assim, até a metade do século 18 o instrumento não era usado em larga escala, tanto é que em 1730 a orquestra do aclamado Johann Sebastian Bach não contava com nenhum contrabaixo.  A popularização do instrumento começou a se intensificar no final do século 19, com sua introdução na música popular, em especial, no jazz.  

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