Ney Matogrosso volta a Florianópolis e apresenta novo show, “Atento aos Sinais”

O repertório do espetáculo é baseado nos novos artistas do cenário musical do país

 Marcelo Faustini/Divulgação

Ney Matogrosso

Cantor recém estreou o show e já o traz a Florianópolis

Ney Matogrosso está realmente atento a tudo, aos sinais do novo mundo, da contemporaneidade. Não só pela capacidade camaleônica dele de se metamorfosear de tempos em tempos, uma necessidade causada pura e simplesmente por uma questão óbvia: fugir da chatice. Mas em seu novo show, “Atento aos Sinais”, o músico de 71 anos experimenta o novo, até mesmo o que ainda não tinha ousado antes, e também volta ao passado, com canções mais Rock ‘n’ Roll. Com cenário moderno e luzes ultratecnológicas, Ney volta a Florianópolis para duas apresentações na próxima terça e quarta-feira, no teatro Ademir Rosa, no CIC (Centro Integrado de Cultura).

O show estreou em São Paulo há pouco mais de uma semana. Florianópolis é a terceira cidade a receber a nova turnê. “Eu sempre volto. Eu adoro”, diz ele, e admite já ter vindo outras vezes, anonimamente, para curtir uma praia deserta cujo nome ele não lembra.

“Atento aos Sinais” é um show mais extrovertido, tem teor diferente de sua última turnê, “Beijo Bandido”. Esse movimento foradentro, mais extrovertido ou mais introspectivo, é necessário para o cantor. “Faço isso para não ser chato para mim. Não quero ser aquele artista que faz o mesmo gênero de sempre. Agora estou num momento mais expansivo. Quando saio de algo menos, preciso de algo mais, e assim também ao contrário”, explica-se. E assim, ele garante ser capaz de apresentar um show melancólico estando bem, ou um show alegre quando triste.

“Não é uma questão de estado de espírito”, declara. “É um exercício de intuição”, continua Ney, lembrando que a performance é a base de seu trabalho. “Eu atuo, sou um artista que ninguém vai saber que sou eu lá no palco.” Ele conta que a única vez que foi mais “ele” no palco foi no show “Pescador de Pérolas”, do final dos anos 1980. “Eu queria saber se era cantor de verdade ou se era aquilo que falavam, de que eu fazia sucesso porque fazia performances no palco.” Vestiu então um terno branco: “foi quando fui mais eu. E nunca me senti tão nu, tão exposto.”

Musicalidade brasileira contemporânea

O repertório de “Atento aos Sinais” é baseado nos novos artistas do cenário musical do país. “Ouço muito que existe uma crise na música brasileira, mas acho que se procurar vai encontrar”, diz Ney, em alusão ao pessimismo de muitos de que a música brasileira boa ficou no passado. Para ele, há na verdade uma dificuldade dos músicos novos e talentosos emplacarem no rádio.

Nesse caso, Ney é literalmente atento aos sinais, é receptivo às novidades. “Pego muitos discos que recebo nas minhas viagens pelo Brasil. E tenho interesse, procuro na internet e vou descobrindo coisas boas”, diz. Por isso entre os compositores há representantes de diferentes estados brasileiros e de diferentes ritmos também, como a banda Tono, Zabomba, Vitor Ramil, Dani Black e até o rapper “antropofágico” Vitor Pirralho. Os shows originarão um CD, ainda sem previsão de lançamento. Além dos novos, há também releituras de clássicos de Chico Buarque, Arnaldo Antunes e Itamar Assumpção.

“Nesse trabalho estou experimentando coisas que nunca experimentei. Vitor Pirralho, por exemplo, é um rapper. Mas ele fala de outras sagas, não somente a das comunidades carentes, mas de quando os portugueses chegaram e o impacto disso nos índios”, conta Ney. Ele diz que até refletiu sobre a possibilidade de as pessoas o estranharem diante das novas ousadias no palco e nas canções, no alto de seus 71 anos. “Mas na verdade ali é um artista. Eu não vivo a minha vida contando os anos.”

Quando sobe no palco, Ney Matogrosso provoca sensações diversas, e as mulheres em especial deliram contagiadas por sua sensualidade. Ele sabe disso. “O palco me liberou e libertou. Exercitei coisas que eram reprimidas em mim.” O cantor diz sentir prazer em liberar isso. “Sou uma pessoa liberada, acho que minha passagem pela terra é para isso, ser um ‘desrepressor’.”

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