Paulo Coelho comenta suspeita de traição de Raul Seixas na ditadura

Reportagem da “Folha de S. Paulo” trouxe o assunto ao falar de nova obra que revisita trajetória de Raul Seixas, assinada por Jotabê Medeiros

Escritor Paulo Coelho comentou pelo Twitter nesta quarta (23), a reportagem publicada na “Folha de S. Paulo” que menciona uma possível traição de Raul Seixas, que teria entregue o escritor para os militares durante a ditadura.

Em nova obra sobre o cantor, suspeita é levantada – Foto: Divulgação/ND

Amigos, Paulo Coelho e Raul Seixas tinham uma afinidade que ia dos ETs e do misticismo às parcerias musicais – criaram juntos canções como “Tente Outra Vez” e “Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás”.

Para a produção do livro “Raul Seixas: Não Diga que a Canção Está Perdida”, de Jotabê Medeiros, conforme reportagem da “Folha de S. Paulo”, o jornalista encontrou um documento que mostra que quando Paulo Coelho foi convocado para um depoimento no Dops (Departamento de Ordem Política e Social) da ditadura militar, Raul já tinha prestado informações.

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Coelho precisou dar explicações sobre o disco “Krig-ha, Bandolo!” e a Sociedade Alternativa de Raul.

De acordo com o relato do jornalista e reportagem da “Folha”, Raul entrou na sede do órgão, ficou lá por meia hora e retornou tentando dar algum recado cifrado ao amigo, que o esperava. Coelho não entendeu e foi chamado para o interrogatório.

A polícia então foi até o apartamento de Coelho e prendeu o escritor e a namorada, Adalgisa Rios. No dia seguinte, quando liberado, Coelho pegou um táxi com Raul, mas foi detido novamente e levado para um lugar desconhecido, onde sofreu torturas por duas semanas.

Jotabê teve acessos aos documentos e confrontou Coelho, que não quis se manifestar. O escritor Fernando Morais, autor de “O Mago”, biografia de Coelho, já tinha visto esses documentos na época da escrita.

O escritor pelo Twitter nesta quarta-feira (23) comentou. “Fiquei quieto por 45 anos. Achei que levava segredo para o túmulo”, escreveu, em cima do link com a matéria publicada na “Folha de S. Paulo.

Em seguida, ele amenizou a declaração. “Não confirmei e não confirmo nada. Eu apenas vi o documento e me senti abandonado na época.”

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