Vamos? Expresso Rural e Camerata Florianópolis voltam ao palco juntas nesta quinta

“Eles popularizaram o erudito e mostraram a beleza do popular com arranjos maravilhosos”, diz Zeca Petry, um dos fundadores da icônica banda, sobre o reencontro com a orquestra

Expresso Rural e Camerata se uniram em um show em 2016 que circulou o Estado e que resultou em um DVD – Divulgação/NDExpresso Rural e Camerata se uniram em um show em 2016 que circulou o Estado e que resultou em um DVD – Divulgação/ND

A legião de fãs do Expresso Rural, aquela que conhece a história de 38 anos do grupo e canta as suas músicas sem errar um verso, terá nesta quinta (18) a oportunidade de rever seus ídolos num cenário especial – e muito bem acompanhados. É a retomada de uma parceria de sucesso com a Camerata Florianópolis, que começou em 2016 e resultou num memorável espetáculo que circulou pelo Estado e marcou, no ano seguinte, a gravação do CD e do DVD lançados em 2018.

O palco é o Teatro Ademir Rosa (CIC) e o repertório vai de “Nas manhãs do Sul do mundo”, grande sucesso do primeiro vinil, a novidades como “Brincadeiras de Quintal”, letra mais recente e inédita em disco. O show terá início às 20h e os ingressos estão à venda nas bilheterias dos teatros da Capital (CIC, TAC e Pedro Ivo), na sede da Camerata e no site da Blueticket.

O reencontro vai brindar o público com outros hits do grupo, como “Rock rural”, “Certos amigos”, “Tom natural” e “Sol de Sonrisal”. Há músicas com novas versões, releituras e a mescla do violão acústico com o arranjo de cordas criado pelo pianista Luiz Zago. A regência será do maestro Jeferson Della Rocca e a produção executiva ficará por conta de Maria Elita Pereira. O show tem o apoio da WOA, Intelbras e Iguatemi.

Composto atualmente por Zeca Petry, Daniel Lucena, Paulo Back, Ricardo Malagoli e Jack Moa, o Expresso sempre teve vontade de tocar e gravar com a Camerata. “Eles popularizaram o erudito e mostraram a beleza do popular com arranjos maravilhosos”, afirma Zeca, que está no grupo desde a criação, em 1981. “Nesta parceria, ganhamos nós e a orquestra, pois ambos temos um grande número de fãs”.

Na estrada, Expresso Rural tem uma história de 38 anos – Divulgação/NDNa estrada, Expresso Rural tem uma história de 38 anos – Divulgação/ND

BELA TRAJETÓRIA

Na primeira metade dos anos 80, gravar um disco era para poucos, porque o custo imposto pelas gravadoras equivalia ao preço de dois carros de luxo. Os equipamentos eram importados e, portanto, pouco acessíveis à época, e a saída para os grupos musicais era a produção independente.

Foi esta a opção encontrada pelo Expresso Rural para lançar “Nas manhãs do Sul do mundo”, que contou com espaço generoso na mídia, sobretudo nas emissoras de rádio e TV locais, para chegar ao grande público.

“Até ali, após o sucesso feito por Luiz Henrique Rosa e Zininho nos anos 50 e 60, houve um hiato no qual ninguém gravou discos em Santa Catarina”, diz Zeca Petry. A chegada do Expresso mostrou que havia músicos autorais de qualidade no Estado.

O momento era de efervescência, por causa dos festivais estudantis e dos espaços de divulgação que a qualidade dos artistas proporcionava, com folga. As portas abertas em rádio e um especial na televisão fizeram com que o LP “Nas manhãs do Sul do mundo”, gravado de forma independente, alcançasse o recorde de vendas de um grupo musical catarinense.

As primeiras três mil cópias se esgotaram em poucos dias, e outras cinco mil reabasteceram um mercado ávido pelo disco. Em 1985, parte do grupo foi tocar na Espanha, deixando um grande vácuo e uma sensação de desalento entre os fãs. Na volta, no entanto, os músicos perceberam que o prestígio não fora arranhado e que o rock rural se mantinha em alta. “Não imaginávamos que poderíamos chegar onde chegamos”, admite Zeca Petry.

Depois disso, o Expresso ainda lançou “Ímpar” (1988), “Expresso ao vivo” (1991), “Romance em Casablanca” (1993) e a coletânea “Rock rural” (2014). Gravados ao vivo, o CD e o DVD “35 anos de rock rural” coroaram esta trajetória.

NOVOS TEMPOS, NOVOS FÃS

Zeca Petry diz que desde o começo o grupo seguia uma linha mais folk, gênero no qual Zé Rodrix e a dupla Sá & Guarabyra reinavam acima dos mortais no país. No Sul, o rock rural foi introduzido e dominado pelo Expresso, com seus versos bem elaborados, vozes melodiosas e os acordes do violão de 12 cordas, acústico por excelência.

O compositor e vocalista Daniel Lucena ditava o ritmo e as performances nos shows da banda. “Foi assim que o Expresso ficou conhecido na região e ganhou fãs fiéis Brasil afora”, acentua Zeca Petry.

Com o advento da internet, os adultos que sempre admiraram a banda puderam provar aos filhos que se fazia, sim, música de qualidade na Ilha quando eles eram jovens. Para o grupo, foi a oportunidade de capilarizar ainda mais o trabalho, sem submeter-se a estúdios caros e aos caprichos dos novos divulgadores e da mídia.

Se o vinil traz de volta os cheiros e sensações do passado, pela nostalgia de grandes momentos de interação com o público, gravar um CD é hoje um ato corriqueiro que pode ser feito em casa. Os anos e os recursos da tecnologia trouxeram essa facilidade ao Expresso, e o público, longe de diminuir, é multiplicado a cada novo espetáculo.

SERVIÇO

O QUÊ: Camerata Florianópolis e Expresso Rural

QUANDO: 18/7, 20h

ONDE: Teatro Ademir Rosa (CIC)

QUANTO: R$ 110,00 (inteira) e R$ 55,00 (meia) na plateia inferior e R$ 80,00 (inteira) e R$ 40,00 (meia) na plateia superior, à venda nas bilheterias dos teatros CIC, TAC e Pedro Ivo, sede da Camerata e pela Blueticket.

SET LIST

1 – Nas manhãs do Sul do mundo

2 – Roteiro das águas

3 – Certos amigos

4 – Dança molhada

5 – Sol de Sonrisal

6 – Tom natural

7 – Batom e festas

8 – Nossos corações

9 – Rock rural

10 – Banho das seis

11 – Harmonia

12 – Revoada

13 – Estrela vadia

14 – Reggae na casa amarela

15 – Nosso tempo foi assim

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