A boa e velha CONVERSA

Proerd. Policial militar se realizou ao integrar o programa de prevenção ao uso de drogas por meio de palestras nas escolas

Fabrício Porto/ND

LNas escolas. Fernando Orthey integra o Proerd há quatro anos e ontem de manhã ele fez palestra na Professor João Bernardino, no bairro Boehmerwald

Fernando Camacho Orthey, 37 anos, é policial militar concursado há 14 anos. Em junho de 1998, após conclusão do curso de formação para soldados (CFSD), foi designado para servir na a GEPMon (Guarnição Especial de Polícia Montada de Santa Catarina), admirada por todos, também é conhecida como polícia montada ou cavalaria. Soldado de “primeira classe”, durante três meses atuou no policiamento a cavalo; posteriormente designado para a função de motorista da cavalaria e um dos responsáveis na logística de apoio ao policiamento montado.

Para o soldado Orthey, como consta na tarja de identificação em seu uniforme, “servir na cavalaria foi uma grande honra, bem como nas demais unidades por onde passou, além de ser uma experiência gratificante”. Quase oito anos depois, em 2006, ele foi atuar na Ronda Escolar, cuja base de abrangência englobava toda a zona Sul da cidade, outra importante experiência em seu currículo de policial militar. Para Fernando, essas mudanças dentro da corporação sempre foram encaradas como uma oportunidade a mais para agregar conhecimento, na busca da maturidade profissional. “Você não nasce policial, você simplesmente gosta de ser um policial e, em determinado momento de sua vida, faz a opção e não se arrepende.”
Depois da ronda escolar, Orthey trabalhou na penitenciária e com a escolta de presos. Foi nessa fase que abraçou uma decisão em sua carreira e da qual tem muita satisfação. Fernando recorda de alguns episódios da época em que atuava na escolta de presos, dos quais a reincidência de alguns no mesmo crime – tráfico, intermediação e uso de drogas era muito constante. “Quando você leva o mesmo cidadão para o Fórum várias vezes, por ter cometido o mesmo crime, mesmo depois de ter cumprido pena, tem alguma coisa de muito errado nisso,” pondera. “Aos poucos, conversando para tentar entender o que levava esses jovens para o mundo das drogas, descobri que eles enveredaram por esse caminho, como se diz na gíria ‘de bobeira’, sem saber ao certo o que faziam, e sob a influência de um amigo.” Ainda, segundo Fernando “esses rapazes e moças provinham de famílias com problemas, não tinham trabalho e pouca formação.”
Nessa ocasião, Fernando ouvira falar do Proerd (Programa Educacional de Resistências às Drogas), já implantado pela PM catarinense – versão brasileira do projeto norte-americano Drug Abuse Resistence Education. Esse programa consiste numa ação conjunta entre o soldado qualificado auxiliado pelos professores, especialistas, estudantes, pais e a comunidade. É um programa preventivo contra o uso indevido das drogas e da violência contra estudantes (bullying). Para tanto, emprega-se a informação por intermédio de meios lúdicos (desenhos e brincadeiras no grupo), palestras, questionários etc. O que fecha esse ciclo com “chave de ouro” é a profunda relação de amizade, confiança e respeito que fica entre os policiais e os alunos de todas as séries atendidas pelo programa. 

“Você não nasce policial, você simplesmente gosta de ser um policial e, em determinado momento de sua vida, faz a opção e não se arrepende.”


Arquivo pessoal/ND

Momento de alegria. Orthey com colega, mascote e animadores em uma das formaturas dos alunos que participaram do Proerd

Avaliação e preparo
A história do soldado Fernando Camacho Orthey com o Proerd começou em 2008, após ele passar por várias entrevistas de avaliação e verificação de aptidão para lidar com crianças. Desde 2010, juntamente com mais 13 soldados instrutores, sob o comando do major Geovani Fachini, coordenador do Proerd da 5° RPM (Região da Polícia Militar), eles são os “anjos de guarda” de crianças em idade escolar, principalmente as do 5° ano que, devido a faixa estaria, estão mais vulneráveis a situações de risco.
O Proerd é um programa exitoso em Santa Cataina, sob a coordenação da Polícia Militar. Mais de cem mil crianças já foram atendidas pelo programa. Tem razão o soldado Orthey quando afirma com toda convicção: “a família, a informação, o acompanhamento e a verdade são atributos indispensáveis na luta contra as drogas,” Essa não é uma luta apenas de Fernando e seus companheiros de farda e de ideal. É uma luta de toda a sociedade, comprometida com a transformação moral e intelectual do ser humano.

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