A cidade que queremos para o futuro

Flávio Souza

Acadêmico de Administração Pública da Esag 

Divulgação

A capital de todos os catarinenses acabou de completar 286 anos. Temos o que comemorar? Trânsito caótico, ocupação de áreas preservadas e uma exacerbada especulação imobiliária. Nossa cidade atrai pessoas de todo mundo em busca de uma qualidade de vida que já não temos. Relaxar à beira-mar tornou-se algo complicado e altamente estressante. O espaço público das ruas transformou-se em estacionamento dos grandes empreendimentos imobiliários que não respeitam o impacto de vizinhança e causam transtornos a toda “mobilidade urbana”.

Discussões acerca do tema fazemos cotidianamente. Faltam-nos competência e vontade política para encaminhar as soluções apontadas para finalizar o processo do Plano Diretor. As comunidades foram ouvidas, os técnicos deram seus pareceres e a prefeitura com seu grupo gestor tratou de engavetar mais uma vez o projeto. Tivemos uma oportunidade histórica, quando o Ipuf foi dirigido por Ildo Rosa, de encaminhar e definir o Plano Diretor de Florianópolis. Desde então nada novo foi produzido. A prefeitura desarticulou e desconstruiu todo trabalho das Leituras Comunitárias.

O acidente ocorrido na Trindade, quando um paiol com munições incendiou e colocou em risco todos moradores do entorno da Academia da Polícia Militar, traz uma leitura importante sobre o futuro da cidade. Quantos mais acidentes de igual ou maior proporção, quantas novas vítimas do trânsito, quantos ciclistas atropelados serão necessários para definitivamente nos alertarmos sobre a necessidade urgente de finalizar o Plano Diretor. Acabamos por analisar os problemas num micro contexto e esquecemo-nos do aprofundamento de todas as questões envolvidas. Será que o paiol estava no local certo ou os edifícios foram construídos em local proibido?

A cidade necessita ainda de grandes espaços de lazer e da construção de um espaço para eventos esportivos. A Capital não está apta a receber grandes competições por não tem um complexo esportivo adequado e dentro das normas e medidas internacionais. Agora, uma questão primordial, onde devemos construí-lo? Será que quando se constroem equipamentos públicos há a preocupação de analisar todo o contexto envolvido, ou seja, o impacto de vizinhança, o saneamento e a mobilidade urbana?

Afinal, que cidade queremos para o futuro? O que esperamos de nossos gestores para os próximos anos? Tenho a impressão de que ainda faltam técnicos nos gabinetes, pessoas certas para indicarem o caminho e darem o vetor para a criação de uma cidade melhor para todos. O crescimento é necessário. O desenvolvimento com sustentabilidade deve ser colocado em primeiro plano. Queremos uma cidade com técnicos e administradores públicos exercendo suas funções com responsabilidade e isenção. Desejo que nos próximos anos Florianópolis tenha muito que comemorar.