A ex-professora que se dedica ao voluntariado para ajudar parturientes em Joinville

Rosangela Martinowsky Baptista é presidente da Associação da Maternidade Darcy Vargas, criada para dar apoio às gestantes de famílias carentes

Fabrício Porto/ND

“Visamos proporcionar condições de conforto e bem-estar às parturientes, especialmente de famílias carentes”, explica Rosangela Martinowsky Baptist

Bebês saudáveis nascem todos os dias naquela casa. Neste caso, Rosangela Martinowsky Baptista se refere à Associação da Maternidade Darcy Vargas. “Com um ano e pouquinho de vida, posso afirmar que nossa nenê está bem saudável e já anda com passos firmes”, diz ela, uma das fundadoras e atual presidente da entidade, criada para dar apoio às gestantes de famílias carentes. Com a experiência de ter visto três netos nascerem ali, a voluntária dedica o tempo livre à coordenação do grupo e também à labuta mais dura, como transformar tecido em camisolas, separar donativos, comercializá-los no brechó e adquirir medicamentos.

Rosangela mora até hoje na casa em que nasceu, em julho de 1951, na rua Arnaldo Moreira Douat, início do bairro Floresta. “Nasci mesmo naquela casa, nas mãos de uma parteira, como era comum naquele tempo. O trem fazia parte da nossa vida, tanto pelo tráfego constante da maria-fumaça levando e trazendo carga e passageiros, quanto pelo trabalho do meu pai, radiotelegrafista na estação ferroviária. No verão, era comum a família ir de trem ou litorina até São Francisco e à praia do Paulas.” Depois de concluir o ensino primário no colégio Rui Barbosa, Rosângela foi aluna da mãe, Maria Marina, no Anita Garibaldi – “Mamãe foi a primeira diretora lá”. Diversão não faltava: “De manhã aula, à tarde banho em algum dos tantos rios da região”.

Aos 16 anos, ainda aluna do curso Normal no Colégio dos Santos Anjos, Rosangela debutou na cátedra. Em 1970, formada, foi a primeira professora de 1º ano no colégio Lauro Carneiro de Loyola. De lá foi para o mesmo Anita onde estudara: “Fiquei dezenove anos e saí como auxiliar de direção”. Em 1990, concursada, foi para o Paul Harris, de onde saiu oito anos depois. A parada seguinte, a Secretaria de Educação, foi a última: “Aposentei-me no final de 2014, encerrando uma carreira de 44 anos dedicada ao magistério”.

Casa da Amizade

Ainda no tempo de professora, como esposa de rotariano, Rosangela Baptista começou a atuar como voluntária, na Casa da Amizade. Depois passou para o Rotary Cidade das Flores. “É um ‘clube da luluzinha’, o único formado só por mulheres”, reforça. Outra atividade comunitária, ainda ativa, é a participação na equipe de liturgia na paróquia Santuário Sagrado Coração de Jesus.

A primeira maternidade com a qual Rosangela teve ligação foi o Hospital Dona Helena, onde nasceram os filhos Jociane, Mariol (“O nome dela é uma homenagem a minha mãe, Maria, e à sogra, Olga”) e Ademir José. Depois, quando a primogênita formou-se fisioterapeuta e assumiu a coordenação de humanização na Darcy Vargas, começou a mobilização para se criar uma associação de voluntários. “Começamos com três mães: eu, a Marli Schwartz que tem uma filha enfermeira e a Ângela Pimentel que é mãe de médica, todas da Darcy Vargas; a Olindina Effting, funcionária da maternidade; e o Humberto Sehne, único homem do grupo e que se encarregou de toda a parte burocrática. Fundamos a associação no dia 3 de novembro de 2014, e nossa primeira tarefa foi cuidar da decoração natalina da maternidade naquele ano”.

A prosaica ação foi um preâmbulo aos reais objetivos da Associação dos Voluntários da Maternidade Darcy Vargas, como esclarece a presidente: “Visamos proporcionar condições de conforto e bem-estar às parturientes, especialmente de famílias carentes. Contamos com a dedicação de 17 voluntárias fixas, mais o Humberto na administração e as que vêm toda segunda-feira ajudar no brechó. Fazemos consertos, doamos remédios, confeccionamos camisolas…”

No dia da entrevista, por coincidência, Rosangela manuseava um imenso rolo de tecido doado pela Fabril Lepper. Além do trabalho das voluntárias nas máquinas de costura ganhas também de doadores, a associação tem parceria, no esforço de confecção, com a escola têxtil da Fundamas Iririú. A sede da entidade ocupa as instalações da antiga lanchonete, na entrada da maternidade, e ali também é promovido o brechó semanal (toda segunda, das 14 às 17h; uma vez por mês, como hoje, o brechó funciona o dia todo, comercializando roupas, tanto doadas por pessoas da comunidade quanto por parceiros como a Renner). Na sala também são guardados os enxovais de bebê confeccionados por outro grupo de voluntárias, do Mutirão do Amor.

Assim, conclui Rosangela Baptista, “a associação vai crescendo como um bebê saudável, graças à coesão de um grupo muito dedicado e unido”.

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