A namoradinha da cidade

No aniversário da Rádio Cultura, uma homenagem a todos os amantes do rádio

Nesta sexta-feira, 1 de julho, a Rádio Cultura de Joinville comemora 57 anos de atividades. Nos meus parabéns à emissora e a todos que lá trabalham, incluo minha admiração que nunca se acaba pelo veículo rádio.

Sou apenas dois anos mais velho que a Cultura, e quando nasci, lá pelas 23h30 de um distante domingo de maio, talvez o rádio na casa da tia Alda já estivesse desligado. A programação da ZYR-4, Rádio Rio Negrinho, terminava antes da meia-noite, com a “Hora da Seresta”. Às 6 da manhã o Coroné César, codinome de Severiano Cézar Linhares, abria os trabalhos com seu “Ranchinho”, rezando a Ave-Maria e tocando a melhor música caipira. Eu ouvia esses acordes ainda na cama, enquanto a cozinha fervia com o café da manhã que a Baba preparava pra turma que ia pra Cimo, latoaria Bublitz e oficina do Evaristo. Quando tudo se aquietava, era minha vez de levantar, ir lá fora na “casinha”, lavar a cara, tomar café, vestir o uniforme e seguir pra aula. Ao voltar, perto do meio-dia, já rolava o final da programação matinal na rádio, tocando as músicas que os ouvintes pediam por carta.

Tio Ênio costumava pegar seu prato e postar-se ao lado do fiel Philips valvulado, sintonizando a Bandeirantes pra ouvir o noticiário esportivo. A então chamada “Cadeia Verde-Amarela” entrava limpa, como se fosse local. Aos domingos, se não tivesse jogo no Ipiranga, era eu que ouvia os jogos do Verdão na voz do saudoso Fiori Giglioti. Em 1966 acompanhei na íntegra os três jogos da Seleção na Copa. Imagine minha alegria quando, em 1975, já morando em São Paulo, fui pela primeira vez ao Palestra, acompanhado do meu radinho novo, de onde saía a voz do Fiori, sentado ali na cabine, a uma centena de metros de mim.

Morava na capital paulista quando surgiu a FM. Não sei qual foi a pioneira, mas eu gostava da Jovem Pan. Só que jamais abandonei a AM, costume que mantive quando, em 1979, mudei-me pro América. Meu radinho portátil logo descobriu onde ficavam os 1250 da Cultura e os 1580 da Difusora, as emissoras que transmitiam futebol (a Colon era mais o estilo da paulista Excelsior, intelectual e dedicada à música). França, Budal, Mira, Carvalho e Passos na Cultura; Pieper e Nei Botto na Difusora… Lá na arquibancada, a maioria dos torcedores com o rádio colado na orelha. Bons tempos… Hoje, lamento só a imposição da Voz do Brasil, impedindo que ouçamos o primeiro tempo dos jogos que começam às 19h15. Aliás, esse programa é um resquício de um tempo que já se foi; pra que existem as emissoras oficiais? Sou totalmente contra a obrigatoriedade de retransmissão da Voz; pelo menos podia ter flexibilidade no horário.

Agora, quando escrevo, ouço Cacá Martan nos 1250. Às vezes sintonizo a Clube, no Osman Lincoln (por sinal, também aniversariante desta sexta-feira; então, meus parabéns!). A facilidade da internet permite sintonizar emissoras do mundo todo, até mesmo no smartphone. Uma de minhas manias é assistir a um jogo na TV e ouvir outro no rádio. Assim, conheço prefixos de todos os estados.

Parabéns Rádio Cultura e um abraço a todos os fãs de rádio.