A segurança no Norte da Ilha

Milton Weber Filho

Diretor da Acif Canasvieiras

Divulgação

A região Norte da Ilha tem hoje cerca de 116 mil habitantes em seus seis distritos. Caso fosse desmembrada do município de Florianópolis, a região estaria entre as 10 cidades mais populosas do Estado. Durante o verão as praias do Norte recebem aproximadamente 500 mil pessoas que realizam turismo de praia.

Tamanha concentração populacional gera demandas bastante específicas. Exemplo é a segurança pública. Por isso diversas entidades da sociedade civil organizada se uniram e fizeram um documento listando as necessidades da área. A base do trabalho foi a leitura de ocorrências e o diálogo direto com Conselhos de Segurança, Guarda Municipal, Polícia Civil e Polícia Militar, estas últimas duas representadas pela 7ª. e 8ª. Delegacias e 21º. Batalhão.

De forma clara se verifica que todas as três polícias carecem de recursos humanos e que o contingente de policiais disponível hoje não é suficiente para atender às necessidades da região. O problema é reflexo direto do limite de pessoas disponíveis para o trabalho.

A Guarda Municipal reúne 146 guardas. Para atender adequadamente à comunidade, precisaria de pelo menos mais 100. Há ainda a necessidade de construção de uma base operacional no Norte da Ilha. A 7ª. Delegacia da Polícia Civil tem 16 escrivães e agentes e dois delegados para atender aos populosos bairros de Canasvieiras, Jurerê tradicional e internacional, Daniela, Forte, Ratones, Vargem Pequena e Grande, Cachoeira do Bom Jesus, Ponta das Canas, Lagoinha e praia Brava. O número de profissionais deveria pelo menos dobrar.

A 8ª. Delegacia de Polícia, que atende aos bairros Ingleses, Santinho e Rio Vermelho, é outra que sofre com a escassez de profissionais. Hoje atuam ali um delegado, 11 agentes e dois escrivães, mas a equipe mínima deveria ter pelo menos mais 11 pessoas. Situação semelhante é vista no 21º. Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo policiamento ostensivo nos bairros Cacupé, Santo Antônio, Sambaqui, Ratones, Jurerê tradicional, Jurerê internacional, Praia do Forte, praia da Daniela, Canasvieiras, Cachoeira do Bom Jesus, Ponta das Canas, Lagoinha, praia Brava, Vargem Grande, Vargem Pequena, Ingleses, Santinho e Rio Vermelho . Quilômetros e quilômetros de área vigiados por apenas 120 policiais.

A comunidade anseia ainda por outras melhorias, como a instalação de câmeras de monitoramento nos bairros Ratones, Ponta das Canas e Santo Antônio de Lisboa, e o fortalecimento dos Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs). São ações que dependem do poder executivo, mas que devem ser complementadas pelo legislativo. O maior poder de vigilância e repressão da polícia deve necessariamente ser seguido de mudanças na legislação que garantam a punição justa dos criminosos.