À sombra da HISTÓRIA

Rio Bonito. Casarão de 81 anos funcionou como secos & molhados por duas gerações

Luciano Moraes/ND

Lanchonete Casarão. No prédio deixado como herança pelos avós de Mauri, é a mulher Elena Sílvia que administra o bar

Construído no local onde termina a rua 15 de Outubro e começa a Estrada Palmeiras, o velho casarão de tijolos maciços acaba de completar 81 anos de história em Rio Bonito, próspera e tranqüila vila do distrito de Pirabeiraba. Considerado um dos principais cartões arquitetônicos do lugar, o casarão foi erguido pelo casal Ricardo Eugênio e Alma Maria Scholz em 1931. Terminada a construção, a dupla abriu então as portas de um Secos & Molhados, que com o passar do tempo entrou para a história como um dos ícones da rede comercial de Rio Bonito.
Ricardo Eugênio e Alma a Maria tocaram o negócio até o final da década de 1950, quando passaram à administração ao filho Adival e à nora Martha.  Os dois ficaram a frente do comércio por mais de quatro décadas, tornando-se pessoas de muita popularidade pela maneira simpática de atender a todos os fregueses. Adival e Martha, a exemplo dos fundadores do estabelecimento, trabalharam num tempo que grãos e farinhas para consumo humano eram vendidos a granel. Muitas vezes os sacos de feijão e de arroz chagavam a ser usados por fregueses como bancos improvisados.  “Era o típico vendão do interior, onde todo mundo se conhecia e a conversa corria divertida, sem nenhuma pressa”, lembra Mauri Scholz, filho de seu Adival e dona Martha.
Alguns anos antes de passar o negócio ao filho Mauri e à nora Elena Sílvia, Adival e Martha desativaram o secos & molhados, ficando só com o serviço de bar. “Estamos velhos e cansados, mas não podemos deixar nossos fregueses da cervejinha na mão”, vivia dizendo dona Martha. Seu Adival faleceu em 2001 e, dona Martha, em 2002, quando o bar já era tocado pela nora Elena Silvia e pelo filho Mauri. “Aqui, quem toma conta de tudo é minha mulher pelo fato que eu gosto de balcão, mas somente do lado de fora”, diz Mauri com uma franqueza de tirar risadas até de fregueses sisudos. Dona Elena Sílvia abre a Lanchonete Casarão (como o local foi rebatizado pela freguesia), de segunda a sexta-feira das 14 às 20h; aos sábados, o expediente é mais esticado. Começa às 8h e se estende até às 20h; aos domingos as portas ficam abertas das 8 às 13h.

Era o típico vendão do interior, onde todo mundo se conhecia e a conversa corria divertida, sem nenhuma pressa.”
Mauri Scholz

  

Freguesia renovada
Apaixonada pelo comércio, Elena Silvia conta que os fregueses do tempo de Adival e Martha estão ficando cada vez mais raros. “Alguns já morreram e os demais estão com a idade bem avançada e por isso quase não saem mais de casa”, esclarece.
Em contrapartida, ao trabalhar com serviço de lanches, Elena Sílvia conseguiu renovar a freguesia do mais antigo ponto comercial de Rio Bonito.  “Faço uns bolinhos bem temperados que garantem fregueses de perto e de longe”, enfatiza com uma pontinha de orgulho.  (Herculano Vicenzi, especial para o Notícias do Dia)

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