A tradição das EMPADAS

Gastronomia. Segunda geração da família Pensky se dedica a produção dos famosos quitutes

Fabrício Porto/ND

Produção. Valdir e Elisabeth trabalham até 15 horas por dia para fazer 15 mil unidades todos os meses

Estabelecidos na rua Tutóia,  na região alta do bairro Glória, Valdir e Elisabeth Pensky tocam bem sucedida empresa familiar especializada na produção de empadas caseiras, uma das iguarias mais consumidas nos bares e lanchonetes de Joinville. Ao abrir o negócio, em 2002, o casal Pensky vendia cerca de 800 empadas por mês. Hoje a produção da dupla é de 15 mil unidades mensais e haveria mercado para dobrar a produção se fossem contratados dois empregados.  “O negócio está indo bem, por isso, embora tenhamos de trabalhar 15 horas por dia, vamos continuar desse jeito, fazendo tudo nós dois sozinhos. Não se deve mexer naquilo que está dando certo”, assinala Valdir, ou o Nhanha como é chamado pelos amigos.
A história da empadaria da rua Tutóia acaba de completar dez anos. “Isso representa apenas um terço do tempo que estou envolvido com essa atividade”, observa Nhanha. Filho de Raulino Pensky, empadeiro que fez história no bairro Glória e que atualmente continua no ramo na cidade de Balneário Barra do Sul, Nhanha não segura as risadas ao contar como seguiu as pegadas do pai. “Até completar 17 anos, eu só olhava como ele fazia as empadas. Bela ocasião o velho se atrasou nas cobranças e estava faltando massa para atender a um pedido urgente. Ao ver a aflição da minha mãe, preparei a massa e deu tudo muito certo. A partir daquele dia me tornei o responsável pelo setor na empadaria dos meus pais”, recorda sorridente.
Em pouco tempo, além de preparar a massa, ele se tornou mestre no preparo de empadas de palmito, frango, camarão e até com recheio de chocolate sonho de valsa, variedade muito procurada no Natal e na Páscoa.  Apesar de dominar rapidamente a técnica de preparar uma boa empada, Nhanha demorou um bocado para se convencer que seu futuro estava nesse tipo de artesanato do segmento alimentício. “Olha, durante 20 anos fui dono de verdureira, garagem de venda de carros usados e até de oficina mecânica. Nada dava certo e, por isso, quando as coisas ficavam apertadas, eu acabava voltando às empadas”, conta bem humorado.
A inquietude de Nanha começou a ser domada quando ele se casou com Elisabeth. Incentivado por ela, em 1990 o casal foi para Balneário Barra do Sul, onde abriu uma empadaria que em poucos meses registrou boa prosperidade. Mas aí aconteceu uma recaída: Nanha largou tudo para voltar a Joinville, onde abriu uma revenda de automóveis usados.

“Durante 20 anos fui dono de verdureira, garagem de venda de carros usados e até de oficina mecânica. Nada dava certo e, por isso, quando as coisas ficavam apertadas, eu acabava voltando às empadas.”
Valdir Pensky


A cura definitiva
Dois anos mais tarde estava falido e então se obrigou a voltar para o ramo das empadas no qual, ao lado de Elisabeth, se mantém firme até hoje. A coisa engrenou de tal forma que no momento Nanha nem se imagina longe do ofício que relutou abraçar em definitivo ao longo de duas décadas.
Bem humorado, Nanha garante que está curado da tentação de pular de galho em galho. De quebra, ele aproveita para informar com uma pontinha de orgulho que até desenvolveu uma máquina manual de montar empadas. “A engenhoca facilita o trabalho; não fosse isso não daríamos conta de fazer todo o serviço só em dois”, garante.
Nhanha não lamenta o tempo perdido em empreitadas que não deram certo. “Tudo, no fundo, foi um aprendizado. O importante agora é olhar para frente; quem fica olhando para trás e lamentando os escorregões do passado vai continuar escorregando”, filosofa o popular  empadeiro do bairro Glória. 

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