A tragédia que Joinville nos revela

Explosão populacional sem controle, falta de políticas sociais e de acolhimento de crianças e adolescentes, são questões graves, para as quais o Estado responde com mais ações policiais e mais cadeias

O que houve com Joinville, com 17 homicídios em 2016, um número aparentemente inexplicável para uma cidade tão charmosa e tão bonita, que durante muito tempo simbolizou cultura, trabalho e riqueza? Joinville, como Blumenau, padece dos males da explosão populacional, motivada de forma geral pelas migrações, com muita gente à procura de oportunidades melhores. As duas cidades foram modelos de qualidade de vida durante décadas, atraindo empreendedores e trabalhadores de todas as partes. Mas em algum momento, principalmente depois que o fenômeno da globalização econômica se acentuou, o velho capitalismo produtivo entrou em colapso, exigindo adaptações cruéis. A concorrência desleal de mercados predatórios, como o da China, reduziu a importância dos trabalhadores e das empresas locais. E isso, de modo bem empírico, não tem muito a ver com a crise atual, porque a verdadeira crise econômica vem de mais de 20 anos, quando as práticas neoliberais de desenvolvimento se impuseram. Em consequência, vemos jovens sem esperança, sem políticas públicas de acolhimento, largados à própria sorte, se transformando em protagonistas da tragédia joinvilense, que alcançou seu ápice esta semana, com a bárbara decapitação de um adolescente. As autoridades entendem que mais cadeias e mais policiais para o combate ao crime vão resolver a questão. O problema é mais complexo, passa por atendimento, atenção, inclusão – e mais escolas, mais qualidade da educação. Não há outra saída.

Conciliação nacional

Gostei e compartilho a mensagem do presidente do Conselho Federal da OAB, Claudio Lamachia, divulgada nas redes sociais: “Convocamos a advocacia brasileira a cerrar fileiras com a OAB Nacional para retomarmos a tradição brasileira de conciliação nacional, em benefício de nosso futuro comum. O nosso compromisso é reunificar o Brasil. Está na hora de reduzirmos o espaço do confronto e construirmos o ambiente para o encontro”.

Assunto grave

O pronunciamento da presidente Dilma sobre o risco do zika vírus, na quarta-feira à noite, foi recebido com panelaço em bairros de classe média. O que me fez lembrar a máxima de Nelson Rodrigues: “O brasileiro vaia até minuto de silêncio”. É incompreensível que um assunto tão grave quanto o vírus zika possa ser objeto de piadas e de manifestações de ódio político.

Gol do Brasil

“7 a 2 pra Alemanha agora, parabéns”. Do perfil de humor Joaquin Teixeira, comentando a decisão do Tribunal de Contas da União, de proibir a Lei Rouanet para projetos com fins lucrativos e autossustentáveis.

Autor da foto

A imagem que publiquei na quinta, 4, é do catarinense Fábio Almeida, de uma viagem de bicicleta que ele fez em 2012, passando por Alemanha, Áustria e Itália. “Postei a imagem no Facebook exatamente para mostrar a simplicidade de uma solução que pode dar segurança aos ciclistas da nossa SC-401. Eu sou um dos que pedala por lá, inclusive. Com receio, mas pedalo porque não podemos deixar de fazer o que gostamos pela ignorância dos motoristas e descaso do governo”, observou-me Fábio em mensagem por e-mail.

Só licitando

O Conselho Estadual de Cultura ainda não autorizou a concessão pura e simples do Teatro Álvaro de Carvalho para a iniciativa privada, porque a questão é muito complicada. Mas o governo poderia esquecer essa ideia, porque um equipamento cultural do porte e da importância do TAC merece continuar sendo vinculado ao Estado, como tem sido desde o século 19. E se dinheiro é o problema, que se utilizem os recursos arrecadados no estacionamento – que não são poucos!

Sem decoração

Circulando pelo Centro senti falta da decoração de Carnaval. Apenas os banners da Skol, patrocinadora de uma arena de shows de pagode e funk, estavam pregados nos postes. Alguém me explicou que não há decoração “por causa da contenção de despesas”. Mas a Skol poderia ter contribuído com alguma coisa mais interessante do que os banners comerciais. Saudade das peças alegres e comunicativas de Carlos Alberto Schneider, que marcaram época em Florianópolis!

Prefeitura…

Sobre nota publicada pela coluna, a Secretaria Municipal de Turismo “informa que durante os dias de ensaio técnico das escolas de samba, realizados no entorno da Praça 15, houve o apoio na segurança por parte da Polícia Militar e da Guarda Municipal de Florianópolis. Além disso, a Secretaria Executiva de Segurança Pública (SESP) garantiu o funcionamento do comércio de ambulantes credenciados”.

… esclarece

Finaliza a secretaria: “Também a Assistência Social deu suporte aos moradores em situação de rua. A administração pública vem atuando firme e articula constantemente, com os órgãos de segurança, medidas para garantir aos foliões um carnaval mais seguro, não só no Centro, mas nos eventos nos bairros e na Passarela Nego Quirido”.

Clube ND

O ND distribuiu em sua edição de quinta, 4, o Guia do Clube ND, com dicas importantes para quem assina o jornal e quer usufruir de inúmeros benefícios, como descontos em equipamentos turísticos, restaurantes, bares, estabelecimentos de ensino, serviços, entre outros. São direitos exclusivos dos assinantes, que, além da boa leitura de todos os dias, ainda podem obter vantagens dos parceiros do Clube ND em inúmeras atividades.

Divulgação Petra Mafalda/ND

Folia no mercado

O espaço de maior sucesso do centro da cidade, o Mercado Público, será um dos pontos de encontro dos blocos de sujos amanhã, dando largada à folia com música ao vivo no vão central, variedade gastronômica e bebida gelada! Na imagem, flagrante da semana passada, do Berbigão do Boca, quando o mercado também foi o ponto de convergência da folia.

Divulgação

Antonieta heroína

Articulação da deputada federal Angela Albino (PCdoB) fará com que a ilustre catarinense Antonieta de Barros (foto) seja homenageada em julho, durante o Fórum de Migração, na Universidade Zumbi dos Palmares, em São Paulo. A florianopolitana, de família humilde, que se notabilizou por ter sido a primeira deputada estadual negra do país e primeira deputada mulher de Santa Catarina receberá o título de heroína negra brasileira.

Loading...