“Acabou a brincadeira, nossas crianças não são cobaias”, diz Damares em evento na Alesc

Atualizado

A Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, participou da abertura do Seminário Regional de Promoção e Defesa da Cidadania, na manhã desta quinta-feira (29), em Florianópolis.

O encontro promovido pela Unale (União dos Legisladores e Legislativos Estaduais) tem como objetivo promover e ampliar o debate sobre a prevenção ao suicídio, a automutilação e a violência contra a mulher.

Ministra Damares Alves discursa na abertura do Seminário Regional de Promoção e Defesa da Cidadania, na Alesc, em Florianópolis – Solon Soares/Agência AL/ND

A ministra chegou à Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina por volta das 9h. Em entrevista coletiva no gabinete do deputado Kennedy Nunes (PSD), afirmou que a “ideologia de gênero é uma violência contra a criança” e que “a família brasileira não quer mais essa discussão”.

A questão veio à tona após Damares ser questionada sobre a retirada do termo “identidade de gênero” do Currículo Base da Educação Infantil e Fundamental do Estado, solicitado pelo governador de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva (PSL), nesta quarta-feira (28).

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A Ministra ressaltou que “esta política” foi uma promessa de campanha tanto do governador do Estado, quanto do presidente Jair Bolsonaro, e os eleitores esperam uma resposta. Para ela, não se trata de “diversidade sexual”.

“Ideologia de gênero é uma teoria, por isso que se chama ideologia. Não tem nenhuma comprovação científica e entrou nas escolas brasileiras. Os ideólogos precisavam de um grande país, com muitas escolas e crianças para serem laboratórios e cobaias. Mas estamos mandando um recado: acabou a brincadeira no Brasil, nossas crianças não são cobaias e nossas escolas não são laboratórios”, afirmou Damares.

Segundo a ministra, não há porque manter a discussão no Brasil quando outros países já “expulsaram essa ideologia”.

União de forças contra o feminicídio

Com relação à alta taxa de feminicídio no país, Damares comentou que o trabalho deve ser iniciado na escola, inserindo a questão na grade curricular e dialogando em sala de aula com crianças a partir dos quatro anos.

Embora alegue que os números da violência têm diminuído no Brasil, destaca que o foco precisa estar na proteção da mulher. Damares também reforçou a importância de denunciar a violência tanto física quanto psicológica.

Para a ministra, a união de forças entre os poderes é fundamental. “A violência contra a mulher, contra a criança e o suicídio não serão vencidos por um só poder. Não adianta eleger o ‘mito’ ou ter um congresso nacional extraordinário. E isso nós temos. Tem que existir uma união entre os poderes, não podemos trabalhar de forma isolada”, defendeu Damares.

Políticas públicas contra o suicídio

Sobre a afirmação que fez em entrevista, no início de agosto, de que o Brasil estaria vivendo uma “epidemia de suicídios”, Damares diz que se baseou em “especialistas” e que o tema necessita de atenção especial. Segundo ela, o suicídio já é a quarta causa de morte entre os jovens no Brasil e a segunda no mundo, mas a previsão é que as notificações “surpreendam” e apontem números ainda mais altos.

Ministra Damares Alves falou sobre a questão do suicídio – Eduardo Guedes de Oliveira/Agência AL/ND

A proposta de tornar a notificação de suicídio, tentativa de suicídio e automutilação obrigatória foi levantada pela ministra. A preocupação, segundo ela, é com relação à idade dos suicidas que tem diminuído.

“As crianças falam que estão em profundo sofrimento, com ‘dor na alma’. Temos que entender o que nós estamos fazendo para provocar tanto sofrimento nessa geração, que não sabe lidar com conflitos. Vamos rever práticas na escola, trazer a família e inclusive a imprensa para o debate. É uma luta de todos nós. Teremos que esquecer as diferenças ideológicas, políticas, partidárias e religiosas para salvar essas crianças”, disse Damares.

Segundo a ministra, o novo sistema nacional de notificação será obrigatório e compulsório nas escolas.

Promoção e defesa da cidadania

A ministra destacou a importância de discutir o suicídio, a automutilação e a violência contra a mulher com os parlamentares que, segundo ela, conhecem a necessidade e a realidade do seu Estado.

O diálogo com a Unale irá resultar em propostas que vão ser apresentadas ao governo federal ao final dos seminários realizados em cinco regiões do país. A ideia, por parte do governo, é estudar essas propostas e transformá-las em políticas públicas.

Deputado Kennedy Nunes (PSD), o presidente da Alesc, deputado Julio Garcia (PSD) e a ministra Damares Alves na manhã desta quinta-feira, em Florianópolis – Solon Soares/Agência AL/ND

Para o presidente da Unale, o deputado Kennedy Nunes (PSD), é “trágico” o fato de Santa Catarina estar quase no topo quando o assunto é suicídio e violência contra a mulher. A cartilha produzida pela Unale, segundo ele, mostra o que fazer e o que não fazer para ajudar pessoas nessa situação.

“É um assunto novo que está em pauta. Eu que estou envolvido nisso a todo instante, recebo pais e pessoas me pedindo ajuda. Nós estamos envolvidos com a sociedade para ajudar pais e lideranças a tratarem desses temas”, disse o deputado.

Para o presidente da Alesc, deputado Julio Garcia (PSD), a Unale vem cumprindo o seu papel de colocar em pauta temas tão relevantes atualmente. De acordo com o deputado, os números são “estarrecedores” e os debates farão com que, por meio dos parlamentos estaduais e do congresso nacional, se estabeleçam políticas públicas que possam reverter esse quadro.

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