Açaí da Amazônia apresenta adaptação às condições de Joinville

Fruta está com a maturação completa ainda no inverno, quando período normal seria de outubro a janeiro

O açaí, uma palmeira originária da região amazônica, está apresentando características de desenvolvimento diferenciadas na região de Joinville. É o que afirma o produtor rural Gervásio Burig, especialista no cultivo desta espécie de planta e proprietário do Recanto de Palmeiras. Segundo ele, exemplares da planta, que além da polpa do palmito também produz um fruto arroxeado consumido em todo o país, apresentou floração fora de época e já apresenta cachos com frutos maduros.

Fabrício Porto/ND

“O açaí gosta de clima quente tropical. Esta é a primeira vez que eu vejo essa maturação durante o inverno”, afirma Gervásio Burig

 “O açaí gosta de clima quente tropical. Esta é a primeira vez que eu vejo essa maturação durante o inverno, porque é sempre de outubro a janeiro”, afirma Gervásio.

Em Joinville, o produtor cultiva a 15 anos mais de 20 espécies de palmeiras para a extração do palmito e comércio de mudas. Há oito anos resolveu investir também no açaí para extração de polpa e para cruzamentos com a palmeira juçara, que é nativa da floresta atlântica.

Para a doutora em Botânica Karin Esemann de Quadros, o que está acontecendo com a espécie açaí, é que a planta está se aclimatando à região de Joinville. Segundo ela, que também é professora na Univille, existem fatores que podem ter influenciado este comportamento, desde a polinização diferenciada da que é feita no Norte do país, até a adaptação ao clima. “É uma espécie do Leste amazônico e só em ele estar fora desta região, já é esperado que o comportamento seja diferente. Não que esta maturação seja normal, mas à medida em que isso vai acontecendo ele vai se adaptando”, explica.

Fabrício Porto/ND

“Não que esta maturação seja normal, mas à medida em que isso vai acontecendo ele vai se adaptando”, explica a doutora em Botânica Karin Esemann de Quadros

Exploração da polpa

Em Joinville, há aproximadamente 85 produtores de palmito que cultivam uma área total de 200 hectares, que rendem 600 toneladas por ano de polpa. Em uma parceria entre a Epagri e a Fundação 25 de Julho foi criada uma URT (Unidade de Referência Técnica) onde são feitas pesquisas sobre o cultivo das palmeiras real, pupunha, imperial e juçara.

Por enquanto a exploração da fruta ainda é tímida em Santa Catarina. A maioria dos produtores, assim como Buring, por enquanto não investem na exploração do frutos do açaí como da juçara, que têm características assemelhadas. Mas ele não descarta que esta cultura também esteja na sua lista de produtos. “Com o tempo eu quero explorar, porque vai agregar valor também na produção de palmito. Porque o açaí é uma planta perene, que leva de três a quatro meses para se regenerar”, comenta.

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