Ação para minimizar estragos da ressaca no Sul da Ilha inclui contenção com muro de pedras

Após avançar ainda mais sobre o costão da SC-406, em Florianópolis, no fim de semana, a ressaca exigiu medidas extremas por parte do poder público nos últimos dias. Um dos locais que mais preocupa órgãos municipais e estaduais é a praia do Caldeirão, entre o Morro das Pedras e Armação, no Sul da Ilha, onde o mar estava a poucos metros de alcançar a rodovia, postes de energia corriam o risco de cair e a adutora da Casan, sob a rodovia, de romper.

Com o avanço da maré, postes do Morro das Pedras passaram a apresentar riscos - Marco Santiago/ND
Com o avanço da maré, postes do Morro das Pedras passaram a apresentar riscos – Marco Santiago/ND

Nesta manhã, o governador em exercício Eduardo Pinho Moreira (PMDB) determinou que o Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura) comece as obras para evitar o agravamento da situação no local. A determinação veio depois de uma reunião com o prefeito Gean Loureiro. Segundo Gean, a obra custaria R$ 400 mil e afastaria os riscos de rompimento da adutora.

O presidente do Deinfra, Wanderley Agostini, informou que o acompanhamento por parte do órgão vem sendo diário e que uma equipe técnica de planejamento e projetos foi ao Morro das Pedras para apurar quais trabalhos podem ser realizados para recuperar a área e evitar novos danos. Nesta noite, ele informou que o Deinfra preparava a dispensa da licitação para a contratação da empresa que fará os trabalhos, que incluem o deslocamento de pedras detonadas para o local, de forma que seja criado um muro que possa conter a erosão.

Ainda conforme Agostini, o contato com a Defesa Civil municipal e estadual a respeito da situação no Morro das Pedras é constante.

Novo cabeamento nos postes

A tarde de terça-feira deve ser de trânsito intenso na SC-406, na região do Morro das Pedras. A partir das 12h30, a Celesc começa os trabalhos de manutenção da rede elétrica no trecho prejudicado pela erosão, que comprometeu a estrutura de alguns postes. De acordo com o chefe da Divisão Técnica da Agência Regional Florianópolis da Celesc, Adriano Luz, seis postes foram retirados da margem da rodovia e terão o cabeamento transferido para quatro novos postes, instalados no lado oposto da pista. “Aumentamos o vão entre os postes, que antigamente era de 40 metros e agora passa a ser de 80 metros”, disse. O trabalho, autorizado pelo Deinfra em caráter emergencial, deve ser concluído até as 17h e resultar em bloqueios no trecho da rodovia em alguns momentos.

Uma rede alternativa foi instalada provisoriamente para abastecer o Sul da Ilha durante a renovação do cabeamento, que não deve prejudicar o fornecimento de energia na região. Conforme Adriano Luz, apenas o trecho em questão deve ter a energia elétrica desligada durante os trabalhos. No período, equipes de operadoras de telefonia, TV por assinatura e internet estarão no local, com o apoio da Defesa Civil municipal e da PMRv (Polícia Militar Rodoviária).

Monitoramento da Defesa Civil

A Defesa Civil de Florianópolis, até o início da noite desta segunda-feira, aguardava o laudo de vistoria do geólogo com as recomendações para a realização dos trabalhos no local, que devem ser repassados ao Deinfra. A expectativa, segundo o diretor da Defesa Civil do município, Luiz Eduardo Machado, é que o relatório seja repassado até esta terça. No entanto, o secretário destaca que nada impede que o Deinfra adote as medidas que achar necessárias. “As recomendações que pretendemos passar batem com aquilo que o Deinfra já deve fazer”, garante. Os prazos e circunstâncias da obra, explica Machado, cabem ao órgão estadual. “A nossa parte foi a questão do registro do problema e do monitoramento do agravo”, afirma.

A Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento), segundo o diretor da Defesa Civil da Capital, apresentou informalmente uma argumentação técnica na noite de sábado (30), que funciona como um plano contingencial caso ocorra o rompimento da adutora que passa por baixo da rodovia e abastece os bairros do Sul e do Leste da cidade. “Eles garantem que não vai haver interrupção do abastecimento de água”, explica Machado. A empresa também faz monitoramento do local e da adutura com tubulação de 400 milímetros, responsável pelo abastecimento de 150 mil pessoas.

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