‘Acham que é justiça, mas cometem crime maior’, diz delegado sobre linchamento em Palhoça

Atualizado

Deivid Duarte da Silva é mais um número para os relatórios da segurança pública que retratam a violência em Santa Catarina. O jovem de 20 anos foi espancado até a morte por ao menos três homens dentro de um posto de combustível em um bairro bastante movimentado na Grande Florianópolis, na tarde da última terça-feira (17).

Suspeito de participar de um assalto à mão armada e levar um carro usado no serviço de aplicativo de transporte, ele foi abordado enquanto abastecia um outro veículo no bairro Aririú, em Palhoça.

Jovem morto em posto de Combustível – Divulgação/ND

O suspeito, e agora vítima de homicídio qualificado, apanhou durante 40 minutos, entre socos e pontapés. Durante todo o tempo, a vítima também era questionada sobre a localização do carro roubado e acusado de fazer parte do crime na frente de várias pessoas que passavam pelo local. Algumas delas, inclusive, filmaram as imagens e divulgaram nas redes sociais. 

Para o delegado-adjunto de Palhoça e responsável pelo inquérito do caso, Arthur de Oliveira Lopes, os agressores legitimam a violência por conta do assalto quando, na verdade, deveriam solicitar a presença da polícia, que é a responsável por elucidar os crimes. 

“As pessoas tentam legitimar e isso não pode ser banalizado. Mesmo caso fique provado que ele era o autor, jamais poderia sofrer uma violência dessas. As pessoas acham que é justiça, mas cometem crime maior”, disse o delegado.

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Se de um lado havia agressores, por outro houve quem tentasse impedir que que a inquisição continuasse. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que um jovem passa pelo local e tenta intervir na ação. Ele é ameaçado pelos agressores e acaba deixando o local correndo.  

‘Acham que é justiça, mas cometem crime maior’, diz delegado sobre linchamento em Palhoça- Divulgação/ND

Após o espancamento, os três homens que agrediram Deivid foram detidos e aguardam a audiência de custódia, que deve ocorrer na tarde desta quarta-feira (18).

Segundo a polícia, um dos agressores é o proprietário do carro roubado na noite anterior. O trio foi preso e deve responder por homicídio qualificado – por não dar chance de defesa à vítima. 

Polícia suspeita que crime tenha sido premeditado

Para a Polícia Civil, o assassinato de Deivid pode ter sido premeditado. Conforme Michele Rabelo, delegada regional de Palhoça, as investigações apontam que o jovem foi seguido até o posto pelos agressores. A suspeita é de que os homens passaram a monitorar o jovem após o assalto.

“A gente suspeita que os homens sabiam onde ele morava e tinham obtido alguma informação sobre ele. Pode ter tido uma premeditação neste caso”, afirmou.

Segundo Rabelo, o jovem, que era morador da região, não possuía passagens pela polícia e trabalhava no posto de combustível em que foi morto, como lavador de carros.

No momento em que foi abordado, Deivid estava usando o automóvel que está registrado no nome da mãe. A investigação apura se esse veículo foi usado para dar apoio ao assalto que ocorreu na noite anterior ao assassinato. 

Nos próximos dias, outras testemunhas que viram a ação no posto devem ser ouvidas pela Polícia. O inquérito também irá usar as imagens que foram feitas no momento do crime para elucidar o caso.

O veículo roubado já foi recuperado e, junto com o automóvel da mãe da vítima, deve passar por perícia. 

Polícia