Acima da média nacional, SC deve fechar 2018 com consumo potencial de R$ 192,9 bilhões

Santa Catarina deve fechar 2018 com um consumo potencial de R$ 192,9 bilhões. A cifra está acima da média nacional e pode ser ainda maior no ano que vem, segundo aponta pesquisa do Instituto Locomotiva que será lançada no início de 2019 e deverá nortear a relação entre empresários e público consumidor. Reformar a casa é o desejo de dois entre cada cinco catarinenses. Abrir um negócio, mudar de casa e viajar de avião também estão entre os principais planos dos moradores do Estado.

O publicitário Renato Meirelles coordenou a Pesquisa Consumo Catarinense - Marco Santiago/ND
O publicitário Renato Meirelles coordenou a Pesquisa Consumo Catarinense – Marco Santiago/ND

A Pesquisa Consumo Catarinense foi coordenada pelo publicitário Renato Meirelles, considerado um dos maiores especialistas em consumo e opinião pública do país, e também detentor das principais informações e pesquisas do mercado. O trabalho, realizado ao longo dos últimos quatro meses, em todas as regiões, foi realizado por 60 grupos de pesquisa que se debruçaram sobre os mais diversos aspectos da vida catarinense. “Hoje, para entender as classes econômicas não basta apenas olhar para o bolso, é preciso entender a sociedade atual, as suas mudanças no perfil das pessoas”, explicou Meirelles.

Ele cita como exemplo que pessoas de gerações diferentes, que viveram momentos distintos da economia, estão no mesmo mercado de consumo e também terão comportamentos diferentes na hora de consumir. “Para se ter ideia, quatro em cada cinco pessoas se consideram classe média. Na classe A temos pessoas de famílias ricas e jovens empreendedores. E na classe C, por exemplo, temos pedreiros e professores. Isso é mais um indício de que não devemos olhar somente para o bolso”, disse o pesquisador.

Segundo Meirelles, a pesquisa revela que o catarinense está mais otimista que o resto do Brasil sobre as questões economia, tem uma renda média acima dos demais brasileiros e com um potencial de consumo igualmente maior. Se cada brasileiro tivesse a renda média dos catarinenses, segundo Meirelles, a economia brasileira receberia uma injeção de R$ 360 bilhões no mercado. O valor é superior à massa de renda de toda a região Norte do país.

Item móveis para casa lidera intenção de compra

A prévia da pesquisa do Instituto Locomotiva, apresentada na 11º edição do Prêmio Ímpar, revela que dois terços dos catarinenses pretendem adquirir um bem de alto valor nos próximos 12 meses, especialmente móveis para a casa. Pelo menos 41% dos entrevistados disseram que pretendem comprar mobília. Outros 29% afirmaram que investirão em imóveis e 28% em um novo veículo. A pesquisa foi estimulada e cada entrevistado poderia responder mais de uma pergunta.

Já sobre o consumo previsto para 2018, o maior gasto dos catarinenses foi com manutenção do lar (R$ 52,8 bilhões), seguido de alimentação em casa (R$ 19,5 bilhões), transporte (R$ 15,3 bilhões) e material de construção (R$ 10,2 bilhões).

O detalhamento do comportamento do catarinense no mercado por regiões deverá oferecer aos empresários um norte sobre quais produtos e serviços serão mais procurados. Para se ter ideia, segundo a pesquisa, em 2018 o catarinense gastará um total de R$ 3,6 bilhões em produtos de higiene, R$ 4,4 bilhões em eletrodomésticos e R$ 2,7 bilhões em calçados.

Marcas novas agradam 41% dos catarinenses

A preferência dos catarinenses por marcas locais foi destacada por três entre cada quatro entrevistados. Por outro lado, 41% dos catarinenses afirmaram que gostam de experimentar marcas novas. Moradores da Serra são os menos dispostos a experimentar produtos de marcas que não conhecem, enquanto seis em cada dez catarinenses preferem marcas com as quais se identificam.

A pesquisa ainda traça perfis de como os catarinenses compram pela internet, no comércio de rua ou de vendedores porta a porta. O estudo aponta onde estão os catarinenses mais endividados, e quais têm medo de se endividarem. E por fim, revela que 55% dos catarinenses estão satisfeitos com a renda pessoal.

A metodologia da pesquisa foge ao simples padrão de formulários. Segundo Renato Meirelles, apenas olhar para o bolso do público não é mais capaz de dizer como é a relação desse público com o mercado. Para isso, ele inclui dados quantitativos de outras bases de dados, como IBGE, e fatos futuros, como o envelhecimento da população e o crescimento do salário das mulheres, por exemplo.

Entrevista: Renato Meirelles

Como foi feita a pesquisa e que informações ela vai oferecer aos catarinenses?

Nós mapeamos todas as intenções de consumo, quantos catarinenses vão reformar a casa, quantos vão viajar, comprar celulares. Como é a relação desse consumidor com a informação. Tudo isso nas seis regiões. Os catarinenses movimentam em média R$ 182,8 bilhões por ano, 4,1% de todo dinheiro que circula no país. A pesquisa é um material que a RIC vai disponibilizar para os anunciantes desenvolverem suas estratégias de negócio. Vai dar subsídios para que as empresas possam pensar suas estratégias de marketing.

E que peculiaridades Santa Catarina têm?

Santa Catarina não é um Estado único, tem seis regiões com características bem definidas. Essa é uma questão muito forte. Quando comparamos com o restante do Brasil percebemos que o catarinense está mais otimista que outros Estados e que tem índices de intenção de consumo maior que a média nacional também. Ao mesmo tempo, os catarinenses tiveram um conjunto de atitudes durante a crise, como bicos, freelancers e trabalhos extras para ampliar a renda. Em Santa Catarina, 62% das pessoas tinham alguma atividade extra. No Brasil, foram 50%. Se o Brasil tivesse o padrão de Santa Catarina, a economia brasileira teria R$ 360 bilhões a mais de dinheiro na economia.

E quais são os setores que se destacarão em 2019?

O setor de turismo é altamente forte. E já antecipando o que teremos no ano que vem, o setor de construção e de eletroeletrônicos também é muito grande. Nós vamos apresentar a expectativa do consumo de 2019 e ele vai crescer. O catarinense vai superar a expectativa de consumo deste ano. Não posso adiantar aqui os números porque esse é o assunto que lançaremos em 2019. Essa será a surpresa da pesquisa.

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