Preços da carne e combustível “explodem” em SC e assustam consumidores

Atualizado

O aumento no preço da carne bovina e do combustível tem chamado a atenção de consumidores e lojistas de Santa Catarina. Açougues e postos de combustível têm sentido os impactos desse aumento e registraram baixas no movimento e procura pelos produtos.

De acordo com o gerente executivo do Sindicarne (Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados no Estado de Santa Catarina), Jorge Luiz de Lima, a explicação passa pelo aumento do consumo da carne bovina pelos chineses. Com isso, a carne que era vendida para o mercado interno agora está indo para a China.

O país asiático convive com uma epidemia de peste suína que forçou a população a substituir a carne de porco pela carne bovina. “Já que você tem a ocorrência da doença, acaba tendo que eliminar o rebanho lá (na China)”, explica Lima.

O Brasil como produtor e exportador de proteína animal passa a direcionar parte do que produz no mercado interno, para o mercado externo. Segundo Lima, essa demanda por proteína animal acarretou com uma melhora na economia brasileira.

“Os preços de mercado externo são mais atrativos do que o interno. Com a alta na demanda chinesa priorizaram as exportações, que são feitas em dólar”, afirma.

Alta na carne bovina afastou clientes – Foto: Divulgação/ND

Ainda segundo o especialista, nos últimos 60 dias, em preço de indústria, Santa Catarina teve um aumento entre 15% e 17% no preço da carne, isso por conta do aumento nos custos de produção. Nas gôndolas dos supermercados o aumento deve ser ainda maior, dependendo de estabelecimento e fornecedor.

Combustível também em alta

De acordo com o vice-presidente do Sindópolis (Sindicato do Comércio Varejista Combustíveis Minerais de Florianópolis), Joel Fernandes, Santa Catarina teve por muito tempo a gasolina mais barata do Brasil. Hoje, o Estado “perde” apenas para o Acre.

“Esse processo de ser mais barato não foi instituído pela Petrobrás nem os órgãos do governo que baixaram os impostos. Isso era uma espécie de competição entre os revendedores de Santa Catarina. Porém, isso levou a uma situação financeira difícil”, explica.

Combustível deve continuar com preços mais altos devido a uma série de fatores – Foto: Marco Santiago/ND

Atribuído a isso, houve o aumento da cotação do dólar, o aumento no preço do barril de petróleo e, por consequência, do anidro (componente da gasolina), elevando os preços. “Não tem como você comprar gasolina a R$ 4 e vender com 10% de margem bruta. Se fizer isso a categoria quebra”, afirma Fernandes.

Ainda segundo o vice-presidente, devido a estes fatores, o preço “normal” da gasolina deveria ser em torno de R$ 4,60 o litro, o que “deve acontecer nos próximos meses”, alerta.

No Brasil o preço médio da gasolina, segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), em setembro estava em R$ 4,326. Já em outubro passou para R$ 4,38, chegando a R$ 4,413 em novembro.

Florianópolis

A reportagem do ND entrou em contato com dois açougues da cidade. A resposta de ambos foi a mesma: houve diminuição do movimento após a alta nos preços. Em um deles os cortes mais consumidos eram a alcatra e o patinho. O primeiro teve um aumento de mais de 30% passando de R$ 36,98 para R$ 49,50.

No segundo açougue, os cortes que mais saíam eram o coxão mole, a alcatra e o patinho bovino. O primeiro passou de R$ 28 para R$ 34, o segundo de R$ 34 para R$ 45 e o terceiro de R$ 25,98 para R$ 31.

A reportagem entrou em contato com a Acat (Associação Catarinense de Supermercados), que por meio de assessoria afirmou não comentar sobre valores, pois o “segmento não é formador de preços”.

O combustível em Florianópolis antes da alta tinha o preço médio em R$ 3,90, passando para entre R$ 4,29 e R$ 4,39. “Hoje o consumidor está com uma gama de pesquisa muito grande, ele deve procurar os melhores preços”, aconselha vice-presidente do Sindópolis (Sindicato do Comércio Varejista Combustíveis Minerais de Florianópolis), Joel Fernandes.

Joinville

Em Joinville, Romeu Luis Zamboni, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios, Carnes Frescas e Derivados de Joinville ( Sindsupermercados), destacou que o preço de compra do boi inteiro passou de R$ 12 para R$ 19 o quilo, por isso acabou refletindo no preço de venda ao consumidor.

Os cortes mais “salgados” foram os de churrasco. “As carnes mais nobres encareceram ainda mais porque tiveram de absorver o custo dos cortes mais baratos”, acrescentou Romeu.

A reportagem ligou para dois supermercados da cidade e conferiu o preço do quilo do patinho: no primeiro, estava sendo vendido a R$ 31,99, mas na semana passada chegou a R$ 36,99. Antes deste aumento, era possível encontrar por R$ 29,00. Em outra rede de supermercado, o valor do patinho estava ainda mais caro: foi de R$ 23,50 para R$ 37,50, um reajuste de 59,57%.

Já em relação a gasolina, o Sindipetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Santa Catarina) informou que um dos responsáveis pelo aumento no preço foi a cobrança do ICMS pelo governo sobre o valor dos combustíveis.

Até o último sábado, o valor médio praticado em Joinville era de R$ 4,05 o litro. Porém, desde de domingo (1), o valor médio passou para R$ 4,16. Hoje (2), em muitos postos da cidade o valor chega a R$ 4,20, pegando de surpresa os motoristas.

Blumenau

Na última semana, os preços dispararam. O miolo da alcatra, por exemplo, subiu de R$ 24,90 para R$ 39,00 o quilo. O contrafilé foi de R$ 19,90 para R$ 35,00. E o quilo do filé mignon vale R$ 77,00. Uma alta impulsionada por um surto de peste suína africana na Ásia, que levou ao abate, mais de 6 milhões de animais em todo o continente.

A reportagem entrou em contato com o presidente do Sinpeb (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Blumenau), que apontou a alta do dólar e o aumento no preço do barril de petróleo para a alta nos preços, sem dar maiores informações sobre média de valores.

Chapecó

Em Chapecó, o Procon (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor) diz que tem fiscalizado o aumento de preços, especialmente nos postos de combustíveis.

“A gasolina está dentro do normal, o que ocorre de aumento é os reflexos de impostos”, disse o coordenador do Procon, Paulo Balancelli, que fiscaliza as notas de entrada e saída dos combustíveis nos estabelecimentos, visando identificar alteração.

Balancelli destaca que nos últimos dias não houve registros de insatisfação de consumidores com o aumento dos produtos no município.

Segundo a presidente do Sindipostos (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo), Daniela De Marco, na última semana houve aumento de 20 centavos na gasolina e no etanol, conforme havia sido anunciado pela Petrobras.

A reportagem não conseguiu contato com o Sindicato de Carnes da cidade.

* Colaboraram: Ian Sell, Willian Ricardo, Thomás Garcia e Raquel Schwarz

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