Acusado de matar índio xokleng em SC é julgado nesta terça-feira

Atualizado

Um homem acusado de matar um índio xokleng no município de Penha, em janeiro de 2018, está sendo julgado nesta terça-feira (25) em Balneário Piçarras. O crime aconteceu no dia 1º de janeiro, quando, de acordo com a denúncia do MP (Ministério Público), o acusado desferiu mais de 20 golpes de madeira em Marcondes Namblá, 38 anos.

Marcondes Nambla (o segundo da esquerda para direita) em apresentação na Ufsc – Arquivo/Divulgação/ND

Presidido pelo juiz Luiz Carlos Vailati Junior, titular da 2ª Vara da comarca de Balneário Piçarras, o julgamento começou às 9h.

Com base na acusação, o MP sustenta a tese de que o homicídio teria sido praticado por motivo fútil, uma vez que teria sido originado por causa de um desentendimento por causa do cachorro do réu. O MP também alega que a defesa da vítima foi dificultada, pois o agressor se aproveitou que a vítima estava caída no chão em razão das agressões anteriores.

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A defesa do acusado, por outro lado, alega inocência, afirmando que antes do crime houve um desentendimento entre o réu e a vítima, por causa do cachorro de estimação do acusado. Câmeras de segurança registraram o momento da agressão.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, a vítima recebeu os primeiros atendimentos quando já estava inconsciente, com ferimento profundo na cabeça e suspeita de traumatismo craniano. O índio xoklengfoi levado para o pronto atendimento de Penha e em seguida encaminhado para o Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, onde foi internado na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo).

Manifestação da tribo xoclengue em Penha em janeiro de 2018 – Foto: Jonas Augusto

Na época com 38 anos, o indígena passou por três cirurgias, mas não resistiu e morreu no dia seguinte ao crime. A vítima era do povo Laklãnõ-Xokleng, da Terra Indígena Laklãnõ, do município de José Boiteux. Era professor formado pela UFSC, pretendia em breve cursar mestrado e ensinava crianças de tribos indígenas.

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