Acusados de ‘golpe do chute’ são condenados a 147 anos de prisão, no Norte de SC

A 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina confirmou a condenação, por formação de quadrilha e extorsão mediante sequestro, de oito líderes de duas quadrilhas que praticavam o ‘golpe do chute’, em Joinville.

As oito pessoas, homens e mulheres, receberam diferentes penas, chegando a um total de 147 anos de prisão em regime fechado. A maior condenação foi aplicada a uma mulher, sentenciada a 39 anos. O companheiro dela vai cumprir 36 anos. O restante dos acusados teve, em média, penas de 12 anos cada.

O ‘golpe do chute’

O golpe do chute era aplicado através do monitoramento de empresários para a oferta de produtos com preços abaixo do mercado.

Uma das vítimas, de Recife (PE), por exemplo, recebeu a oferta para comprar 4,5 mil sacas de milho pelo valor de R$ 120 mil.

Quando chegou em Santa Catarina, os criminosos levaram o comprador para vistoriar a mercadoria.

No caminho, o veículo foi abordado por supostos policiais armados, sob o argumento de receptação de mercadoria roubada. A vítima foi levada para um cativeiro, em Araquari. De lá, familiares eram contactados para negociação sobre o pagamento de resgate do sequestro.

Quadrilha parecia empresa

Em 2003, a Polícia Civil realizou a Operação Cativeiro, quando foram identificadas 49 pessoas em duas quadrilhas. De acordo com o Ministério Público, o grupo era tão organizado quanto uma empresa.

Cada integrante tinha uma função dentro do esquema, como pesquisar, fazer contato e vigiar a vítima. Todos usavam nomes falsos e empresas fictícias.

O valor era dividido, 20% para os que operavam os saques bancários e 80% para o pessoal do “escritório” e a turma do cativeiro.

Todos os envolvidos recorreram para a anulação do processo, alegando falta de exame pericial no local do suposto cativeiro e nas armas apreendidas.

Porém, segundo o relator da ação, os detalhes pouco importavam já que “em crimes dessa natureza é comum que a vítima não tenha condições de precisar o local exato para onde foi levada”.

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