Alexandre Garcia estreia com artigos semanais no ND, no dia 13 de março

O jornalista Alexandre Garcia, 78 anos, vai estrear como articulista do jornal Notícias do Dia, na próxima quarta-feira (13), quando o jornal completa 13 anos. Ele escreverá sobre os fatos mais relevantes da semana, trazendo argumentos e análise sobre os acontecimentos no cenário mundial, nacional e estadual, que sejam de interesse da população.

Jornalista Alexandre Garcia é a mais nova atração do Notícias do Dia – Michel Siqueira/ND

Alexandre atua no jornalismo há mais de 50 anos, sendo 42 em Brasília. Foi correspondente internacional, subsecretário de imprensa da Presidência da República no governo Figueiredo, diretor da TV Manchete e diretor de jornalismo da TV Globo em Brasília, repórter especial da TV Globo por 31 anos, comentarista e apresentador, além de escrever para revistas mensais e dezenas de jornais. Faz comentários diários para mais de 280 emissoras de rádio e cobriu três guerras (Angola, Líbano e Malvinas). É autor de João Presidente e Nos Bastidores da Notícia, que vendeu mais de 60 mil exemplares.

Em entrevista exclusiva ao colunista do ND, Altair Magagnin, Alexandre Garcia conta um pouco de sua experiência acumulada na profissão, analisa os meios de comunicação e redes sociais e fala sobre sua recusa em ser porta-voz do presidente Jair Bolsonaro.

O que os leitores do ND podem esperar da sua participação no jornal?
Alexandre Garcia – Meu artigo semanal se baseia na minha experiência de 78 anos de vida e em mais de 50 anos de jornalismo. Faço uma observação do Brasil, do mundo, da política e dos costumes nacionais, escolhendo o grande tema da semana no qual eu possa me aprofundar e que seja do interesse da população e de Santa Catarina. Também escrevo para revistas, faço rádio e televisão, e agora estou atuando nas redes sociais.

O senhor tem projetos para esses novos meios?
Alexandre Garcia – Estou muito entusiasmado com o Youtube, no qual comecei há uma semana e já tenho mais de 150 mil inscritos. O Twitter é onde atuo mais, com quase 1,2 milhão de seguidores. Há um interesse grande dos mais jovens nas redes sociais, mas quero contribuir para aumentar o interesse dos leitores nos meios tradicionais com os fatos que pretendo trazer todas as semanas.

Qual é a importância dos meios mais tradicionais nos dias de hoje?
Alexandre Garcia – Os meios tradicionais têm mais espaço para a interpretação da notícia, para fazer previsões, projeções e análise da notícia que sai na hora nas redes sociais. Os jornais têm mais tempo para fazer essa interpretação e deixar o leitor mais bem informado e mais capacitado para julgar e tirar suas conclusões.

Nesse contexto de redes sociais, como o senhor vê esse movimento de todo mundo querer dar opinião?
Alexandre Garcia – Acho perigoso. A opinião não é aquela de mesa de bar, é opinião que vai ser lida por muita gente, que vai ficar impressa em uma plataforma que demanda credibilidade. Então, para dar opinião tem que haver previamente conhecimento de causa, pesquisa, estudo, formação e sobretudo experiência e sabedoria para dividi-la com os outros, que não são apenas os companheiros da mesa de bar.

Com as redes sociais e as fake news, como o senhor avalia a importância de distinguir entre a opinião do influenciador digital e do jornalista profissional?
Alexandre Garcia – Cabe a cada pessoa que acompanha as opiniões nas redes sociais ter seu próprio filtro intelectual e ético, para que a opinião possa fazê-la pensar e não apenas engolir tudo passivamente. Através das enciclopédias digitais, temos condições de conferir as opiniões. Rede social é um lugar onde todo mundo está conversando, dando sua opinião, mas o desafio é não ser passivo nessa história, não ser apenas um ouvinte que está recebendo tudo pronto.

O senhor imagina como será o futuro do jornalismo?
Alexandre Garcia – Quando apareceu a televisão, todo mundo achava que o jornal e o rádio iriam acabar e isso não aconteceu. Ninguém supunha também que surgiria a rede mundial de computadores. Fica difícil supor um novo passo agora. O que percebo é que cada pessoa é um agente dos meios de informação, então também compete a cada receptor adotar seus métodos de proteção para que não se torne um cordeirinho nas mãos de influenciadores. Espero que aqueles que me seguem, os que vão me ler no ND e me ouvem nas emissoras de rádio, não me considerem o dono da verdade, porque não sou. Procuro me ater aos fatos, que podem ter explicações e interpretações mas não podem ser alterados.

O senhor foi porta-voz do ex-presidente Figueiredo. Por que não aceitou o convite do atual presidente Jair Bolsonaro para a mesma função?
Alexandre Garcia – Porque não quero ser porta-voz de um governo, quero ser um porta-voz mais amplo, de todos aqueles que têm objetivos comuns, que é defender a liberdade, a democracia, o país, e entre o lado ruim e o lado bom ficar do lado bom, defender a ética, a lei, até a família brasileira. Eu ficaria confinado ao Palácio do Planalto, carimbado como chapa-branca e não quero isso. Não tenho sequer time de futebol, porque acho que jornalista não pode ficar filiado a algum tipo de preferência. Tem que estar filiado aos fatos.

A Folha de São Paulo o considera como um porta-voz da direita. Por que o senhor rejeita esse rótulo?
Alexandre Garcia – Porque eu não sou um porta-voz da direita, nem da esquerda. Eu não sei se são pessoas de direita que me seguem, eu sei que me seguem as pessoas que querem o bem do país, que pensam parecido em relação às leis. Eu sou contra a corrupção, a favor da lei, estou do lado da polícia e não do bandido, estou ao lado da família e não da corrupção de costumes que enfraquece o país. Quem pensa como eu vai me seguir e quem não pensa vai fazer parte dos chamados “haters” .

Como o senhor avalia esses primeiros meses do governo de Jair Bolsonaro?
Alexandre Garcia – Acho que agora que vai começar, porque tudo começa depois do carnaval aqui em Brasília ou no Brasil. Ele já encaminhou a reforma da Previdência e reforma de leis da segurança pública, já cumpriu algumas promessas em relação às armas e à burocracia. Acho que está andando bem, mas precisa mais dois anos para ter uma avaliação.

O senhor tem acompanhado a atuação do governo de Santa Catarina, onde o governador eleito Carlos Moisés, do partido de Jair Bolsonaro, foi eleito sendo quase um desconhecido?
Alexandre Garcia – Em primeiro lugar, o governador não era desconhecido pela população, porque ele foi eleito. Ele era desconhecido para as pesquisas de opinião, que aliás parece que desconhecem a realidade do eleitor brasileiro, porque foram um fiasco nas últimas eleições. Os governadores eleitos do Distrito Federal, de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro também eram desconhecidos, a Dilma ia ficar em primeiro lugar em votação no Senado e ficou em quarto. Acho que as pesquisas de opinião quebraram a cara, mas a população não, porque votou e elegeu os candidatos. Acho muito cedo para dar opinião a respeito da atuação do comandante Moisés.

Qual recado o senhor daria para o leitor do ND?
Alexandre Garcia – Estou feliz por estar aí com vocês no Notícias do Dia, porque é uma forma de estar mais perto dos catarinenses, que representam a população mais civilizada desse país.

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