Algo tão pequeno – não vale a pena alimentar o rancor

Melhor não deixar que picuinhas atrapalhem uma boa amizade

(Resumo: o comandante James T. Kirk derrotou Khan, mas a vitória é amarga, pois Spock está morto e seu corpo foi parar em Gênesis. Eis que chega Sarek, o pai de Spock, irritado com Kirk, pois não entende por qual razão ele mandou Spock para Gênesis, lhe negando um futuro. Kirk argumenta que não viu futuro algum, mas Sarek retruca dizendo que só o corpo de Spock estava morrendo e Kirk foi o último a vê-lo. Sarek acredita que Spock pediu para Kirk para ser mandado para o seu planeta natal, Vulcano. Sarek crê que Spock deu para Kirk o seu Katra, o seu espírito. Porém, examinando gravações da Enterprise, descobre que Spock uniu sua mente à do dr. McCoy. Sarek então diz que um está vivo e outro não, mas ambos sofrem. Para remediar esta situação, Kirk deve levar Spock e McCoy a Vulcano, pois somente lá ambos encontrarão a paz. Fica necessário agora achar o corpo de Spock, para que carne e alma sejam reunidos em Vulcano. Kirk tenta primeiramente recuperar o comando da Enterprise, considerada uma nave obsoleta. Sem sucesso, finge se conformar e toma a Enterprise, juntamente com a tripulação, pois o importante é concretizar a missão, sem se importar com as consequências.)

Esse é o resumo do filme “Jornada nas Estrelas – 3 – À Procura de Spock”, o terceiro longa baseado na série de ficção científica “Star Trek”. Ao longo da série e dos filmes, além das virtudes exigidas de uma equipe dedicada a manter a paz no Universo, destaca-se a amizade que une o comandante e seu imediato. Mesmo com sua cara de granito, raramente se permitindo um arquear de sobrancelha que sugere um sorriso, Spock nunca esconde a admiração que sente pelo superior. Considera-o um amigo, ainda que os vulcanos não demonstrem sentimentos.

Essa amizade extrapolava os sets de filmagem. William Shatner e Leonard Nimoy eram também amigos na vida real. Muito amigos. Shatner disse uma vez: “Honestamente, eu não tive um amigo verdadeiro até desenvolver meu relacionamento com ele. Nem sabia o que um amigo era”.

Eram amigos. E não foi a morte de Nimoy que encerrou a amizade. Em “Leonard”, relato da amizade entre os atores escrito por Shatner, o autor conta que não falou com Nimoy durante os cinco anos que antecederam sua morte. Os dois teriam brigado após Shatner filmar o colega sem autorização para um documentário.  “Achei que ele estava brincando. Era algo tão pequeno”, contou Shatner, imaginando que aquilo iria passar, que ele se desculparia ou que achariam um meio termo. Mas Nimoy morreu em fevereiro de 2015. Sem fazer as pazes com o amigo.

Algo tão pequeno, mas que deixou uma cicatriz tão profunda. O exemplo mostra que não vale a pena alimentar rancor por pouca coisa. Uma amizade vale muito mais que picuinhas, negócios, rivalidades amorosas ou esportivas. O verdadeiro amigo aceita as diferenças e sabe perdoar pequenos erros – que nem sempre são falhas, mas tão somente descuidos.

Você está remoendo algum ressentimento? Ou fez algo que abalou uma amizade? Não vacile: perdoe ou peça desculpas. Enquanto há tempo.