Algumas verdades e (uma) mentira sobre Florianópolis

A partir de um jogo estimulante, divulgado pelo Facebook, entramos na brincadeira listando afirmações verdadeiras – e uma falsa – sobre a cidade

Vista parcial da capital catarinense, a partir do Morro do Antão (ou da Cruz) - Carlos Damião
Vista parcial da capital catarinense, uma cidade de muitas memórias e mistérios – Carlos Damião

Uma brincadeira surgida no Facebook tem estimulado usuários da rede social a exercitarem a criatividade, o humor e a memória. Consiste em relacionar nove verdades e uma mentira, cabendo a quem lê identificar exatamente a que é falso. Algumas pessoas resistiram e fizeram questão de manifestar o repúdio, por rabugice, preconceito, soberba ou convicção estética. Mas o que importa é que a diversão se espalhou positivamente, o que é muito bom nestes tempos sombrios, quando a desesperança, soprada de Brasília, bate às portas de todos nós.

Matutando sobre o caso, resolvi fazer também uma lista de “Verdades e mentiras sobre Florianópolis”. São 10 afirmações, com direito a um bônus, com mais 2. Mas no conjunto (12) há apenas uma mentira (ou lenda) de verdade sobre a nossa linda cidade. 

1 – Floriano Vieira Peixoto (1839-1895), marechal do Exército que emprestou seu nome a Florianópolis, nunca pôs os pés na capital catarinense, nem antes, nem depois da homenagem prestada por seus seguidores locais. Ele deixou a presidência da República no fim de 1894, poucos dias depois que Hercílio Luz assinou o decreto de mudança do nome da cidade (decreto 111, de 1/10/1894). Talvez Hercílio tenha resolvido promover o tributo porque Floriano estava doente: morreu aos 56 anos, em sua fazenda. 

2 – O artista plástico Ernesto Meyer Filho (1919-1991) se declarava embaixador do planeta Marte no Brasil. Contava suas aventuras marcianas para divertir seus amigos e admiradores. O capítulo mais instigante dessa narrativa foi o relato que fez ao jornalista Manoel de Menezes, ao microfone da Rádio Jornal a Verdade. Ninguém gravou.

3 – O músico argentino Astor Piazzolla (1921-1992) visitou Florianópolis no início da década de 1990 e foi visto e fotografado degustando iguarias no célebre Box 32. 

4 – Pouca gente sabe, mas a cidade tem um slogan, escolhido por concurso na década de 1960: “Florianópolis, terra de sol e mar”. A frase estava escrita no viaduto John Kennedy, Estreito. Quem seguia em direção à BR-101 se acostumou a vê-la, bem destacada na mureta. Até que um gaiato foi lá e grafitou o complemento: “…, vento Sul e chuva”. A frase sumiu na névoa do tempo. 

5 – Outro slogan, esse dos mais pretensiosos, foi o que elegeu Florianópolis como “Capital turística do Mercosul”. Ainda está escrito em algumas placas, uma delas no limite com São José, em Barreiros. 

6 –Cláudio Alvim Barbosa (Zininho, 1929-1998) inscreveu sua música “Rancho do Amor à Ilha” por acaso no concurso para escolha do hino da cidade, em 1965, e quase perdeu o prazo. Além das belezas da cidade, o poeta inspirou-se em pesquisas escolares de história e geografia. 

Catedral Metropolitana esconderia um misterioso túnel de ligação até o Maciço do Morro da Cruz - Carlos Damião
Catedral refletida no ‘modernoso’ edifício-garagem da Arcipreste Paiva – Carlos Damião

7 – Existiu um túnel ligando a Catedral Metropolitana ao Maciço do Morro da Cruz. As explicações são as mais variadas, inclusive de natureza mundana. 

8 – Quem acusa a mídia atual de ser “política” certamente não sabe que isso já foi rigorosamente verdadeiro no passado. Em Florianópolis, O Estado era do PSD e A Gazeta era da UDN. Idem as rádios Guarujá (PSD) e Diário da Manhã (UDN). 

9 – O distrito mais antigo de Florianópolis é a Lagoa da Conceição. Sua anexação à vila de Nossa Senhora do Desterro data de 1750. 

10 – Muito antes das invasões dos turistas argentinos o tango foi um gênero muito cultuado em Florianópolis, tanto para audição, quanto para dança. A cidade tem até um tango (de 1951) em sua homenagem. Chama-se “Florianópolis, niña de oro y luz”. 

BÔNUS 

Fotograma de “O Preço da Ilusão”, obra cinematográfica de 1957, muito cultuada e poucas vezes assistida completa - Reprodução/ND
Fotograma de “O Preço da Ilusão”, obra cinematográfica de 1957, muito cultuada e poucas vezes assistida completa – Reprodução/ND

11 – O filme “O Preço da Ilusão”, primeiro longa-metragem catarinense, produzido pelo Grupo Sul há 60 anos, foi exibido nos cinemas da Capital durante alguns dias. Depois a obra desapareceu, restando apenas os 7 minutos finais. 

12 – Desterro pertenceu a Laguna até 23 de março de 1726. Nesta data, adquiriu o status de vila. Foi elevada à categoria de cidade em 1823, por decreto imperial de D. Pedro 1º. 

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