Alunos de escola de Florianópolis escolhem nome de inseto descoberto na Amazônia

A Escola Básica Municipal Adotiva Liberato Valentim, localizada no bairro Costeira do Pirajubaé, em Florianópolis, foi homenageada com o nome de um inseto, o “Aedokritus adotivae”, descoberto na Amazônia pelo professor Luiz Carlos Pinho, do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Nome do mosquito foi escolhido por alunos do terceiro ano do ensino fundamental - PMF/Divulgação/ND
Nome do mosquito foi escolhido por alunos do terceiro ano do ensino fundamental – PMF/Divulgação/ND

Tudo começou quando Luiz Carlos foi convidado pela escola para assessorar uma turma de terceiro ano do ensino fundamental sobre “Novas espécies de animais na Amazônia em 2013”. Anualmente, as classes da unidade de ensino trabalham um tema dentro do projeto global “Aprender a conhecer, pesquisa de corpo inteiro”, em que um especialista ajuda a criançada a responder as dúvidas.

Durante a visita, o professor da UFSC havia descoberto e estava descrevendo um novo inseto. Ele, então, decidiu presentear as crianças com a oportunidade de escolher um nome científico para ele. Obedecendo a todas as características necessárias, a turma chegou a três nomes: “Aedokritus adotivae”, “Aedokritus amazonicus” e “Aedokritus plumosus”.

No dia da Feira de Ciências da escola, a comunidade pôde votar e o selecionado foi o nome em homenagem à unidade de ensino.

O artigo do professor Luiz Carlos Pinho foi publicado na revista mundial Zootaxa no dia 23 de março, data de aniversário de Florianópolis. O periódico científico é semanal e foi criado em 2001. Mais de 26 mil novas espécies já foram descritas na revista.

Taxonomistas natos

De acordo com o professor, as crianças da Escola Adotiva Liberato Valentim são taxonomistas natos. “Ao mesmo tempo em que temos crianças fascinadas pela biodiversidade, temos os estudos sobre a biodiversidade majoritariamente sendo feitos pela e para a comunidade científica. É possível aproximarmos esses públicos”, afirma.

No artigo, ele escreve que popularizar a entomologia, estudo dos insetos, entre as crianças, pode não ser tão difícil, já que elas são naturalmente fascinadas pela natureza.

Turma da Escola Básica Municipal Adotiva Liberato Valentim recebeu o professor Luiz Carlos Pinho, do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC - PMF/Divulgação/ND
Turma da Escola Básica Municipal Adotiva Liberato Valentim recebeu o professor Luiz Carlos Pinho, do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC – PMF/Divulgação/ND

O inseto

O Aedokritus adotivae é bem menor que os outros de sua espécie. Ele não suga sangue e é parente próximo de insetos que são bem comuns nas cidades, formando grandes enxames ao entardecer.

Segundo o professor Pinho, não foi ele quem coletou o animal. “O inseto foi coletado em 1972 e estava no museu de zoologia de São Paulo desde então. Nenhum especialista no grupo havia tentado identificá-lo.”

Estudantes e professores como protagonistas

O trabalho com a metodologia de pesquisa nasceu na Adotiva Liberato Valentim em 2014, a partir de uma sugestão na reunião do Conselho Deliberativo Escolar.

Com o aprimoramento do trabalho, houve uma mudança de postura, declara a diretora da unidade, Karla Christine Hermans Lima. “Construiremos o caminho de cada turma juntos. Nenhum professor está sozinho, ele tem um parceiro da escola na coordenação dos trabalhos, o apoio da coordenação dos projetos e da direção da escola e um especialista, que buscamos nas universidades, entidades e setores da sociedade civil para dar o suporte necessário”, afirma.

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