Alunos de odontologia da UFSC protestam contra precariedade em clínicas do curso

Sem aulas teóricas há cinco dias e práticas desde o início do ano letivo, em 17 de março, os futuros dentistas vivem um momento de incerteza dentro do campus, com estrutura precária, esterilizadores não instalados, falta de luvas e alvará sanitário

Divulgação/ND

Equipamentos enferrujados revelam a precariedade das clínicas do curso de odontologia

Alunos do curso de odontologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) passam por uma situação que não condiz com a tradição da universidade e muito menos com a importância da profissão. Sem aulas teóricas há cinco dias e práticas desde o início do ano letivo, em 17 de março, os futuros dentistas vivem um momento de incerteza dentro do campus, com estrutura precária, esterilizadores não instalados, ausência de luvas, algodão e até do essencial alvará sanitário. A UFSC reconhece os problemas e garante que está em busca de melhorias.

Abertas ao público e essenciais à formação dos mais de 500 alunos de odontologia, as clínicas precisam de melhorias urgentes, pois há dez anos têm problemas de infraestrutura, de acordo com relatos dos próprios estudantes e documentos encaminhados à reitoria. Na sexta-feira, alunos se reuniram com um grupo de pró-reitores da UFSC para tratar de alguns pontos de reivindicações. Depois da reunião, eles fizeram uma manifestação na rótula da rua Lauro Linhares pedindo melhorias no curso.

 “São demandas legítimas, que já estavam sendo encaminhadas. É uma situação histórica, de mais de dez anos. Em curto prazo, encaminharemos a compra emergencial de materiais de consumo e temos em tramitação o processo de compra de materiais odontológicos para os alunos em situação de vulnerabilidade econômica”, diz o pró-reitor de Graduação Julian Borba. “Não temos alvará sanitário desde 2004, sem falar que prestamos um serviço de utilidade pública, ajudando a desafogar hospitais e postos de saúde, já que atendemos muitas pessoas carentes”, afirma Ligia Miranda, 23 anos, aluna da 10ª fase, que se tornará uma dentista profissional em julho. “Se as aulas voltarem ao normal”, reforça.

Ligia explica que o trabalho dos futuros dentistas é importante para a comunidade, uma vez que são realizados cerca de 4.000 atendimentos ao mês na UFSC. “O problema não é só não ter alvará e faltarem equipamentos, mas o pior são os focos infecciosos dentro da clínica”, reclama a estudante.

Serviços como prótese, restauração, extração e tratamento de canal são oferecidos gratuitamente. “Nosso trabalho é bom para a gente, que vai se formar e aprender, mas principalmente para os pacientes que não têm condições de procurar um dentista lá fora”, diz.

Reivindicações

Os futuros dentistas que se formarão na UFSC apresentaram três medidas emergenciais para os pró-reitores: organização de um setor provisório de esterilização, a alocação de no mínimo dez funcionários capacitados para setores como laboratório de procedimentos, e a compra emergencial dos materiais de consumo, com luvas e algodão.

Destes pedidos, conta o estudante Lucas Medeiros, 25 anos, o primeiro e o terceiro já foram providenciados pela universidade. Em relação aos dez funcionários, Medeiros entende que a UFSC tenha dificuldade, afinal muitos dos servidores estão em greve.

No entanto, uma nova reunião entre alunos e pró-reitores deve ser marcada para a próxima semana. Até lá, serão retomadas as aulas teóricas, que também foram paralisadas por conta do movimento. “Vamos esperar a visita da Vigilância Sanitária para decidir que dia marcaremos a reunião com os pró-reitores”, diz.

O Notícias do Dia entrou em contato com a Vigilância Sanitária de Florianópolis, mas a assessora de imprensa informou que o profissional que poderia falar sobre o assunto não estava. O telefone celular estava desligado. A assessoria informou ainda que na segunda-feira a Vigilância vai se pronunciar sobre o caso da UFSC.

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