Alunos e professores reclamam de falta de apoio em Brumadinho

Atualizado

Sete meses depois do rompimento da barragem de Brumadinho, a falta de apoio psicológico ainda é marca que incomoda e faz parte da rotina de professores e estudantes da Escola Estadual Paulina Aluotto Ferreira. A instituição de ensino recebeu nesta sexta-feira (23) visita da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia de Minas.

Alunos e professores necessitam de ajuda psicológica para superar perda de parentes e conhecidos  – Divulgação/ ALMG/Clarissa Barçante/Portal R7/ND

Cinco alunos perderam o pai na tragédia mas, via de regra, todo mundo ali tem um parente, um vizinho ou um conhecido na lista das 270 vítimas. A escola é uma das três que integram a rede pública estadual no município, possui 600 alunos de ensino médio e 50 professores.

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Apesar de terem recebido apoio psicológico inicial após o rompimento, para lidar com a situação, segundo destacado por gestores presentes, professores como Gabriela Borges, que dá aulas de informática na unidade, ainda se ressentem de um apoio mais permanente.

– Às vezes me sinto despreparada e desamparada

Gabriela contou que foi procurada pela mãe de uma aluna que perdeu o pai na tragédia, manifestou ela, citando o exemplo de quando chegou a ser procurada pela mãe de uma aluna que perdeu o pai na tragédia.

Escola recebeu visita da Comissão da Assembleia Legislativa – Divulgação/ ALMG/Clarissa Barçante/Portal R7/ND

Em casos esse, os docentes relataram que a família procura saber sobre o comportamento de seus filhos e possíveis sinais que possam indicar atitudes mais graves, como automutilação ou mesmo risco de suicídio.

Se os professores, muitas vezes, não sabem como reagir ao ter que lidar com os dramas de alunos que estão impactados com as consequências do rompimento da barragem, os estudantes também se ressentem da falta de um espaço de acolhimento.

Maria Eduarda Barbosa, de 16 anos, que está no 2º ano do Ensino Médio, diz que seria preciso um contato maior entre professores e alunos para que os educadores conhecessem a rotina deles, além de um maior cuidado com o volume de matérias passadas durante o ano letivo.

– Perdi três tios. Tudo isso afetou minha família de uma forma difícil. Chego em casa e encontro minha mãe chorando, e ainda falando coisas delicadas de escutar. Para onde vamos?

A aluna sugeriu que o ensino integral, ainda em fase de implementação na escola, seja de livre opção para aqueles alunos que queiram passar mais tempo na escola, reivindicação feita pela maioria dos estudantes que falaram à comissão.

Apoio inicial

A superintendente Regional de Ensino (SRE) Metropolitana da Secretaria de Estado de Educação, Rosa Maria da Silva Reis, que também participou da reunião da comissão, disse que as três escolas contaram com apoio inicial de um psicólogo que ia a cada uma das unidades de ensino uma vez por semana, durante um mês.

O objetivo era auxiliar dirigentes e professores a diagnostivar situações de risco e que demandassem um acompanhamento ou tratamento mais próximo.

Outro lado

Em contato com a reportagem, a Vale informou que está “dedicada a reparar de forma célere os danos em Brumadinho e outros municípios atingidos ao longo do rio Paraopeba, com ações que incluem indenizações, doações, assistência médica e psicológica, compra de medicamentos e segurança das estruturas, entre outras iniciativas”.

A mineradora destacou o acordo firmado com a Prefeitura de Brumadinho em 29 de julho para repassar cerca de R$ 31 milhões para as áreas de saúde e desenvolvimento social na cidade.

“O documento é um aditivo ao Termo de Pactuação firmado entre a Vale e a prefeitura em 18 de fevereiro. Neste período, foram repassados R$ 2,6 milhões, utilizados na contratação de 126 profissionais de saúde, aquisição de mais de mil medicamentos e custos de 7.061 acolhimentos de pacientes. Além do repasse, foram alugadas também quatro ambulâncias com motorista socorrista”, afirma a empresa, em nota. .

Ainda de acordo com a Vale, o atendimento psicossocial para a comunidade atingida pelo rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, “segue o planejamento desenvolvido pelo Comitê de Operações de Emergência em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde. A Vale disponibiliza profissionais capacitados em todos os Pontos de Atendimento (PAs) e colabora com o município com o que for necessário.”

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