Antes das eleições: ao menos sete vereadores de Florianópolis podem trocar de partido

As trocas são permitidas até o dia 19 de março

Publicada no último dia 19 de fevereiro no Diário Oficial da União, a Emenda Constitucional 91 deixará aberta pelos próximos 30 dias a chamada “janela partidária”, permitindo que políticos detentores de mandatos proporcionais (vereadores e deputados) possam mudar de legenda sem a perda do mandato. Em Florianópolis, a medida deve promover uma verdadeira dança das cadeiras na corrida eleitoral para as eleições de outubro. Pelo menos sete vereadores poderão mudar de partido e concorrer em outubro por novas siglas. As trocas são permitidas até o próximo 19 de março.

Marco Santiago/Arquivo/ND

Deglaber Goulart (PMDB), Aldérico Furlan (PSC), Tiago Silva (PDT), Marcelo da Intendência (PDT), Cesar Faria (PSD), Guilherme Pereira (PSD) e Roberto Katumi Oda (PSB) já tiveram conversas sobre a troca de legenda, mas nem todos admitem a saída. Os partidos também não confirmam a troca e a maioria dos presidentes dos diretórios municipais se diz contra a nova regra da legislação eleitoral.

As mudanças têm ligação direta com a corrida na majoritária para Prefeitura de Florianópolis, que ainda segue com cenário indefinido. Katumi, do PSB, e Deglaber, do PMDB, poderiam trocar de legenda, possivelmente para o PSD, partido do prefeito Cesar Souza Júnior, para continuar na base do governo. Já Guilherme Pereira pode deixar o PSD para integrar os quadros do PR. Tiago Silva, do PDT, também dá como certa a saída do partido, mas não confirma para qual sigla.

“O próprio PMDB ainda não bateu o martelo se vai ter candidatura própria ou não. Já tive conversas com alguns partidos, mas sem uma definição da composição da majoritária ainda não cheguei a uma decisão”, afirmou Deglaber Goulart. Guilherme Pereira confirmou que pode deixar o PSD, mas não confirmou se a ida seria para o PR mesmo.

Katumi Oda não confirma saída e diz que continua no partido. “Continuo no PSB. As conversas são naturais, mas neste momento não existe nenhum movimento para eu trocar de partido”, afirmou.

Partidos tentam manter representantes

Os presidentes dos partidos não batem o martelo sobre qualquer mudança e tentam manter os quadros. “A relação do Deglaber com os eleitores dele também é uma relação com o PMDB. Ele tem uma preferência pelo Dário [Berger] e o Dário vai estar com o partido na campanha”, declarou Gean Loureiro, que é pré-candidato pelo partido à Prefeitura de Florianópolis.

Ronaldo Freire, presidente do PSB, disse entender a aproximação de Katumi da atual administração, e anunciou que o partido tem planos de candidatura própria para a majoritária, o que naturalmente distancia o vereador do PSD. “Conversei com Katumi, entendemos que o partido fez parte da chapa que hoje está na Prefeitura, mas o partido ficou um pouco distante e os vereadores próximos do prefeito. Nossa intenção é ficar com nossos vereadores no partido”, disse.

Já o presidente municipal do PSD, Pedro Bittencourt Neto, confirmou as conversas com Deglaber e diz que o partido receberá o vereador eleito pelo PMDB, caso a mudança seja efetivada. “Será muito bem vindo, não temos nenhum impedimento quanto a isso”, declarou Neto. Sobre Cesar Faria e Marco Aurélio Badeko, ambos do PSD, que poderiam trocar de sigla pelo envolvimento nas investigações da Ave de Rapina, o presidente minimizou. “A situação dos dois é a mesma, foram eleitos legitimamente e vão continuar no partido se quiserem.” Questionado se poderia trocar de legenda, Cesar Faria foi direto. “Estou no PSD e fico no PSD”.

PDT, PSC, DEM e Psol podem ter mudanças

Questionado sobre uma possível saída de Tiago Silva da legenda, o presidente do PDT, Luiz Viegas, ponderou. “ Os caminhos para ele no partido estão abertos. Hoje, em Florianópolis, temos a maior bancada ao lado do PMDB e podemos indicar o vice para a Prefeitura em outubro”, disse.

O vereador Aldérico Furlan (PSC) diz que ainda precisa se reunir com a liderança do partido, e que não tem nada definido. Uma das opções levantadas é de que se filiaria ao DEM, mas o vereador não confirmou. “Acho que teremos uma resposta final mais próximo do fechamento da janela”, disse. Ele não descartou que o DEM esteja entre as possibilidades, mas disse que se decidir fazer a troca poderia também concorrer por outra legenda. “O partido também não está definido.” A mesma posição tem o vereador Marcelo da Intendência (PDT). “Por enquanto continuo no PDT, até este momento não existe conversação para trocar de partido”, afirmou.

Renato Geske, que chegou a ocupar uma cadeira na Câmara como suplente pelo PSD durante ausência de Badeko, já se filiou ao Psol. O mesmo pode acontecer como Beatriz Kauduinski, que também chegou a assumir como suplente pelo PCdoB.

Troca-troca

Disputa eleitoral deve motivar saídas

Deglaber Goulart (PMDB) –  Deve deixar a sigla pelo PSD

Aldérico Furlan (PSC) –  Não descarta a ida para o DEM

Tiago Silva (PDT) – Deve deixar o PDT  

Marcelo da Intendência (PDT) – Alega que, por enquanto, não deixará a sigla

Cesar Faria (PSD) –  Alvo de investigação, nega saída do partido

 Guilherme Pereira (PSD)  – Admite possível saída. Pode ir ao PR

Roberto Katumi Oda (PSB) – Admite conversas, mas nega troca 

Capital já tem seis pré-candidatos

O PSD da Capital busca renovar a aliança que sagrou a vitória de Cesar Souza Júnior e João Amin (PP) em 2012. Mas a dobradinha ainda não está definida, já que o Partido Progressista também tem intenção de lançar candidato próprio, e anuncia que a ex-prefeita Angela Amin poderá concorrer ao pleito. “Manifestamos ao PP nossa intenção de continuar com eles na majoritária, até porque eles fazem parte do atual governo, ocupam espaços importantes, a nossa preferência é de que a coligação continue”, afirmou o presidente do PSD Pedro Bittencourt Neto. PMDB, PSDB, PSB e Psol também anunciam candidaturas próprias.

Ex-vice-prefeito, o deputado João Amin, não esconde o desejo do partido em ter candidatura própria em outubro, o que poderia provocar um distanciamento natural do PSD, que já trabalha para a reeleição de Cesar Souza Júnior.

João Amin cita a mãe, Angela Amin, o próprio nome, e dos vereadores Pedrão e Dalmo Meneses como possíveis candidatos à cabeça de chapa.  “Nosso objetivo número um é ter candidatura própria”, afirmou.

Gean Loureiro, pré-candidato pelo PMDB, não descarta uma aliança com o PDT na corrida pela Prefeitura. No entanto, o rumo do partido será decidido em convenção municipal. Uma das alas do partido ainda aposta numa aliança com o PSD e a indicação do vice. “Somos um partido que pensa a cidade de uma forma diferente, não concordamos com a atual política de impostos, por exemplo, por isso vamos lançar nossa candidatura própria”, afirmou. “Em nível estadual existe uma forte aproximação com o PSDB, e isso pode se refletir também no nível municipal”, emendou Gean.

A costura por alianças

Luiz Viega, presidente do PDT, confirma a possibilidade do partido fechar com o PMDB indicando o vice. “Temos 46 pré-candidatos e temos grande possibilidade de nos aliarmos ao PMDB. Temos uma boa conversação com o deputado Gean Loureiro  e são grandes as chances de indicarmos o vice. Entre os nomes temos o vereador Lela [Vanderlei Farias], o próprio Tiago Silva e o professor Felipe, que já manifestou interesse. Mas o processo ainda está muito precoce”, disse.

Quem também promete candidatura própria é o PSDB, que pode lançar os nomes do deputado Marcos Vieira ou do atual presidente do partido, João Batista Nunes. “Nesse primeiro momento estamos focados em manter a unidade dentro do partido. Estamos cuidando para não perder nenhuma liderança”, despistou João Batista.

O PSB anunciou como pré-candidatos  Gualtiero Piccoli e Renan Dal Zotto. “Temos uma proposta diferente para o qual a cidade está caminhando, não concordamos com algumas coisas. Mas estamos conversando com vários partidos”, disse Ronaldo Freire. Já o Psol deverá indicar o professor Elson Pereira.

Janela eleitoral desagrada siglas

Deputado João Amin, presidente municipal do PP: “Eu acho essa proposta muito ruim, pois na verdade provoca um enfraquecimento da instituição partido político. A fidelidade partidária é fundamental para nossa democracia e essa possibilidade de troca de partidos não faz bem. Mas o PP já esperava e isso não muda nosso planejamento. Mesmo assim uns cinco vereadores já me procuraram para conversar sobre mudanças de partido, todos deixaram as portas abertas, mas nada ficou decidido”, declarou.

Luiz Viegas, presidente municipal do PDT: “Partidariamente, pessoalmente, sou pelas regras como estavam, pela fidelidade partidária. E essa norma faz justamente o contrário. Eu vejo que a política brasileira precisa amadurecer e isso só acontece com partidos sólidos. No nosso partido não recebemos nenhum pedido vindo de algum atual parlamentar.”

João Batista Nunes, presidente do PSDB: “Além da janela eleitoral, ainda temos outro prazo que a nova lei deu que é a filiação partidária até seis meses antes da eleição. Então, os partidos ainda estão recebendo essas filiações. Eu, particularmente, acho que se nosso país tivesse menos partidos fazia mais sentido não ter essa janela partidária, por uma questão ideológica, mas hoje os partidos não mantém mais essas questões de ideologia.”

Gean Loureiro, presidente municipal do PMDB: “Uma vergonha. É quebra de fidelidade partidária explícita. Por uma decisão unilateral candidatos saem de uma linha ideológica para outra completamente diferente sem nenhum compromisso com o voto que recebeu”, declarou.

Pedro Bittencourt Neto, Presidente do PSD: “Esta foi uma inovação na legislação eleitoral, que a meu ver, é desnecessária. Mas é obviamente, que agora em vigor, vamos cumprir. Não temos nenhuma ação voltada para diretamente para isso, de procurar candidatos de outros partidos, o que temos é uma aliança no parlamento em virtude de que estamos com o governo municipal e essa aliança é formada por diversos partidos.”

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