Ao menos 22 municípios de SC recebem água com resquícios de agrotóxico, afirma MP

Atualizado

O Brasil consome 20% dos agrotóxicos comercializados no mundo – e esse consumo só vem aumentando nos últimos anos. De 2007 a 2014, 25 mil pessoas foram intoxicadas por agrotóxicos no país, e mais de mil morreram, sem considerar a subnotificação. As informações são do MPSC.

Esses e outros dados foram apresentados no primeiro dia do “Seminário sobre Agrotóxicos nos Alimentos, na Água e na Saúde”, evento promovido pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), que começou nesta segunda e segue nesta terça-feira, em Florianópolis.

Segundo estudo conduzido pela doutora em geografia Larissa Mies Mombardi, cerca de 3125 pessoas são intoxicadas por agrotóxicos todos os anos e Santa Catarina está entre os estados com a maior taxa de intoxicação por habitante. “Cerca de um quinto da população intoxicada são crianças e adolescentes”, alertou.

A engenheira química Sonia Corina Hess destacou os resultados do laudo que analisou as amostrar obtidas no levantamento do MP sobre a presença de agrotóxicos na água de abastecimento público dos municípios de SC.

O monitoramento, feito com recursos do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL), identificou que 22 municípios recebem água com resquícios de agrotóxico, sendo que sete das 17 substâncias identificadas na água são proibidas na União Europeia.

“E essa foi apenas uma coleta, em dia e horário específico. Caso fosse  monitorado o ano inteiro, certamente haveria presença de mais agrotóxicos e em mais  municípios, provavelmente até em todos”, comentou a especialista.

A doutora destacou, ainda, que existem mais de 500  agrotóxicos de uso autorizado no Brasil, e que essa pesquisa envolveu 204, enquanto as realizadas pelas  operadoras do sistema de água envolvem somente 27, conforme o parâmetro indicado pelo Ministério da Saúde.

Governo promete reduzir desconformidade

O Secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, Ricardo de Gouveia, e o Secretário Adjunto de Estado da Agricultura e da Pesca, Ricardo Miotto, anunciaram no seminário a decisão do governo de reduzir a desconformidade de alimentos com resíduos de agrotóxicos.

Para isso, devem aumentar a integração multidisciplinar e setorial para discutir e propor ações correlatas ao tema; ampliar o uso da tecnologia na gestão da informação visando otimizar o controle externo de qualidade;  otimizar os recursos humanos disponíveis para intensificar programas de educação e capacitação e promover ações voltadas a melhoria da qualidade do alimento e da saúde pública catarinense.

Além disso, pretende fortalecer os sistemas e tecnologias de produção segura, com apoio forte da fiscalização da CIDASC e orientação da EPAGRI com o plantio direto de hortaliças, além de atuar no incentivo às pequenas propriedades e na agricultura familiar.

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