Apae de Florianópolis se prepara para a 30ª Feira da Esperança

A Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Florianópolis está se preparando para a 30ª edição da Feira da Esperança, que acontecerá de 11 a 14 de julho na sede da instituição, no bairro Itacorubi.

Feira da Esperança ajuda a manter Apae em funcionamento. A instituição atende mais de 600 alunos em Florianópolis – Anderson Coelho/ND

Durante o evento serão comercializadas mercadorias apreendidas pela Receita Federal, com preço bastante atrativo. Os itens incluem perfumes, roupas, eletrônicos, artigos de pesca e de higiene pessoal e outros.

Entre as novidades deste ano, estão a realização de uma feijoada para mil pessoas e a praça de alimentação que contará com carreteiro, macarronada, entrevero, pizza, pastéis, tenda árabe, tainha frita e cervejas artesanais da grande Florianópolis, além do Café Esperança, realizado pela mães dos alunos.

Os pratos estão sendo preparados por várias entidades voluntárias como Marinha, Aeronáutica, Acif Jovem, Corpo de Bombeiros,Câmara de Vereadores e outros parceiros. Também haverá atrações culturais, artísticas e de lazer e exposição e venda dos trabalhos manuais feitos pelos alunos.

Após dois anos sem ocorrer, o evento volta ao calendário filantrópico da Capital e permite angariar recursos que ajudam na manutenção da estrutura da Apae. A expectativa é que sejam arrecadados R$ 500 mil, o que equivale a quantia gasta em um mês pela entidade.

O restante é custeado pelo Estado e município. “Nosso orçamento anual é de R$ 7,4 milhões e a feira nos ajuda a manter a estrutura em funcionamento”, diz o presidente da Apae, Ricardo de Souza Mendonça.

Serviço de excelência

Com 610 alunos – dos quais cerca de 20% são autistas – e 156 funcionários contratados no regime celetista, a entidade oferece serviço gratuito às pessoas com deficiência. Ali, os estudantes recebem alimentação, transporte e atendimentos de saúde, educação e assistência social. “Temos alunos a partir de dois meses de idade até pessoas com mais de 80 anos”, afirma Mendonça.

Segundo o presidente, em dois anos, o número de crianças autistas atendidas saltou de 20 para 80. Divididas em duas turmas de Estimulação Precoce (dos dois meses aos dois anos de idade e acima de dois anos até quatro), os pequenos realizam atividades orientadas que permitem melhorar o convívio social e sua autonomia em diversos aspectos da vida. E cada avanço é comemorado pelos pais.

Deyvid João Machado e Paula Cristina de Abreu comemoram avanços do pequeno Davi, após conseguir vaga na Apae – Anderson Coelho/ND

Para o casal Paula Cristina de Abreu e Deyvid João Machado, dispor do atendimento da Apae para o pequeno Davi, de três anos e oito meses, fez toda a diferença. “O tratamento começou aos cinco meses de idade, com fisioterapia no Hospital Infantil, mas o diagnóstico de autismo só veio no ano passado, com os profissionais da Fundação Catarinense de Educação Especial”, diz a mãe.

Após um ano e meio de espera, finalmente eles conseguiram vaga na Apae. “O Davi ainda não fala, mas já melhorou muito, inclusive consegue realizar algumas atividades junto com outras crianças na creche”, comemora Paula.

Inserção no mercado de trabalho

No caso de jovens e adultos, a Apae também oferece apoio para inclusão no mercado de trabalho. Já foram mais de cem alunos encaminhados para vagas de ensino médio em empresas de diversos segmentos, como lojas de confecções, farmácias e comércio em geral.

“A inserção no mercado de trabalho tem muitos benefícios. A pessoa se modifica, se torna capaz e confiante, melhora a renda familiar e deixa de depender da família e da Apae”, diz o coordenador pedagógico Rafael Bischoff de Santana.

Isabela Cristina Bez Goulart, 33 anos, trabalha coordenação e concentração nos teares – Anderson Coelho/ND

Os estudantes adultos também realizam trabalhos manuais. A turma da professora Sinara Lacerda já aprendeu a usar diferentes teares. “Eles fazem capas de almofadas e tapetes, o que melhora a coordenação motora e a concentração. Parte da produção vai estar à venda durante a feira”, diz a professora.

Não é por acaso que esse serviço de excelência virou referência no Brasil e atrai pais e familiares de pessoas com deficiência de todo o país. Atualmente, cerca de 150 pessoas aguardam por uma vaga. “Nosso desafio é manter a feira e o nosso é ampliar o espaço físico, dos atuais 4.300 metros quadrados para 10 mil metros quadrados, o que nos permitiria atender até 900 pessoas”, diz Mendonça.

Serviço
O quê: 30ª Feira da Esperança
Quando: 11 e 12 de julho, das 18 às 22h; 13 e 14 de julho, das 9h às 21h
Onde: Apae – Rodovia Admar Gonzaga, 2637 – Itacorubi

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