Apartamento em que família morreu no Chile não passava por vistoria há 15 anos

Atualizado

O apartamento em que os seis brasileiros morreram no Chile na quarta-feira (22) não passava por vistoria há pelo menos 15 anos.

A Superintendência de Eletricidade e Combustível (SEC) do país confirmou à reportagem do Grupo RIC que o edifício não possuía selo verde. Esse certificado atesta que os sistemas hidráulico, elétrico e/ou de gás funcionam corretamente.

Família morreu em um apartamento no centro de Santiago – Corpo de Bombeiros de Santiago/Divulgação

A construção, localizada na Rua Santo Domingo, a doze quadras do Palácio de la Moneda, data de 1965 e possui três fontes de gás para aquecimento. A principal suspeita é de que as vítimas morreram após inalar monóxido de carbono, que não se sabe até o momento de onde teria saído.

O imóvel foi alugado via plataforma Airbnb, que informou ainda nessa quinta-feira (23) que irá custear o traslado dos corpos, e também a viagem de familiares para acompanhar os trâmites legais.

As vítimas são o casal Fabiano de Souza, de 41 anos, e Débora Muniz Nascimento de Souza, 38, com os filhos Karoliny Nascimento de Souza, 14, e Felipe Nascimento de Souza, 13 – a família morava em Biguaçu, na Grande Florianópolis. Também morreram o irmão de Débora, Jonathas Nascimento Kruger, 30, e a esposa, Adriane Kruger, 27 – o casal morava em Hortolândia, no interior de São Paulo.

Da esq. para a dir.: Karoliny, Felipe, Débora e Fabiano – Instagram / Reprodução ND

Bombeiros constataram concentração de monóxido de carbono

As vítimas começaram a sentir os sintomas de uma possível intoxicação por monóxido de carbono na noite de quarta-feira, quando enviaram mensagens a familiares no Brasil.

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Em entrevista a canais de televisão chilenos, o segundo comandante do Corpo de Bombeiros chileno, Diego Velásquez, relatou que a concentração de monóxido de carbono foi constatada assim que a primeira equipe chegou ao local.

A entrada no apartamento foi solicitada do Brasil ao Consulado Brasileiro no Chile, pelo advogado Mirivaldo Aquino de Campos, que é amigo da família.

Agentes do Corpo de Bombeiros fizeram a evacuação imediata do prédio – ruas adjacentes também foram interditadas. Depois, realizaram medições do ar no apartamento e descobriram altas concentrações de monóxido de carbono, gás que não emite odor, mas cuja inalação provoca a morte.

Velásquez disse que não está descartada a hipótese de que as mortes estejam relacionadas com o tipo de calefação usada nos apartamentos.

Jonathas Nascimento Kruger e Adriane Kruger em registro feito durante a viagem ao Chile – Reprodução/Instagram

As vítimas:

Fabiano de Souza, 41 anos: é pai de Felipe e Karoliny, e marido de Débora. Trabalhava como pedreiro e pescador.

Débora Muniz Nascimento de Souza, 38 anos: mãe de Felipe e Karoliny, mulher de Fabiano, era coordenadora pedagógica de escola em Florianópolis.

Karoliny Nascimento de Souza, 14 anos: filha do casal, completaria 15 anos nesta sexta-feira (21).

Felipe Nascimento de Souza, 13 anos: filho do casal, foi o primeiro a apresentar os sintomas da intoxicação.

Jonathas Nascimento, 30 anos: irmão de Débora e padrinho de Karoliny – a quem presenteou a viagem de aniversário. Vivia em Hortolândia e era chefe do Departamento Pessoal do Instituto Adventista de Tecnologia.

Adriane Kruger, 27 anos: natural de Goiânia, era casada com Jonathas e morava em Hortolândia.

Alerta para más condições do ar na Grande Santiago

O governo chileno emitiu um alerta nesta sexta-feira (24) para as más condições do ar na região da Grande Santiago. A medida implica em uma série de restrições para circulação de veículos, e também para o uso de aquecedores e calefação a lenha. Quem não cumprir as orientações pode receber multas significativas.

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