Após fim do Escola Sem Partido, educadores aprendem a lidar com resquícios do movimento

Apesar de os assuntos discutidos em sala de aula estarem alinhados com as diretrizes educacionais que autoriza os professores apresentarem determinados temas e, por vezes, torna obrigatório o cumprimento da ementa escolar, educadores enfrentam o desafio de alinhar os conteúdos do ensino com as expectativas das famílias.

Escola Sem Partido foi discutido no congresso – Renata Bomfim/RIC

A discussão foi tema da palestra “Escola em tempos de conflito”, organizada pelo Congresso de Jornalismo de Educação, em São Paulo, que este ano chegou na terceira edição.

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Na visão de Esther Carvalho, palestrante convidada e diretora de um colégio particular em São Paulo, a clareza de um Plano Político Pedagógico (PPP) facilita essa relação de pais e escola.

Além disso, dentro da unidade escolar em que atua, o projeto “Encontro com a direção” reúne pais e responsáveis para conversar sobre temas que têm ganhado espaço nas escolas.

“No ano passado, no auge das polarizações, nós fizemos uma atividade chamada ‘construindo opiniões’, em que os alunos refletiram sobre e construíram seus argumentos com o tema política.”

Ao discutir ainda sobre o projeto Escola sem Partido que, apesar de ter declarado o encerramento das suas atividades no início deste mês por meio de uma nota no Facebook do Movimento, o discurso repercutiu na comunidade escolar e, mesmo com o fim, ainda assombra educadores.

“A gente tem que se pautar na ciência e no conhecimento escolar, esse é o papel da escola”, declarou Esther. “Ao contrário desse olhar e discutir se era ou não um posicionamento político, a gente prefere trazer uma discussão para as crianças pessoas que vivenciaram fases históricas.”

Durante os dez anos em que trabalhou na rede pública de ensino básico, a professora de história Luana Tolentino, mestre em educação, fez com que o seu espaço colocasse os alunos para o centro do debate e ensiná-los a atuar como educadores, oportunizando o ambiente para o protagonismo estudantil.

“A minha sala de aula sempre foi horizontalizada e eu fui muito feliz nessa minha experiência nesse processo. Eu sempre tive o trabalho de ouvir, ainda que eu não concordasse, com o que eles estavam falando e criar mecanismos para uma série de preconceitos que eles carregavam”, comentou a professora. 

Crítica em relação a qualidade do ensino público que tem sido ofertado para os jovens, Luana disse que “o papel da escola pública tem sido de ofertar mão de obra barata para o mercado” e que os objetivos do ensino, atualmente, é “aumentar o fosso que separa os ricos e pobres neste país”. 

Nesta linha de pensamento, o professor de geografia, Welligton Pereira acredita que não é apenas a escola que vive em tempos de conflito, mas a sociedade que é quem produz essa realidade para o ensino.

“Nós temos que formar pessoas na sua totalidade para que ele entenda o mundo”, ressaltou o palestrante.

Grupo RIC no Congresso

Este é o terceiro ano que a revista its marca presença do Congresso de Jornalismo de Educação e o segundo que participa por meio de uma seleção feita pela organização do evento.

Em Santa Catarina, o Grupo RIC foi o único veículo selecionado a ter representante no evento.

O congresso é organizado pela Associação de Jornalistas de Educação, a Jeduca.

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