Após longo processo de restauro, Igreja de São Francisco tem missa para benção

Templo da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência está localizado no coração da área central da Capital

A comunidade católica de Florianópolis tem encontro marcado nesta quinta-feira (13), às 18h, na Igreja São Francisco das Chagas, no Centro da Capital. Após sete anos de restauração, o templo da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência será abençoado em missa presidida pelo arcebispo metropolitano Dom Wilson Tadeu Jönkis, com a presença de autoridades locais. 

Localizada na esquina das ruas Deodoro e Felipe Schimidt, a igreja São Francisco das Chagas passou por um processo de restauração, pois estava em estado precário. As primeiras intervenções foram feitas de forma emergencial para sanar infiltrações e instabilidades da estrutura construída em alvenaria com pedra argamassada.

Igreja São Francisco recuperou cores originais em bege e marrom - Foto: Flávio Tin/ND
Igreja São Francisco recuperou cores originais em bege e marrom – Foto: Flávio Tin/ND

Parte dessa matéria-prima pode ser vista na parte superior da entrada pela rua Felipe Schmidt. “Deixei de propósito, para que as pessoas possam entender a dificuldade de realizar um trabalho dessa magnitude”, explica o padre frei Gunther Max Walzer, que comandou o processo de restauro, ao lado da arquiteta Mariana Nunes, da Concrejato Engenharia, responsável pelo trabalho que reuniu dezenas de restauradores.   

A cobertura foi substituída por um telhado duplo de alumínio à prova de goteiras.  Forros, pisos e esquadrias receberam tratamento para retomar sua autenticidade.  A terceira e última etapa da restauração foi a mais trabalhosa. Os restauradores repararam 45 imagens sacras, entre elas, São Francisco das Chagas, Santo Antônio, Nossa Senhora Desatadora dos Nós, Santo Antônio de Categeró e Nossa Senhora das Dores. “São todas imagens originais. Algumas estavam escurecidas devido a fumaça das velas”, conta o frei Gunther.

Além das imagens, os restauradores removeram sete camadas de tintas do altar mor, que perdeu a cor azul, e agora é composta das cores bege e marrom, com detalhes em dourado e florais nas colunas. “O pouco ouro que existe no altar mor é uma fina camada que estava coberta pela tinta e precisou ser cuidadosamente retirada pelos técnicos”, relata.

Diversos outros serviços foram necessários como a substituição de barrotes do assoalho da área central, corroídos por cupins; substituição do piso por porcelanato; embrechamento da alvenaria da torre do sino; e restauração do forro da área central. Também foram adquiridos um elevador para acesso ao salão superior, um relógio novo e o sistema de automatização dos sinos, além de equipamentos de climatização. “É preciso manter a mesma temperatura e a umidade do ar”, explica o padre frei Gunther, que considera a restauração um verdadeiro presente para Florianópolis.

Padre Frei Gunther Max Walzer considera a restauração um presente para Florianópolis - Foto Flávio Tin/ND
Padre Frei Gunther Max Walzer considera a restauração um presente para Florianópolis – Foto Flávio Tin/ND

Igreja será reinaugurada em 2019

Conhecida popularmente como Igreja do Galo, devido aos galos nas torres da igreja, a Igreja de São Francisco das Chagas será reinaugurada em 2019 em data ainda a ser marcada. Porém, o templo já estará aberto aos fiéis com realização de missas diárias de segunda à sexta-feira (18h), e aos sábados (16h) e domingos (10h).

 “É a igreja de Florianópolis que recebe o maior número de visitantes. São cerca de 500 por dia”, afirma o padre frei Gunther.  Além da restauração, a igreja também está ganhando outros  espaços, como uma salas restrita para pesquisas. Documentos do século XVII e XVIII que já foram microfilmados e estão guardados a sete chaves em um armário poderão ser consultados em breve. Outra sala irá contar detalhes da história da igreja e do processo de restauro, com vídeo e painéis fotográficos e poderão ser visitados por turistas ou grupos. Cadeirantes também terão um banheiro próprio.

Responsável pela igreja, padre frei Gunther Max Walzer preferiu não revelar o investimento feito no restauro, mas o trabalho foi custeado pelo governo do Estado, através da secretaria de Estado de Esporte, Cultura e Lazer, além de doação dos fiéis.  .

LINHA DO TEMPO:

  • 1745 – A Ordem Terceira de São Francisco da Penitência é criada em 17 de setembro de 1745 pelo frei franciscano Alexandre de Santa Cruz. Inicialmente sem templo próprio, a ordem é  instalada na Capela Nossa Senhora das Dores.
  • 1753 – Início das obras da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Desterro, atual Catedral Metropolitana.  O projeto previu a construção de uma capela lateral para abrigar a Ordem Terceira.
  • 1802 – Surge a possibilidade de construção da igreja própria em terreno doado localizado na Rua Nova dos Quartéis (atual Deodoro) com a rua do Moinhos de Vento (atual Felipe Schimidt).
  • 1803 – Pedra fundamental é lançada após licença concedida pelo príncipe regente de Portugal, Fernando José.
  • 1815 – Em 2 de abril, a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência é benzida e as  imagens do padroeiro e demais pertences da irmandade são transladados da capela da Igreja Matriz.
  • 1819 – Foi adquirido o primeiro sino, mas instalado apenas em 1823.
  • 1831 – Antes de mesmo de ser concluída, a igreja teve o vão das entradas laterais, na fachada frontal, vedadas por problemas estruturais na torre.
  • 1851 – Obra da igreja é concluída com as sacristias e anexos.
  • 1910 – A igreja passa por reforma e a fachada voltada para a Felipe Schmidt é modernizada.
  • 1967 – As atividades paroquiais são transferidas para a Igreja de Santo Antônio para realização de nova reforma.
  • 1981 – A escada de acesso aos sinos e o forro da sacristia são substituídos.
  • 1994- Inicia-se o processo de tombamento pelo Estado de Santa Catarina
  • 1998 – Tombamento é homologado e igreja é reconhecida como patrimônio histórico e cultural de Santa Catarina
  • 2011 – Começa nova reforma da igreja.

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