Após pressão, vereadores de Florianópolis devem recuar de aumento da verba de gabinete

Atualizado

Após forte pressão popular e de entidades de classe, os vereadores de Florianópolis devem recuar do Projeto de Lei 17.870, aprovado às pressas e ao apagar das luzes, na última sessão do Legislativo antes do recesso, na quarta-feira.

Vereadores durante a sessão de quarta-feira, que aprovou os benefícios – Divulgação/ND

Em questão de segundos, o projeto que criou vale-refeição para os 23 parlamentares de Florianópolis e aumentou a verba de gabinete de cada um deles de R$ 21,6 mil para R$ 26,7 mil foi aprovado pela maioria dos vereadores.

O conteúdo da matéria e a forma da votação repercutiram de maneira negativa entre lideranças empresariais e entidades civis. Caso o projeto passasse a vigorar, o gasto extra anual da Câmara seria de R$ 1,656 milhão.

O projeto também não deveria ter vida longa, pois dependia de sanção do prefeito Gean Loureiro (sem partido). Interlocutores do prefeito revelaram a disposição de veto do chefe do Poder Executivo, “focado em medidas de austeridade no comando da Prefeitura de Florianópolis”.

Nesta sexta-feira (11), o TCE/SC (Tribunal de Contas do Estado) informou que fará uma inspeção sobre a regularidade da criação do vale-refeição e do aumento da verba de gabinete.

Entidades reagem

Em nota, a Acif (Associação Comercial Industrial de Florianópolis) considera “inoportuna” a aprovação dos benefícios. “A entidade entende que os gastos não condizem com o momento econômico da cidade”, diz a nota. A Acif ainda sugere que os parlamentares abram mão dos benefícios.

A CDL Florianópolis (Câmara dos Dirigentes Lojistas) também criticou a aprovação do projeto. Em nota assinada pelo presidente Ernesto Caponi, a entidade afirma ser “inadmissível” a aprovação do PL. “É uma atitude de desserviço público e de falta de transparência com a sociedade”, completa.

O movimento Floripa Sustentável, que representa 32 entidades civis, também critica a celeridade de aprovação do projeto “em menos de um minuto, sem inclusão prévia na ordem do dia divulgada com antecedência e sem estudos que avaliem o impacto financeiro de mais um aumento de custos da Câmara”.

Para a Floripamanhã “indignação” resume o sentimento do florianopolitano. “A Floripamanhã não pode ser complacente com essa situação e pede aos nossos representantes que reavaliem, ampliem a discussão com a sociedade e apresentem os valores do impacto econômico gerado por essa deliberação”.

O vice-presidente regional Grande Florianópolis da Facisc (Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina), Marco Souza, também rechaçou a aprovação do projeto. “Qualquer aumento de gastos do poder público hoje é inaceitável, principalmente considerando a Câmara municipal que recebe o duodécimo da Prefeitura, e que deveria fazer o contrário”, afirmou.

O presidente da Câmara de Vereadores, Roberto Katumi (PSD) convocou uma reunião para as 10h de segunda-feira para discutir os benefícios aprovados na sessão da última quarta. A tendência é de que o projeto seja revogado, diante da reação negativa da sociedade.

Política