Após quatro anos e dois contratos, a BR-282 continua inadequada e em más condições, aponta estudo

Segundo a Fiesc, as obras previstas em contrato não foram realizadas, falta manutenção e as condições da rodovia só pioraram ao longo do tempo

Um novo estudo da Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina) sobre a BR-282 mostra trechos com afundamento, desagregação e recalques na pista, causados pela falta de manutenção, restauração e conservação da rodovia que liga o Extremo-Oeste ao litoral catarinense. 

O estudo, que tem apoio do Crea (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), também faz um panorama da situação das BRs 163 e 158, e foi apresentado na nesta sexta-feira (29), em reunião de diretoria da Federação.

Ricardo Saporiti/Fiesc

Situação do km 579,8, trecho da BR-282 em Pinhalzinho, no Extremo-Oeste

Em 2012 o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) incluiu no Crema (Contrato de Reabilitação e Manutenção de Rodovias) obras nos 193 quilômetros da BR-282 entre o acesso a Chapecó e São Miguel do Oeste; Maravilha a Iraí e São Miguel do Oeste a Dionísio Cerqueira. Porém, dois anos e meio depois, o contrato foi rescindido sem a realização das restaurações, terceiras faixas, acostamentos e sinalizações previstas.

O Crema previa para a BR-282 a implantação de 43 quilômetros de terceiras faixas para garantir maior segurança aos usuários, mas nenhum quilômetro foi executado. A empresa contratada limitou-se a fazer operação “tapa-buracos” e roçadas na estrada. Enquanto isso, o pavimento foi se deteriorando. No início de 2015 uma nova companhia foi contratada. Porém, o novo contrato não contemplou as obras previstas no Crema, como terceiras faixas.

A empresa atual tem três contratos em andamento que preveem obras como recuperação do pavimento nos seguintes trechos: do acesso a Chapecó até São Miguel do Oeste (BR-282); de Maravilha a Iraí (Rio Grande do Sul BR-158) e de São Miguel do Oeste até Dionísio Cerqueira (BR-163).

Catarinenses aguardam duplicação da BR-282 há pelo menos dez anos

De acordo com o levantamento da Federação, a empresa tem executado obras de qualidade, contudo, há somente uma frente de trabalho, em Maravilha, quando seriam necessárias pelo menos mais quatro frentes. “Uma série de obras complexas previstas no Crema não foram executadas por problemas de gestão. O novo contrato contempla menos obras e está sendo executado num ritmo que não dá perspectivas de condições mínimas de segurança de tráfego”, afirma o engenheiro Ricardo Saporiti, que percorreu as rodovias em novembro.

O presidente da Fiesc, Glauco José Côrte, lembra que há pelo menos dez anos o Estado aguarda a duplicação da BR-282. Em diversas oportunidades a instituição foi ao Ministério dos Transportes cobrar celeridade nas obras da rodovia. “Santa Catarina é preterida pelo governo federal em relação aos investimentos em infraestrutura. É uma lástima que tenhamos perdido, por problemas de gestão, obras de cunho mais estrutural, como terceiras faixas, apesar dos alertas feitos pela FIESC a todas as autoridades envolvidas”, diz.

Segundo Côrte, Santa Catarina não pode se conformar com o atual ritmo dos trabalhos. “Sabemos que obras estruturais, que resultem em competitividade para as BRs só virão com o programa de concessões. Mas até que esse processo seja concluído e obras efetivamente possam ser vistas, é necessário que se faça pelo menos o básico, aumentando as frentes de trabalho dentro do contrato atual, para termos ao menos a manutenção. Do contrário a rodovia seguirá sem condições mínimas de trafegabilidade”, avalia.

Sobre a execução dos serviços de conservação corretiva rotineira, o estudo recomenda a utilização prioritária de remendos profundos, em vez dos “tapa-buracos” que estão sendo feitos e que, visivelmente, “não estão apresentando resultados satisfatórios, motivados pela rápida desagregação dos materiais empregados”.

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