Após quatro dias, mulheres mantém protesto em frente ao Complexo Penitenciário da Capital

Mesmo com suspensão temporária da greve dos agentes penitenciários, parte das mulheres dos presos afirma que ainda não conseguiram ver seus companheiros

Marciano Diogo/ND

Mulheres de presos seguem acampadas em frente ao Complexo Penitenciário de Florianópolis

As mulheres de presos continuam bloqueando a Rua Delmina Silveira, que fica em frente ao Complexo Penitenciário da Capital, na tarde deste domingo. O protesto, motivado pela proibição de visitas aos presos por causa da greve dos agentes penitenciários, iniciou na manhã de quinta-feira (3) e se estende até este domingo. Segundo as manifestantes, mesmo com a suspensão temporária da greve, muitas mulheres seguem sem poder ver seus companheiros.

As mulheres dos presos explicam que como as visitas são feitas em rodízios, muitas delas seguem sem o direito de poder ver seus parceiros. “Suspenderam a greve durante 48 horas e ainda não vimos nossos parceiros. As visitas seguem uma ordem específica por setor de galeria, e só quem tem visita nos fins de semana é que pode realizá-la”, afirmou Aline Lima, mulher de um detento.

De acordo com as mulheres, as visitas no presídio público da Capital ocorrem somente nos sábados e domingos, enquanto em outras unidades prisionais, como a de São Pedro de Alcântara, as visitas são permitidas durante todos os dias da semana. “Não tem como todas as mulheres fazerem essas visitas somente em um fim de semana. Nós não estamos buscando somente 48 horas de liberação, e ficaremos aqui em frente até esta greve terminar”, relatou Samara Silva, mulher de preso há três anos, na manhã deste domingo.

As companheiras ainda afirmam que realizam a manifestação em busca pelos direitos de seus familiares. “Não estamos aqui somente por um dia de visita. Estamos aqui pelos direitos dos presos, direito ao banho de sol, direito de receber visita de médicos e advogados, direito de ter uma alimentação adequada. Eles estão comendo marmitas com alimentos passados e azedos, encontraram até parafuso e barata dentro da comida”, completou Samara. As manifestantes realizam o protesto com “apitaço”, faixas, cartazes e fogos de artifício.

A tensão dentro do Complexo Penitenciário segue aumentando, porque sabendo da manifestação de suas mulheres, os presos estão cada vez mais agitados. “A situação da Penitenciária de Florianópolis é bastante crítica, os presos estão bastante inquietos e a qualquer momento pode ocorrer motins e até mesmo rebelião”, afirmou o diretor da unidade, Gabriel Airton da Silveira, em comunicado encaminhado à Justiça.

Fim da greve e liberação efetiva das visitas

Conforme o presidente do Sintespe (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Estadual de Santa Catarina), Mário Antônio da Silva, quando a suspensão da greve foi efetivada, já era esperado que nem todas as mulheres de presos conseguiriam ver seus companheiros. “Isso é natural, até porque a situação da visita se dá perante a questão da segurança, possibilitaremos as visitas respeitando a quantidade de efetivo disponível para garantir a segurança. É uma questão de procedimento padrão, nos dias normais de trabalho nem todas conseguem realizar as visitas”, afirmou.

Marciano Diogo/ND 

Manifestantes estão acampadas no local desde quinta-feira (3)

O presidente ainda confirma que o sindicato está apostando pelo fim da paralisação. “Estamos apostando pelo fim da greve. O acordo de suspensão temporária que ocorreu na sexta-feira foi um procedimento de boa intenção que partiu da nossa parte. Agora está nas mãos do Governo, em apresentar uma contraproposta com mudanças concretas na segunda-feira”, relatou Silva.

Uma assembleia do Sintespe (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Estadual de Santa Catarina) que ocorrerá às 14h de segunda-feira (7) no Complexo Penitenciário da Capital deve decidir pela continuidade ou fim da greve.

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