Após restauração completa, Igreja São Francisco das Chagas será reinaugurada na Capital

Os fiéis, moradores e turistas vão ganhar um presente nesta quinta-feira, com a reinauguração da Igreja São Francisco das Chagas, no Centro da Capital. Após sete anos de restauração, o templo da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência está pronto para continuar a ser a igreja mais visitada da Capital, com sua rica história, repleta de documentos e imagens sacras.

A reinauguração contará com as presenças do arcebispo metropolitano Dom Wilson Tadeu Jönkis, do governador do Estado, Carlos Moisés, e do prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, além do ex-governador Raimundo Colombo, que liberou recursos para as obras de restauração quando estava no comando do Estado. A restauração custou cerca de R$ 10 milhões, entre valores liberados pelo Poder Público e colaborações de fiéis. A reinauguração está marcada para as 17h, em uma cerimônia com o descerramento de placas.

Igreja precisou de sete anos e R$ 10 milhões para ser totalmente recuperada - Foto: Marco Santiago
Igreja precisou de sete anos e R$ 10 milhões para ser totalmente recuperada – Foto: Marco Santiago

“É a igreja de Florianópolis que recebe o maior número de visitantes. São cerca de 500 por dia”, afirma o frei Gunther Max Walzer, que comandou o processo de restauro, ao lado da arquiteta Mariana Nunes, da Concrejato Engenharia.  Na véspera da reinauguração do templo, Gunther afirma estar dividido por dois sentimentos: “Alegria, por terminar uma obra de longos anos, e gratidão, por Deus me dar saúde para acompanhar o trabalho e aos amigos que colaboraram”, afirma o frei.  

Localizada na esquina das ruas Deodoro e Felipe Schimidt, a Igreja São Francisco das Chagas estava em estado precário de conservação. As primeiras intervenções foram emergenciais e  sanaram infiltrações e instabilidades da estrutura construída em alvenaria com pedra argamassada. Parte dessa matéria-prima pode ser vista na parte superior da entrada pela rua Felipe Schmidt.

A cobertura foi substituída por um telhado duplo de alumínio à prova de goteiras. Forros, pisos e esquadrias receberam tratamento para retomarem a autenticidade.  A terceira e última etapa da restauração foi a mais trabalhosa. Os restauradores repararam 45 imagens sacras, entre elas, São Francisco das Chagas, Santo Antônio, Nossa Senhora Desatadora dos Nós, Santo Antônio de Categeró e Nossa Senhora das Dores. “São todas imagens originais. A imagem de Santo Antônio de Categeró foi trazida por escravos que construíram a igreja”, conta Gunther.

Além das imagens, os restauradores removeram sete camadas de tintas do altar-mor, que perdeu a cor azul, e agora é composta das cores bege e marrom, com detalhes em dourado e motivos florais nas colunas. “Em nosso altar-mor, temos um ícone da nossa história, Cristo e São Francisco abraçados. Existem apenas duas imagens destas no país, uma em Florianópolis e outra em Salvador”, revela o frei.

Restauração otimizou espaços

Conhecida popularmente como Igreja do Galo, devido aos galos nas torres da igreja, a Igreja de São Francisco das Chagas está aberta aos fiéis com celebração de missas diárias de segunda à sexta-feira (18h), e aos sábados (16h) e domingos (10h).

Com a restauração, foi possível também ampliar a área física para visitação. Além do espaço lateral destinado para as velas – pensado com foco na segurança, tanto dos fieis quanto do equipamento, no segundo piso será inaugurado um espaço museológico, com documentos do século XVII e XVIII que já foram microfilmados e estavam guardados a sete chaves em um armário. O material poderá ser consultado, bem como imagens sacras e paramentos. No térreo, à direita do altar e anexa à entrada pela rua Felipe Schmidt, um espaço foi pensado para contar todo o processo da restauração.

“Trazemos detalhes da história da igreja e do processo restauro, com vídeo e painéis fotográficos. Recuperamos a origem e documentamos para que as próximas gerações possam conhecer um pouco do que foi realizado”, explica  Gunther.  Ainda para 2019 está previsto a retomada das missas em latim. “Esse é um projeto que muito me orgulha e que, em breve, estará à disposição do grande público”, completa o frei.

 LINHA DO TEMPO:

1745 – A Ordem Terceira de São Francisco da Penitência é criada em 17 de setembro de 1745 pelo frei franciscano Alexandre de Santa Cruz e instalada na Capela Nossa Senhora das Dores.

1753 – Início das obras da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Desterro, atual Catedral Metropolitana, com uma capela lateral para abrigar a Ordem Terceira.

1802 – Terreno localizado na Rua Nova dos Quartéis (atual Deodoro) com a rua do Moinhos de Vento (atual Felipe Schimidt) é doado para construção da sede própria.

1803 – Pedra fundamental é lançada.

1815 – Em 2 de abril, a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência é benzida e as  imagens do padroeiro e demais pertences da irmandade são transladados da capela da Igreja Matriz.

1819 – O primeiro sino é adquirido, mas acabou instalado apenas em 1823.

1851 – Obra da igreja é concluída com sacristias e anexos.

1910 – A igreja passa por reforma e a fachada voltada para a Felipe Schmidt é modernizada.

1967 – As atividades paroquiais são transferidas para a Igreja de Santo Antônio para realização de nova reforma.

1981 – A escada de acesso aos sinos e o forro da sacristia são substituídos.

1994- Inicia-se o processo de tombamento pelo Estado de Santa Catarina

1998 –  Tombamento é homologado e igreja é reconhecida como patrimônio histórico e cultural de Santa Catarina

2011 – Começa nova reforma da igreja.

2018 –  Igreja restaurada recebe benção

2019 – Igreja é reinaugurada com presença de autoridades

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