Após sucesso em Canasvieiras, outros projetos semelhantes devem sair do papel

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O sucesso da obra de engordamento da faixa de areia de Canasvieiras aumentou as chances da Prefeitura de Florianópolis executar projetos semelhantes nas praias de Jurerê e Ingleses, na Avenida Beira-Mar Norte, e na Armação, no Sul da Ilha. Além de garantir maior espaço para turistas e moradores curtirem a praia, a obra é a solução para conter um problema natural: a erosão costeira.

Praia de Jurerê tem faixa de areia pequena e deve ser engordada. Foto: Anderson Coelho/ND

Na última sexta-feira, durante a entrega da obra de engordamento da faixa de areia de Canasvieiras, o prefeito Gean Loureiro anunciou a intenção de executar até março os projetos para a obra no canto direito da Praia dos Ingleses e em toda a extensão de Jurerê. Ambas as praias perderam muito espaço na faixa de areia nos últimos anos, com a subida do nível do mar e constantes ressacas.

Além de tornar possível uma realidade que parecia impossível, a obra em Canasvieiras mostrou que é viável do ponto de vista financeiro. Mas, para isso, a jazida de areia precisa estar localizada próxima da praia a ser engordada. Esse foi um dos motivos para que a obra de Canasvieiras, inicialmente orçada em R$ 16,5 milhões, fosse executada com deságio de 40%, por R$ 10,5 milhões (financiada pela Caixa Econômica Federal ).

Murilo Ely e Bruna Bueno ficaram muito próximos do mar em Jurerê. – Foto: Anderson Coelho/ND

Na praia de Jurerê, a faixa de areia atual não ultrapassa os 20 metros nos pontos mais largos da orla. Neste domingo, por exemplo, o casal de turistas gaúchos Bruna Bueno e Murilo Ely teve que instalar as cadeiras de praia a menos de dois metros do mar, por absoluta falta de espaço. “É uma praia boa e bonita, mas a gente acaba achando pequeno o espaço. Ano passado estive aqui e estava um pouco maior a faixa de areia”, contou Bruna.

Para o comerciante Everson De Lima Martinez, a ampliação da faixa de areia de Jurerê, a exemplo do que aconteceu em Canasvieiras, é bem-vinda. “É uma praia que lota de ponta a ponta, e o que falta mesmo é um pouco de areia”, diz o comerciante, que trabalha em um quiosque instalado a menos de cinco metros da água do mar.

Para o ambulante Maicon Alexandre, quanto maior a faixa de areia, melhor para trabalhar. “A maré sempre sobe bastante e ficamos com dificuldade para empurrar o carrinho. Seria bom para todos, na verdade, não só para nós ambulantes”, destaca.  Apesar de frequentar pouco a praia, Fabiano Cunha aprova a disposição de aumentar a faixa de areia em Jurerê, mas ressalta que é preciso aumentar a infraestrutura nas praias alargadas, com a instalação de chuveiros e lixeiras. “Quanto mais espaço, melhor”, resume o morador de Florianópolis.

Trecho de 1,6 mil metros seria alvo do engordamento de areia na Armação. Foto: Anderson Coelho/ND

Projeto da Armação foi elaborado em 2011

Enquanto o engordamento da faixa de areia de Canasvieiras era um pedido da comunidade desde 1990, a obra na Armação, no Sul da Ilha, seria um complemento para o trabalho emergencial feito pela Prefeitura de Florianópolis em 2010. Na época, a região sofreu com a erosão costeira que provocou danos na área urbana e colocou em risco a Lagoa do Peri, manancial hídrico do Sul e Leste da Ilha.

A obra de contenção executada na Praia da Armação cessou um processo de erosão que avançou cerca de 50 metros em dois meses (abril e maio de 2010). Na ocasião, a melhor solução encontrada foi a construção de um dique de enrocamento ao longo da área mais vulnerável, de 1,6 mil metros de extensão.

Mais complexo que a obra de Canasvieiras, o projeto da Prefeitura de Florianópolis elaborado na época previa intervenções como a construção de um molhe de 150 metros a partir do ponto mais externo da Ilha das Campanhas. Esta estrutura facilitaria o acesso dos pescadores devido à atenuação das ondas.

O projeto ainda apresentava outras intervenções necessárias como a construção de um enrocamento de proteção e de uma passarela de ligação no extremo Sul da praia; a dragagem do canal de acesso do Rio Quinca Antonio e a proteção do engordamento com geotubos, além do próprio engordamento de uma faixa de 50 metros ao longo da área vulnerável de 1,6 mil metros.

O diferencial do projeto é a utilização de geotubos, estruturas cilíndricas que servem para reduzir a energia das ondas e controlar o fluxo de sedimentos. O custo é três vezes menor do que um quebra-mar de pedras e não apresenta impacto visual, por estar submerso.  Datado de 2011, o investimento em obra e projeto totalizava R$ 16,2 milhões.

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