Após três anos, motorista vai a julgamento por morte de jornalista na SC-401

Atualizado

Três anos após a morte do jornalista Roger Bittencourt, o motorista acusado de provocar o acidente na SC-401 vai sentar no banco dos réus do Tribunal do Júri da comarca de Florianópolis. De acordo com denúncia do Ministério Público de Santa Catarina, no dia 27 de dezembro de 2015, Gustavo Raupp Schardosim atropelou e matou o jornalista, que pedalava uma bicicleta às margens do quilômetro 6 da rodovia estadual, na Vargem Pequena, Norte da Ilha.

A ghost bike em homenagem a Róger Bittencourt foi instalada em janeiro de 2016 - Bruno Ropelato/Arquivo/ND
A ghost bike em homenagem a Róger Bittencourt foi instalada em janeiro de 2016 – Bruno Ropelato/Arquivo/ND

O julgamento será presidido pelo juiz Renato Mastella. O MP será representado pelo promotor Afonso Ghizzo Neto e terá a companhia dos advogados André Mello Filho e Marcelo de Mello como assistentes de acusação. O advogado Alexandre José Biem Neuber atuará na defesa do réu.

Ainda segundo a denúncia do Ministério Público, o condutor estava em visível estado de embriaguez quando perdeu o controle do carro, invadiu o acostamento e atropelou Bittencourt e outro ciclista, Jacinto Silveira Florzino – que sofreu ferimentos, mas sobreviveu, e atualmente está fora do país. A polícia também teria encontrado maconha no interior do veículo do réu, que responderá por três crimes: homicídio, tentativa de homicídio e embriaguez ao volante.

Preso em flagrante, o motorista teve a prisão preventiva decretada na sequência e esteve recolhido no Presídio da Capital, no bairro da Agronômica, por um ano e quatro meses, até obter o direito de responder ao processo em liberdade, em 26 de abril de 2017. O jornalista Roger Bittencourt tinha 49 anos na época do acidente.

A defesa de Schardosim conseguiu retirar as qualificadoras do crime, conforme a denúncia inicial do Ministério Público que pedia a condenação do acusado por homicídio doloso, quando se assume o risco de matar. “A defesa entende que se trata de crime de trânsito e vai pedir a desclassificação (de homicídio simples) para homicídio culposo e lesão corporal culposa”, afirma o advogado de defesa, Alexandre Neuber, diante da tipificação do crime que prevê de dois a quatro anos de reclusão.

Policiais rodoviários, que atenderam a ocorrência, e populares que impediram a fuga do motorista após o acidente deverão prestar depoimentos durante o julgamento. Porém, a acusação vai tentar sustentar a tese de que o motorista não tentou evitar o acidente para buscar a condenação por homicídio doloso, ou seja, quando se assume o risco de matar, com pena mínima de seis anos de reclusão. “Vivemos um período da evolução da sociedade e já não admitimos que uma pessoa dirija sem condições, ainda mais um acusado que já havia respondido processo em Itajaí por dirigir embriagado”, afirma o assistente de acusação, Marcelo de Mello.

Roger Bittencourt foi atropelado em dezembro de 2015 - Arquivo Pessoa/ND
Roger Bittencourt foi atropelado em dezembro de 2015 – Arquivo Pessoa/ND

Em entrevista exclusiva para a RIC TV, a jornalista e viúva Karin Verbickas contou que Bittencourt sempre sonhou em ser pai e deixou uma filha, a Sofia, que hoje tem 9 anos, além de dois enteados. “Ele sonhou muito com o nascimento da Sofia, ela acabou vindo em 2009 e foi uma alegria arrebatadora para ele. Mas por enquanto aqui em casa a gente está tocando, tentando acalmar o coração dos filhos, porque ainda não reaprendemos a viver sem ele”, contou Karin.

Natural do Rio Grande do Sul, Roger vivia há 22 anos em Santa Catarina, onde atuou em veículos de comunicação, ministrou aulas no curso de Jornalismo da Unisul (Itajaí). O jornalista também foi secretário de Estado de Comunicação, sócio fundador da empresa Fábrica de Comunicação e exercia a primeira vice-presidência da ACI (Associação Catarinense de Imprensa). Apaixonado por esportes, o jornalista participava de maratonas e competições de ciclismo. Uma “ghost bike” foi instalada no local do atropelamento em 2016para homenagear o jornalista e chamar atenção dos motoristas que trafegam da rodovia estadual mais movimentada do Estado. 

Cidade