Aproveitaremos a carona

Fabiano Dantas

Professor de Economia do Instituto Superior Tupy (IST/Sociesc)

Divulgação

Apesar de não terem rompido completamente a relação, e nem declarado oficialmente um afastamento, não há como negar que a relação de EUA e Brasil estava relativamente abalada. Algumas divergências comerciais e principalmente o comportamento do governo brasileiro em relação a assuntos internacionais, como o programa nuclear do Irã e a proximidade com países do Oriente Médio e da América Latina, desagradavam a cúpula norte americana e fazia com que as relações, outrora muito amigáveis, passassem a apresentar certa frieza.

Entretanto, acontecimentos recentes apontam para uma reconciliação entre os amigos. A recente visita da presidente Dilma Rouseff aos EUA e a ainda mais recente visita da secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton ao país, mostram-se como ponto de partida para um novo tempo.Em sua visita aos EUA, a presidente do Brasil assinou acordos importantes, com destaque para a parceria educacional. O acordo firmado criou convênios, aumentando o número de bolsas de estudos disponíveis para brasileiros que desejarem estudar nas grandes universidades dos EUA. Além disso, foi firmada uma parceria entre o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), para colaboração em pesquisas.

O Brasil é um país em franco desenvolvimento e apresenta diversos avanços nas mais diferentes áreas. Apesar disso, o país ainda apresenta uma representatividade acadêmica muito tímida, tanto na divulgação de pesquisas importantes para a comunidade mundial, como no número de brasileiros que buscam formação nas melhores universidades do mundo. Para servir como base de comparação, o número de alunos brasileiros estudando no exterior é de 10 a 12 mil. A China tem mais de 75 mil e a Índia, aproximadamente 60 mil.    

O estímulo à pesquisa que leva, inevitavelmente, ao desenvolvimento de novas tecnologias, lançaria o país rumo ao aumento da eficiência produtiva e, consequentemente, elevaria sua competitividade no cenário internacional. A colaboração de grandes centros universitários mundiais neste processo apresenta valor inestimável, por conta de seu grande know-how no campo da pesquisa e também pelo compartilhamento de suas estruturas.

O compartilhamento de idéias, conhecimento, fatores de produção e até bens e serviços apresentam diversos benefícios, necessitando apenas de regras claras e atitudes firmes e corretas por parte dos governantes dos países. A era global, onde as fronteiras geográficas deixam de se apresentar como empecilhos, é cada vez mais real, o avanço tecnológico e das comunicações servem de combustível propulsor para este acontecimento e, aparentemente, quem não aproveitar essa carona fatalmente ficará para trás.