Arábia Saudita autoriza buscas em consulado para investigar morte de jornalista

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ministério das Relações Exteriores da Turquia informou neste terça-feira (9) que a Arábia Saudita autorizou as buscas na sede do seu consulado, em Istambul, para investigar se um jornalista saudita, desparecido desde a última terça-feira (2), foi morto no interior do edifício.

Autoridades turcas acreditam que Jamal Khashoggi, crítico ao governo do seu país, tenha sido morto após entrar no consulado para buscar uma documentação na semana passada. A Arábia Saudita nega.

O jornalista, ex-editor de jornal e consultor do ex-chefe de inteligência da Arábia Saudita, foi para a Turquia no ano passado dizendo temer uma retaliação por suas crescentes críticas à política saudita na guerra do Iêmen e à repressão às divergências.

Na terça-feira (2), ele entrou no consulado saudita em Istambul para obter documentos para seu futuro casamento. Autoridades sauditas dizem que ele deixou o prédio pouco depois, mas sua noiva, que estava esperando do lado de fora, afirma que ele nunca saiu.

Yasin Aktay, um dos assessores do presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, disse que as autoridades tinham informações concretas sobre o caso de Khashoggi, e ele acredita que o jornalista foi morto no consulado.

O embaixador saudita na Turquia foi convocado por Ancara na quarta-feira. Um inquérito judicial também foi aberto.

No domingo (7), Erdogan afirmou que espera os resultados da investigação.

Uma fonte saudita no consulado negou que Khashoggi tenha sido morto no local e disse em um comunicado que as acusações eram infundadas.

Em uma entrevista à agência Bloomberg na sexta-feira (5), o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman disse que Jamal Khashoggi realmente “entrou” no consulado, mas partiu logo em seguida. Ele convidou as autoridades turcas a “procurar” no consulado. “Não temos nada a esconder”.

“Estou à espera de uma confirmação oficial do governo turco para acreditar”, escreveu no Twitter a noiva turca do jornalista, Hatice Cengiz.

O caso gerou repercussão internacional. Além da Turquia, França, Reino Unido e Estados Unidos expressaram preocupação com a situação.

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