As catedrais

Desde pequeno, tenho paixão pelas catedrais, pela arquitetura delas, pela simbologia. Todas as grandes cidades tem as suas! A arquitetura moderna da de Joinville, quando olha-se de cima parece uma concha: na concha a gente ouve o mar, deve ser por isso! Quando fui a São Paulo pela primeira vez corri para a Catedral da Sé, mas foi na igreja do Largo São Francisco, com seus apóstolos imensos e missa toda em latim, que minha paixão por estas obras fez aumentar mais o meu encanto, silêncio, eco e fé.

O termo catedral deriva do latim “ecclesia cathedralis”, e é utilizado para designar a igreja que contém a cátedra oficial de um bispo. Mas para quem entra com olhos que perscrutam além da imponência do invisível, acho que catedral significa muito mais que isso. Quando viajo faço questão de visitá-las! Na Europa, a primeira catedral que visitei foi em Genebra. É um prédio que respira! Levita sobre a cidade! No meio do prédio, eleva-se uma torre gótica, verde água, contemplando o céu e o lago. Dentro dela eu vi um órgão impressionante! Projeta-se da parede, sopra um tufão, produz uma música que assusta, e magnífica.

Outra catedral que visitei foi em Schaffhausen. Também tem o seu órgão imponente. Mas vibrava uma luz sobre os vitrais que davam a todas as cores tons de aleluia! Tudo era claro! Algumas pessoas circulavam com máquinas fotográficas, orações e aulas de arquitetura. Em Paris, fui a Sacre Couer; a igreja se estende sobre a cidade, e diz: Gente, eu estou aqui em cima! Achei a igreja mais fabulosa arquitetonicamente, apesar de estranha. Tem gárgulas por toda parte, vigiando, a mim assustando, mas todos lá, alados, engaiolados para sempre. Ela estava fechada. Ali não senti a paz que queria sentir ao procurar uma igreja. Em seus arredores, sim! Quando vi um pintor fazendo imagens entre os passantes, e na voz de uma cantora, que com um realejo, cantava, de graça, toda esnobe, canções de Edith Piaf.

Mas foi na Notre Dame que eu fiquei realmente emocionado. Ali não havia só turistas atrás de gárgulas, estátuas, pedras, auréolas, vitrais, encaixes, arames e crucifixos; Não! Notre Dame é mais que um museu, é uma caixa de música. Toda sonora, uma verdadeira senhora que levanta…era hora da missa, o padre em francês, eu percebia tudo! Tentei fazer parte dos tacos, dos azulejos, ingressar dentro dos bancos, dos alicerces, e lembrei-me de algumas pessoas, das veias inchadas, das partes feias do meu armário, das palavras que não tem poesia e eu tento provar que tem mesmo não tendo.

Em Luxemburgo, as catedrais são castelos que abrem só as domingos, e que de fora, assustam quem não está acostumado a ver ao lado de uma igreja, um precipício. Na cidade de Bruxelas, há duas catedrais que, tocam seus sinos, simultaneamente! É espetacular! Numa delas tem um anjo da guarda imenso com uma espada de flores. Na outra, uma  torre que parece eremita: de cada ponto da praça que você olha ela parece estar num lugar diferente!

De catedral em catedral, vou analisando que também somos templos: com gárgulas, santos, órgãos, música, vitrais, luz, sombras, fé, abnegação, esquecimento, canto, línguas mortas, amor, memória, pessoas, estrada e redemoinhos.

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