“As diferenças só nos tornam mais fortes”, diz francesa que mora em Florianópolis

Franceses em torno do mundo choram pelo terror ocorrido no país na noite de última sexta-feira (13), e em Florianópolis a situação não é diferente. Em luto pelos conterrâneos, os cidadãos naturais da França que residem na Capital lamentam os múltiplos atentados com tiros e bombas que deixaram mais de 125 mortos e pelo menos 300 feridos na cidade de Paris. “É triste e chocante, foi difícil de acreditar. Paris sempre foi uma cidade de miscigenação, onde o respeito, a convivência e a tolerância sempre caminharam juntos. Jovens tiveram que pagar com suas vidas por uma guerra que não estavam envolvidos”, afirmou o francês Benoit François, 45, proprietário de um reconhecido bistrô na Capital.

Daniel Queiroz/ND

Enya: “As políticas de fronteira já estão mudando e vão mudar ainda mais”

François, que é natural da cidade de Reims, mas já morou durante anos em Paris, soube dos atentados através de mensagens de amigos na própria sexta-feira, que o alertaram da gravidade da situação.

“Estive no mês passado em Paris, a liberdade é algo muito pulsante lá, fato que pode ser constatado nos espaços de convivência. Pela estratégia dos terroristas, a situação poderia ter sido ainda pior, poderia ter tido mais mortos. Agora, acredito que a França vai reforçar a segurança interna, haverá um controle maior da imigração, semelhante como o que aconteceu nos Estados Unidos após o 11 de setembro”, disse François.

Ele acredita que os franceses saberão reagir da maneira correta diante do fato histórico. “É claro que a forma de receber os visitantes não será a mesma, mas não haverá pânico nem situações de constrangimento. Os franceses já sabem diferenciar os mulçumanos do fundamentalismo islâmico”, observou o empresário.

Assim como o conterrâneo, o francês Cédric Pesche, 28, chef de cozinha natural de Paris que mora há dois anos em Florianópolis, reforça o sentimento de luto diante dos atentados contra a França. “O país já reage contra o Estado Islâmico, e a Rússia também está envolvida na guerra, é uma questão geopolítica muito complicada”, constatou o jovem.

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Cédric: “As pessoas estão com muito medo”

Ele tem irmãos e pai morando atualmente em Paris. “Estão todos bem, graças a Deus. Mas o estado lá ainda é de alerta e tensão. Haverá uma mudança na política interna quanto a questões de controle, recentemente o Parlamento aprovou recentemente uma lei que permite a investigação e consulta livre de informações em aparelhos pessoais sem autorização da pessoa. As pessoas estão com muito medo. É a maior violência contra Paris desde a 2ª Guerra Mundial”, afirmou.

O chef de cozinha já chegou a frequentar o Bataclan, casa noturna onde mais de 110 pessoas foram mortas em um dos atentados na última noite de sexta-feira. “Era um clube bacana, grande, com capacidade para mais de 1.000 pessoas”, relembrou o parisiense.

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Benoit: “Jovens pagaram com suas vidas por uma guerra que não estavam envolvidos”

Mesmo diante da violência e das ameaças que compartilham a carta, os franceses não deixam de ressaltar o orgulho pela nação que é o maior país da União Europeia: “liberdade, fraternidade e igualdade. Este é o lema que sempre norteará nossas políticas”, afirmou a francesa Enya Gemard, 23, professora radicada em Florianópolis.

Enya, que é natural da cidade de Saint Pierre Duchen, mas tem amigos e familiares residindo em Paris atualmente, reafirma o sentimento de fortificação da nação francesa.

“As pessoas precisam entender que as diferenças só nos tornam mais fortes”, afirmou a professora da unidade da Aliança Francesa na Capital. A jovem também soube dos atentados recentes através de amigos, que a avisaram que estavam bem através de redes sociais.

“É claro que estou aterrorizada e preocupada. As políticas de fronteira já estão mudando e vão mudar ainda mais”, opinou Enya.

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