Negociação entre Mercosul e União Europeia traz oportunidades aos empresários de SC

Atualizado

A conclusão da negociação comercial do acordo entre Mercosul e UE (União Europeia), divulgado após a reunião ministerial realizada nos dias 27 e 28 de junho, em Bruxelas, trouxe uma espécie de euforia ao mercado brasileiro.

O tratado é visto como um marco histórico no relacionamento entre os dois blocos, que formam um mercado de 780 milhões de pessoas e representam cerca de 25% do PIB mundial.

Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND

No entanto, ao mesmo tempo em que abre oportunidades de negociação com 27 países, entramos em um mercado bem distinto, com importante grau de avanço tecnológico e alto grau de internacionalização. “Por isso, será preciso procurar nichos de oportunidade para investir e construir alianças estratégicas, como a união com outros distribuidores, por exemplo”, diz a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), Maria Teresa Bustamante.

Ela lembra que essa é uma via de mão dupla, pois a negociação também abre as portas para a entrada de produtos no país, elevando a concorrência e exigindo que a internacionalização faça parte da gestão estratégica e do modelo de negócios das empresas.

“A internacionalização vai além da exportação e importação, a empresa precisa identificar uma malha de fornecedores no exterior, saber quais tecnologias eles utilizam, quais insumos podem ser bons substitutos na sua produção, porque isso traz poder de barganha ao empresário”, afirma Bustamante.

Avaliação de maturidade

Com um mercado bastante amplo em termos de comércio exterior, Santa Catarina tem empresas de vários segmentos e tamanhos e em diferentes níveis de internacionalização. Daí a dificuldade de se generalizar ao avaliar nosso preparo para enfrentar a concorrência externa. “Enquanto algumas organizações estão consolidadas, temos as que dão os primeiros passos, as startups que já nascem com esse viés, e até indústrias transnacionais”, aponta Maria Teresa.

Para ajudar a compor um cenário mais preciso, a Federação da Indústria desenvolveu uma espécie de diagnóstico que auxilia as indústrias a medir sua maturidade em termos de internacionalização. “Por meio de um aplicativo no smartphone, o empresário responde a 25 questões e recebe a avaliação de maturidade e a dimensão em que seu negócio está melhor ou pior, como manufatura, gestão ou modelo de negócios, entre outras”, explica a especialista da Fiesc.

O programa está sendo divulgado em todo o estado em workshops gratuitos para a indústria. “Queremos aumentar as exportações e construir alianças, mas também é interessante que a própria organização saiba o quanto é competitiva ou não”.

Nesse caminho, está ainda a luta para que se vire a chave do mercado interno. “É preciso contemplar os mercados interno e externo como estratégias e deixar de achar que enquanto há demanda interna a empresa não precisa se internacionalizar. Essa é uma visão equivocada que sempre combatemos”, afirma Maria Teresa.

Para algumas entidades, como a Fecomércio em Santa Catarina, o acordo vai gerar um incremento de competitividade da economia brasileira ao garantir, para os produtores nacionais, acesso a insumos de elevado teor tecnológico e com preços mais baixos.

Além disso, para a instituição, a redução de barreiras, a maior segurança jurídica e a transparência de regras irão facilitar a inserção do Brasil nas cadeias globais de valor. Isso implicaria na geração de mais investimentos, emprego e renda, tirando o Brasil do isolamento e permitindo acesso a maior
variedade de produtos a preços competitivos para os consumidores.

Oportunidades e desafios

O segmento produtivo de carnes de aves e suínos vê com muito bons olhos esse acordo. “Podemos levar novos produtos com excelente padrão de qualidade para o mercado europeu, além de aumentar o volume de produção, gerar empregos no agronegócio e fixar o trabalhador no campo”, diz o gerente
executivo da Acav (Associação Catarinense de Avicultura), Jorge Luiz de Lima.

Lima destaca que ainda será preciso detalhar como funcionarão as cotas para a UE, mas a sinalização de abertura já é comemorada. “Temos clientes pontuais, mas com o acordo poderemos ampliar esse leque, já que as cotas gerais para toda a comunidade europeia foram restringidas desde 2017”, afirma.

“Não tememos a concorrência porque nosso segmento tem custo de produção mais baixo e produtos de altíssima qualidade reconhecida na Europa, mas em outros ramos pode haver impactos negativos”, avalia.

Commodities x produtos industrializados

O Brasil se consolidou como um grande exportador de commodities, mas a situação muda no campo dos produtos industrializados e que incorporam insumos tecnológicos. Nesse caso, a preocupação com a competitividade é maior e cada passo no exterior precisa ser avaliado com muita cautela.

Foi o que fez o industrial Cesar Augusto Olsen, proprietário da Olsen S.A, especializada na fabricação e comercialização de equipamentos odontológicos e mobiliário hospitalar (macas e cadeiras ginecológicas). À frente do negócio há 41 anos, o empresário vende no exterior há mais de 20 anos e emprega 180 pessoas.

Ainda assim tomou todo o cuidado ao abrir a primeira unidade nos Estados Unidos, em 2015. “A Olsen USA atua como importadora levando de 30 a 50 equipamentos nossos para comercializar lá fora. Acredito que em três anos conseguirei consolidar a marca e então pretendo me associar com um empresário local para começar a fabricação em solo americano”, diz.

Essa visão estratégica de planejamento é essencial para que o produto passe a ser conhecido sem sofrer retaliação do mercado. “Não posso chegar lá vendendo o produto abaixo do preço, porque eles me engolem. Enquanto produzo 450 unidades/mês, as grandes marcas de lá produzem 1.500. Preciso estudar cada passo para que o negócio dê certo”, analisa.

Ao mesmo tempo, ele não se descuida do mercado interno, onde é líder em seu ramo de atuação, investindo em novas linhas de produtos no segmento veterinário que estão na fase de desenvolvimento.

Olsen vê com preocupação o novo acordo entre os blocos econômicos. “Vamos exportar commodities e produtos semiprocessados e importar produtos acabados com valor agregado e mais tecnologia do que temos aqui. Se não houver uma política comercial para resguardar a indústria nacional ela será sucateada”, diz.

Visão do governo

De acordo com o Ministério da Economia, esse é o acordo mais amplo e de maior complexidade já negociado via Mercosul. Como o tratado ainda precisa ser assinado pelos parlamentos de todos os países envolvidos, o Brasil tem um tempo de preparo para enfrentar esse novo cenário.

Em média, os europeus levaram de sete meses a três anos para assinar documentos semelhantes, portanto a expectativa é de que entre em vigor por volta de 2023.

O acordo cobre temas tarifários e de natureza regulatória, como serviços, compras governamentais, facilitação de comércio, barreiras técnicas, medidas sanitárias e fitossanitárias e propriedade intelectual.

Ao entrar em vigor, produtos agrícolas de interesse para o Brasil terão as tarifas eliminadas, como suco de laranja, frutas e café solúvel. Os exportadores brasileiros obterão cotas para carnes, açúcar e etanol e também está prevista a eliminação de tarifas na exportação de 100% dos produtos industriais. Itens como cachaças, queijos, vinhos e cafés serão reconhecidos como distintivos do Brasil.

Segundo estimativas do Ministério, o tratado deve elevar o PIB brasileiro em US$ 87,5 bilhões em 15 anos, podendo chegar a US$ 125 bilhões. O aumento de investimentos no Brasil, no mesmo período, será da ordem de US$ 113 bilhões e as exportações brasileiras para a UE chegarão a US$ 100 bilhões até 2035.

Oportunidades e desafios do acordo Mercosul – UE

Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND -

Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND -

 “Não posso chegar lá vendendo o produto abaixo do preço, porque eles me engolem. (...) Preciso estudar cada passo para que o negócio dê certo”, analisa o industrial César Augusto Olsen. -

“Não posso chegar lá vendendo o produto abaixo do preço, porque eles me engolem. (...) Preciso estudar cada passo para que o negócio dê certo”, analisa o industrial César Augusto Olsen. -

Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND -

Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND -

Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND -

Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND -

Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND -

Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND -

Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND -

Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND -

Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND -

Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND -

Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND -

Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND -

Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND -

Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND -

Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND -

Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND -

Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND -

Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND -

Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND -

Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND -

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Acordo comercial entre Mercosul e UE gera expectativas de crescimento econômico em SC – Anderson Coelho/ND -

Economia