As ZPEs demonizadas pelo Estado

Marco Aurélio Abreu

Engenheiro civil e mestre em Administração

Divulgação

A mídia ventilou que a presidenta Dilma Rousseff quer ver as ZPEs (Zonas de Processamento de Exportação) funcionando até o fim deste ano. Opa! Como dizem os portugueses de Lisboa: agora é “calcanhar no rabo”, ou seja, é preciso correr prefeitos e governadores para fazer funcionar as ditas cujas já autorizadas há muito.

Todavia, verifica-se que há uma advertência palaciana: “Se isso não acontecer, as ZPEs vão caducar”. Particularizando, a nossa de Imbituba foi criada em 28 de abril de 1994, com uma área de 200,27 hectares.

Segundo vistoria in loco, dir-se-ia que os “trabalhos de infraestrutura estão concluídos”, mas aguarda-se o “alfandegamento pela Receita Federal”. Entretanto, o chamamento da presidenta, numa lista de 27 empresários (aparece apenas um catarinense: o da Tigre), é de endoidar – demonizar mesmo – pois por aqui tem-se mais empresários, os quais devem se inteirar para aportar seus investimentos. Ora, o mundo prossegue competitivo (PIB/2011: US$ 70 trilhões) e Santa Catarina precisa levar isto em conta.

O cenário econômico brasileiro apresenta, em tempo de progressiva globalização do comércio mundial, significativo crescimento: o Produto Interno Bruto alcançou US$ 2,1 trilhões e as exportações atingiram US$ 257 bilhões.

Santa Catarina, apesar de ter apenas 1,1% do território e 3,1% da população nacional, registrou neste mesmo ano um PIB de US$ 85,5 bilhões e exportações de US$ 10 bilhões, o que comprova sua potencialidade econômica e vocação para o comércio exterior.

Adicionado a isso, é preciso destacar que nossa balança comercial e a corrente de comércio sempre mantiveram a tendência de aumento, firmando este Estado como o 5º. maior exportador do país, pela relação diferencial dos produtos exportados (maçã, suco de laranja concentrado, roupas, aves/suínos em pedaços congelados, azulejo/ladrilho cerâmico…) e importados (petróleo, alho, filé de merluza, rolamentos de esfera, fornos de microondas…).

Institucionalizar o processo de interiorização da competência e dos recursos externos pela implantação das Zonas de Processamento de Exportação (áreas de livre comércio com o exterior, destinadas à instalação de empresas voltadas para a produção de bens a serem comercializados além-mar), visando a reduzir desequilíbrios regionais, fortalecer a balança comercial e acelerar a difusão/absorção tecnológica (não como balcão de atendimento), é papel do Estado.

Imbituba, este é o caminho, uma vez que alcançar os resultados de políticas públicas somente é possível como os melhores.

Neste instante, cabe melhorar o Cisma de Bob Fields: “…os empresários não desperdiçam dinheiro com aumento de salários dos seus empregados, até porque o Capital Humano em condições favoráveis é que fará crescer as exportações”.