Associação Catarinense de Medicina faz força-tarefa por respiradores

Atualizado

A falta de respiradores em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) pelo mundo agrava a pandemia do coronavírus (Covid-19). Para evitar que o cenário se repita em solo catarinense, a ACM (Associação Catarinense de Medicina) tem desenvolvido uma força-tarefa para diminuir os impactos da crise no Estado.

ACM trabalha em várias frentes para minimizar crise em Santa Catarina – Foto: Fiesc/Divulgação/ND

Em parceira com a Fiesc (Federação das Indústrias) e o Sesi (Serviço Social da Indústria), a entidade médica quer garantir que os pacientes graves tenham à sua disposição os aparelhos de ventilação mecânica.

O equipamento, que pode custar até R$ 10 mil, dá suporte aos pacientes em condições respiratórias graves. O procedimento é feito por meio de um tubo colocado pela boca e traqueia. O ventilador então projeta ar para dentro do pulmões debilitados.

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O respirador é usado, por exemplo, em pacientes que passam por cirurgias com anestesia geral ou que tenham quadros graves de pneumonia.

No caso do coronavírus, explica o diretor da UTI do Hospital SOS Cárdio Fernando Aranha, os pulmões do paciente ficam “encharcados”. Tal fato, em casos graves, torna a ventilação mecânica necessária para a manutenção da vida.

“Esses pacientes vão precisar de um tempo de internação de 10 a 15 dias usando o ventilador mecânico. Isso vai permitir que os pulmões atuem contra a infecção da Covid-19”, instrui Aranha.

O Brasil tem hoje 65.411 respiradores segundo o Ministério da Saúde. Destes, 46.663 estão disponíveis pelo SUS e 18.748 na rede privada.

Em Santa Catarina, a ACM calcula que deve haver um déficit de 200 a 300 equipamentos, num cenário de extrema colaboração da população quanto ao isolamento.

Força-tarefa por mais respiradores

A ACM desenvolveu diversas frente para garantir a oferta dos equipamentos em Santa Catarina. Uma delas é a reparação de ventiladores com defeitos ou desativados nas redes pública e particular.

O presidente da entidade Ademar José de Oliveira Paes Júnior comenta que 14 aparelhos já estão sendo consertados pelo Instituto Senai de Inovação em Sistemas de Manufatura. Outros 32 devem ser coletados nos próximos dias.

Outros 100 equipamentos foram comprados pela entidade e uma nova leva com a mesma quantidade será adquirida em breve. A distribuição dos ventiladores será feita conforme a demanda estadual.

“Nós médicos estamos nos preparando para atender a população que vai precisar de cuidados. Queremos mostrar que estamos juntos nesse trabalho”, afirma Paes Júnior.

A entidade também trabalha na articulação com empresas catarinenses para a construção de ventiladores. É o caso da Weg. A empresa de Jaraguá do Sul, em parceria com a Leistung, especializada em materiais hospitalares, produzirá os respiradores.

Segundo estimativa da própria empresa, após a compra dos insumos necessários para a produção, serão fabricados 500 equipamentos. Uma média de 50 ventiladores mecânicos por dia.

Uma outra iniciativa nessa linha é a adaptação de respiradores de uso veterinário para a utilização em humanos.

Neste caso, a capacidade de produção é bem maior, de até mil unidades por semana. No entanto, o produto deve ser utilizado nas fases iniciais da doença e podendo contribuir para evitar que o paciente tenha seu estado agravado.

Tecnologia a favor da saúde

O presidente da ACM destaca que a entidade médica trabalha também com o incentivo à tecnologia contra a Covid-19. Os serviços ajudam a identificar casos e acompanhar a evolução dos pacientes.

“Nós temos tecnologias que permitem que a gente diga às pessoas que moram próximas a infectados para redobrar as medidas de higiene e segurança. Queremos incentivar ainda mais o desenvolvimento de projeto deste tipo”, diz.

Os projetos são amparados pelo fundo Fera-SC, que conta com apoio da Fiesc. Parte do montante arrecadado por meio de doações vai para a criação de tecnologias e serviços de saúde.

Outra parte é destinada a compra de respiradores e de materiais de prevenção para os profissionais de saúde.

Como doar?

Banco: 085 – Cooperativa Central Ailos
Agência: 0105
Conta corrente: 19.273-2
Federação das Indústrias de SC
CNPJ: 83.873.877/001-14

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