Atendimento está comprometido por falta de enfermeiros no Hospital Celso Ramos, em Florianópolis

Em janeiro a unidade de saúde encerrou contratos de enfermeiros temporários e não houve reposição de pessoal

Bruno Ropelato

Unidade também sofre com a proliferação de uma superbactéria

O Hospital Celso Ramos, o maior de Florianópolis, enfrenta problemas com a falta de funcionários no setor de enfermagem. O setor carece de técnicos de enfermagem e enfermeiros para realizar os atendimentos no local. O problema começou no final de janeiro deste ano, quando os contratos de profissionais temporários chegaram ao fim. Neste período, não foram feitas novas recontratações, sobrecarregando os funcionários do setor.

A direção do hospital, no entanto, garante que medidas paliativas já estão sendo tomadas. Ainda esta semana, a Secretaria de Saúde do Estado contratou de modo emergencial 18 técnicos de enfermagem e mais quatro enfermeiros. A previsão é de que eles assumam nos próximos dias. “Estamos fazendo um chamamento para que assumam em caráter de urgência, mas tem um prazo legal para isso ocorrer. Estamos fazendo o possível. Na próxima sexta-feira, uma reunião com a Secretaria de Saúde deverá definir as demais contratações”, contou o diretor do Hospital Celso Ramos, Libório Soncini.

De acordo com Soncini, como o hospital apresenta mais de 20 especialidades, é preciso fazer um levantamento de todos os setores para saber o número exato de funcionários necessários. O setor de enfermagem garante que seriam necessários mais 67 profissionais, mas a Secretaria não confirmou o número.

A direção do hospital, no entanto, explica que a falta de funcionários no setor de enfermagem não tem prejudicado a qualidade no atendimento. 

Superbactéria se prolifera

O mês de fevereiro nem bem começou e o Hospital Celso Ramos já confirmou o primeiro caso da superbactéria KPC (Klebsiella pneumonia Carbapenemase), resistente a antibióticos. O microorganismo encontrado no ambiente hospitalar também teve um aparecimento considerável no mês de janeiro, quando os números passaram de 40.

O aparecimento, no entanto, ocorre em todos os hospitais, garante o médico infectologista Valter Araújo. “Aqui é feito 100% de exames nos pacientes. A bactéria aparece quando é procurada, mas ela sempre existiu e é detectada em exames de fezes, por exemplo”, contou.

As internações, no entanto, são feitas por medida de segurança, garante o diretor do Hospital Celso Ramos, Libório Soncini. “Temos 10 leitos de isolamento e eles são suficientes para atender a demanda. Não há qualquer lotação no setor, o que acontece é que quando a pessoa sai da UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) ela precisa passar pelo isolamento”.  A Secretaria de Saúde descarta qualquer surto envolvendo o aparecimento da bactéria.

O infectologista Válter Araújo ressalta ainda que o isolamento é uma medida de prevenção. “Apesar das pessoas não apresentarem sintomas, elas precisam ser isoladas. É preciso também cuidados essenciais, como lavar as mãos ter disciplina e utilizar materiais descartáveis. Os insumos oferecidos pela secretaria de saúde precisam vir em grande quantidade, e a direção tem feito esse esforço. Há semanas que tem mais material, outras menos, mas não é um problema por culpa do hospital”, contou o médico infectologista Válter Araújo.

Saiba mais sobre a bactéria

A superbactéria KPC (Klebsiella pneumonia Carbapenemase), resistente a antibióticos é um microorganismo modificado geneticamente no ambiente hospitalar e pode ser encontrada em fezes, na água, solo e vegetais. A sua transmissão ocorre através do contato com secreções do paciente infectado, quando não são respeitadas normas básicas de desinfecção e higiene. A bactéria pode causar pneumonia, infecções sanguíneas, e enfermidades que podem evoluir para um quadro de infecção generalizada, que pode ser mortal. No Hospital Celso Ramos, o primeiro caso foi identificado em 15 de dezembro de 2011, mas não há no histórico registro de mortes.

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