Atividade física e o câncer

Divulgação/ND

Célio Kussumoto, médico oncologista do Centro de Hematologia e Oncologia
cho@cho-joi.com.br

O estilo de vida está diretamente ligado à prevenção de doenças degenerativas como hipertensão, diabetes, obesidade, doenças do coração e câncer. A cada ano dados mostram uma incidência crescente do câncer no mundo, sendo uma das principais causas de mortalidade. Segundo os dados da Organização Mundial da Saúde, existem 14 milhões de novos casos, 8,2 milhões de mortes relacionadas ao câncer e estima-se que nas próximas duas décadas o número de casos novos aumentará cerca de 70%.

Em torno de um terço das mortes por câncer são devidos a cinco fatores de risco relacionados ao estilo de vida: aumento do índice de massa corpórea, baixa ingestão de frutas e verduras, sedentarismo, tabagismo e etilismo. A inatividade física tem sido identificada como a quarta principal causa de morte no mundo (3,2 milhões de mortes).

Nas últimas décadas,várias publicações têm mostrado os efeitos benéficos da prática de atividade física com relação ao câncer. Estudos indicam uma redução de 25% no risco de câncer de mama em mulheres mais fisicamente ativas quando comparadas com as mais sedentárias. A prática regular de exercícios diminui o risco de outros tipos de câncer como o de pulmão, intestino e próstata. No caso do câncer de intestino, os pacientes que caminham pelo menos 6 horas por semana têm uma redução do risco de mortalidade em 50%. Já no caso de pacientes com câncer de mama esta mesma redução é obtida com 3 horas de caminhada por semana.

A atividade física não era conhecida como parte importante no tratamento do câncer e havia indicação que os pacientes que recebiam tratamento deveriam evitar exercícios. Em 1989 um estudo realizado em pacientes com câncer de mama que estavam em quimioterapia demonstrou que a prática de exercícios aeróbicos durante 10 semanas, além de melhorar a capacidade funcional, também diminuiu os enjoos/vômitos causados pela quimioterapia. Desde então tem se comprovado os efeitos benéficos em pacientes durante o tratamento como a diminuição de perda de memória, cansaço e até melhora da disfunção sexual.

A prática regular de atividade física pelos pacientes após ter completado o tratamento melhora a capacidade cardiorrespiratória, reduz a fadiga muscular e melhora a qualidade de vida. Considerando os dados apresentados acima, vemos que com uma simples mudança de hábito e um pouco de tempo dedicado a prática de atividade física pode-se obter resultados quase similares aos obtidos com uso de medicamentos (um complementa o outro). Portanto, aqui faço um convite vamos levantar da cadeira e começar a exercitar.

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