Atraso do frio limita pesca da tainha às vésperas do fim da safra em Santa Catarina

Atualizado

O primeiro final de semana julho foi de expectativa para os pescadores de Florianópolis. A menos de 30 dias do fim da safra, que será encerrada no dia 31 de julho, o frio que chegou com força nos últimos dias no Estado trouxe esperança para os pescadores artesanais na Grande Florianópolis. Houve lanços com grande quantidade de peixes em praias do litoral Norte, entre a noite de sábado e a manhã de ontem, mas na Grande Florianópolis e na Capital ainda está faltando peixe. A culpa, dizem os pescadores, é do atraso na chegada do frio.

Pesca na Armação, no Sul da Ilha – Anderson Coelho/ND

Trabalhador do ramo há mais de 25 anos, Arilton Pereira deixava o barco na tarde deste domingo (7), na Barra da Lagoa, desanimado. Sem peixes na embarcação e com despesas para pagar, o pescador afirma que safra atual é a pior dos últimos anos. “A gente reza a Deus para que tenha algum peixinho nessas últimas semanas, mas está muito complicado. Alguns pescadores deram sorte, mas para mim, em todos esses anos, essa foi a pior safra e a primeira vez que eu que não consigo peixe direito”, afirmou.

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Desde que a safra da tainha teve início, em 1º de maio, Arilton teve somente um dia de sorte. Ainda nos primeiros dias do mês passado o pescador garantiu cerca de 300 peixes. Agora, preocupado que não consiga pagar os gastos na manutenção do barco, alimentação e combustível, pretende trabalhar dobrado até o final do mês. Nesta segunda-feira (8) já planeja as próximas buscas. “Amanhã, às 4h, vamos pegar o barco e tentar aonde os peixes estão. A gente precisa pegar algo”, disse.

Expectativa

De acordo com o presidente da Fepesc (Federação dos Pescadores do Estado de Santa Catarina), Ivo da Silva, até a última sexta-feira (5) foram 1.047 toneladas de tainha capturadas no Estado. Esse número, segundo Ivo, é bem abaixo do esperado para este ano; cerca de 2.500 toneladas. “Infelizmente o frio demorou muito para chegar. Com isso, a gente teve um número abaixo e os pescadores sentiram isso. Mas o frio desse final de semana pode dar uma melhorada e levantar esse número até o fim do mês”, afirmou.

Em outro ponto da cidade, na Armação, Márcio Manoel da Silva também esperava notícias sobre algum cardume. Segundo ele, atualmente para conseguir tainha na região é necessário se afastar da faixa de areia, observar o mar com atenção e esperar. Nos últimos dias, mesmo com o frio intenso, o último lance com peixe foi registrado na quarta-feira (4). No local, 1.600 quilos de tainha foram capturados. “Na quarta foi muito bom, mas agora a gente tem que ir lá fora buscar Todo dia é um dia de espera”, disse.

Lanço na Lagoinha do Norte

Apesar do desânimo dos pescadores artesanais, a praia da Lagoinha do Norte registrou um bom número de peixes neste domingo. Por volta das 9h, 8.510 foram tainhas capturadas. Esse número, segundo o pescador Ilson João Batista, pode animar os trabalhadores, mas não deve ser suficiente. “Esses lances pequenos podem animar, mas não são suficientes. Infelizmente este ano a gente precisa entender que a pesca na região fui ruim”.

A preocupação dos pescadores, com o avanço da temporada, é com o acúmulo de contas e os financiamentos feitos para compra de redes e outros petrechos. Se o frio desta semana não ajudar na entrada de novos cardumes, muitos pescadores podem perder posses deixadas em garantia e até pequenas embarcações que foram “armadas” na expectativa de uma boa pesca da tainha.

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