Bairro de São José terá sinal de celular após dez anos de reivindicações

“O telefone chamado está fora de área ou…” Essa é a mensagem comum recebida por quem tenta falar com um morador do bairro Colônia Santana, em São José, pelo celular. Há mais de 20 anos a população do local consegue falar do aparelho móvel somente quando está em outros bairros da cidade. Alguns recebem com ceticismo a instalação de uma antena, que entrará em operação até o fim do mês. Outros esperam reduzir custos com chamadas de telefone fixo para móvel quando o equipamento passar a transmitir o tão esperado sinal.

Flávio Tin/ND

Primeira antena de telefonia móvel está sendo instalada atrás da casa de Ernestina

“Estamos a 20 quilômetros de Florianópolis, nossa Capital, e isolados do mundo”. A frase é o desabafo do comerciante Denilzo Lofy, 46 anos. Ele lembra que há mais de uma década participa de reuniões na comunidade na tentativa de ter uma antena de telefonia na Colônia Santana. Ao lado da loja de Denilzo Lofy, na SC- 407, o borracheiro e mecânico Naldir Goeber, 50, está com o telefone silenciado há mais de dois meses. Antes, ele conseguia o sinal telefônico para o celular por meio de uma antena rural, instalada na parede da oficina. “Usei durante quatro anos, mas agora não pega de jeito nenhum”, diz, esperançoso com a vinda do sinal da operadora.

A diretora do Procon (Programa de Proteção ao Consumidor) estadual, Elizabete Luiza Fernandes, salienta que foram dois anos de luta até que uma operadora aceitasse fazer os estudos necessários para a instalação da torre de telefonia. “A grande dificuldade está na topografia do bairro. São muitas montanhas, por isso a TIM foi a única empresa que se dispôs a enviar equipe técnica para avaliar o local”, diz. Elizabete lembra que a antena via satélite – que atinge um raio de 1,5 quilômetro – não é a ideal, mas é a mais viável no momento. “Foram três meses de estudos para atender uma solicitação de mais de dez anos. O pedido foi nos feito por lideranças comunitárias e políticas do bairro e da cidade”, detalha a diretora.

Cobertura será por tecnologia 3G 

A antena está instalada na rua Eurico Rauen. Fica nos fundos da casa da pensionista Ernestina Martins, 68, mais precisamente no terreno da filha dela – parte da área foi locada pelo período de dez anos pela empresa de telefonia móvel. Ernestina lembra que a poucos quilômetros de sua casa, no vizinho município de São Pedro de Alcântara, a população utiliza normalmente o celular. “Já fizemos muitos abaixo-assinados. Já pedimos tanto. Tomara que eu possa ligar para meus familiares, no Natal sem usar o telefone fixo”, almeja uma das 10 mil moradoras do bairro, considerado rural, em São José.

A TIM informou que a antena que atenderá a região de Colônia Santana encontra-se em processo de implantação. A cobertura será realizada por meio da tecnologia 3G, sendo apta a realizar chamadas de voz e dados conforme parâmetros estipulados pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). “O equipamento estará apto a ativação e fase inicial de monitoração e testes até o final de dezembro. A liberação efetiva do sinal à população dependerá da emissão da licença de operação a ser emitida pelo órgão ambiental responsável”, diz a nota da empresa.

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